Almoço de sábado combina com comida feita em casa, e a batata com frango costuma aparecer no prato de muitas famílias. Para quem tem diabetes tipo 2, essa combinação também pode fazer parte da refeição. A nutricionista educadora em diabetes e membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Tarcila Campos, explica que não é necessário retirar a batata da alimentação.
Segundo Tarcila, o planejamento alimentar deve considerar a realidade de cada pessoa, incluindo os alimentos disponíveis, os hábitos e o que faz parte da rotina. Por isso, a alimentação não precisa excluir alimentos como batata, arroz, pão e macarrão.
Nesse contexto, a quantidade e o modo de preparo entram na escolha. A batata pode fazer parte do prato, enquanto a combinação com outros alimentos também precisa ser considerada.
A nutricionista cita, por exemplo, que é possível consumir frango com batata-doce, batata inglesa, inhame, macaxeira ou arroz branco. O preparo também deve entrar na avaliação, com preferência por opções cozidas ou assadas em vez de fritas.
Batata com frango pode fazer parte da refeição?
Sim. Tarcila explica que uma refeição com batata e frango pode fazer parte do planejamento alimentar de uma pessoa com diabetes tipo 2.
A orientação não precisa retirar a batata apenas porque ela contém carboidrato. O prato pode incluir uma fonte de carboidrato, uma proteína e vegetais.
A nutricionista cita diferentes possibilidades. A pessoa pode combinar frango com batata-doce, batata inglesa, inhame, macaxeira ou arroz branco.
Além disso, o modo de preparo também importa. A orientação pode favorecer preparações cozidas ou assadas em vez de alimentos fritos.
Por isso, uma refeição com batata e frango não precisa representar uma quebra do planejamento alimentar. A avaliação depende da quantidade, do preparo e dos demais alimentos presentes na refeição.
O que importa mais: o alimento ou a combinação?
Para Tarcila, a alimentação não deve se basear apenas na retirada de alimentos. O planejamento precisa considerar como cada alimento entra na refeição.
Ela explica que a pessoa pode consumir um alimento com carboidrato e combiná-lo com outros componentes da refeição. A presença de fibras e proteínas pode influenciar a velocidade de absorção dos carboidratos.
No caso do arroz branco, por exemplo, a nutricionista explica que a combinação com feijão e vegetais pode modificar a resposta da refeição. O feijão fornece fibras e proteínas, enquanto os vegetais aumentam a presença de fibras no prato.
A mesma lógica pode orientar outras refeições. Assim, a pessoa não precisa escolher entre comer carboidrato ou deixar de comer o alimento que faz parte da sua rotina.
Batata frita e batata cozida têm a mesma função no prato?
Não é possível tratar as duas preparações da mesma maneira. Tarcila destaca que o modo de preparo precisa entrar na avaliação nutricional.
A orientação apresentada no episódio prioriza formas como cozinhar ou assar. Já a fritura acrescenta gordura à preparação e muda a composição da refeição.
Por isso, ao avaliar um prato com batata e frango, o nutricionista também precisa entender como esses alimentos foram preparados.
A pergunta não deve ser apenas “posso comer batata?”. Também importa saber qual batata, em qual quantidade, como foi preparada e com quais alimentos será consumida.
Por que a quantidade importa no diabetes tipo 2?
A quantidade de carboidrato ocupa um papel importante no planejamento alimentar do diabetes tipo 2. Tarcila explica que a resistência à insulina dificulta o processamento desse nutriente pelo organismo.
Por isso, o profissional pode trabalhar com uma quantidade de carboidrato distribuída ao longo das refeições.
A nutricionista usa uma comparação para explicar esse processo. Ela relaciona a resistência à insulina a uma porta que não abre completamente.
Se muitas pessoas tentam passar pela porta ao mesmo tempo, parte delas fica do lado de fora. Na alimentação, a estratégia consiste em encontrar uma quantidade que o organismo consiga lidar melhor em cada refeição.
Nesse contexto, a pessoa pode consumir diferentes fontes de carboidrato. O planejamento pode incluir arroz, pão, tapioca, cuscuz, batata ou outros alimentos.
Quem tem diabetes precisa comer apenas salada e frango?
Não. Essa ideia aparece entre os exemplos de restrição alimentar que Tarcila procura desconstruir.
Segundo a nutricionista, uma pessoa com diabetes pode montar uma refeição com salada, frango e uma fonte de carboidrato. Essa fonte pode ser arroz branco, macarrão, batata, batata-doce, inhame ou macaxeira.
A escolha depende da quantidade e da combinação.
Além disso, a alimentação precisa considerar a realidade econômica da pessoa. Tarcila afirma que o controle da glicemia não depende da compra de alimentos considerados especiais ou mais caros.
Ela também destaca que o arroz branco, por exemplo, pode fazer parte da alimentação quando a pessoa não tem acesso ao arroz integral.
Monitorar a glicose ajuda a entender a resposta aos alimentos?
A monitorização também aparece como parte da discussão sobre alimentação individualizada.
Tarcila explica que acompanhar a glicose antes e depois das refeições pode ajudar a entender como determinado alimento afeta cada pessoa.
Ela cita tanto o glicosímetro quanto o sensor de glicose como formas de obter informações sobre a resposta do organismo. Segundo a nutricionista, esses dados podem ajudar o profissional a personalizar o planejamento alimentar.
A resposta pode variar entre pessoas. Um alimento que provoca determinada resposta em uma pessoa pode ter outro efeito em outra.
Por isso, a nutricionista defende o autoconhecimento como parte da educação em diabetes.
O mesmo alimento pode funcionar de forma diferente para cada pessoa
A entrevista também aborda a diferença entre experiências individuais. Tarcila cita o exemplo de pessoas que observam alguém nas redes sociais e tentam reproduzir a mesma alimentação.
Ela alerta que estratégias alimentares precisam considerar fatores individuais. Atividade física, medicamentos, horários e características do organismo podem mudar a resposta.
Nesse contexto, uma recomendação que funciona para uma pessoa não necessariamente funciona da mesma maneira para outra.
A orientação alimentar precisa considerar esses fatores antes de transformar uma experiência individual em regra para quem tem diabetes.
