Você já percebeu que, em dias de muita tensão, a glicemia sobe mesmo sem mudanças na alimentação? Não é impressão. O estresse, físico ou emocional, desencadeia uma resposta hormonal que eleva os níveis de açúcar no sangue, e estudos científicos reforçam essa relação.
O Portal Um Diabético explica esse mecanismo com base em dados científicos. As orientações práticas são da psicóloga Priscila Pecoli, do Departamento de Psicologia da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Por que o estresse eleva a glicemia
Sabe aquela sensação de alerta que toma o corpo quando algo dá errado? É o organismo acionando um sistema de defesa imediata.
A psicóloga Priscila Pecoli explica
“Ocorre uma descarga de hormônios chamados contra-reguladores da insulina, entre eles a adrenalina e o cortisol. O nome descreve bem a função: eles agem de forma contrária à insulina, promovendo a elevação dos níveis de glicose no sangue.”
O objetivo biológico é disponibilizar energia rápida para enfrentar o perigo. No entanto, em pessoas com diabetes, esse processo se torna um problema. O organismo já tem dificuldade em regular a glicose, e o estresse intensifica esse desequilíbrio.
O que acontece com quem não tem diabetes e por que é diferente para quem tem
Para ilustrar o mecanismo, considere um exemplo: uma pessoa sem diabetes internada por uma infecção grave ou prestes a passar por uma cirurgia. Esse tipo de estresse físico pode elevar temporariamente os níveis de glicemia mesmo em quem não tem a doença. Após a resolução do quadro, os valores retornam ao normal por conta própria.
Quando isso acontece em alguém com diabetes, o impacto tende a ser mais pronunciado. Os níveis de glicose podem subir mais e o retorno ao equilíbrio costuma exigir atenção e manejo ativo. Por isso, o monitoramento próximo é tão importante nesses momentos.
Estresse físico que pode elevar a glicemia:
- Infecções e doenças agudas (gripe, pneumonia, infecção urinária)
- Cirurgias e procedimentos invasivos
- Traumas físicos e lesões
- Internações hospitalares em geral
- Doenças crônicas descompensadas
Estresse emocional também conta: o impacto da mente sobre a glicemia
Além do estresse físico, situações de tensão psicológica também ativam o mesmo eixo hormonal. Conflitos no trabalho, perdas, ansiedade intensa ou períodos prolongados de pressão também podem influenciar a glicemia. Por isso, incluir a saúde emocional na rotina de cuidados é igualmente importante.
Por isso, a saúde mental é parte integrante do tratamento do diabetes, e não um aspecto secundário. A psicóloga Priscila Pecoli reforça: “O tratamento do diabetes é complexo e deve se basear no uso correto das medicações prescritas pelo médico. Também não devemos esquecer do tratamento não farmacológico, como dieta, exercício, controle do peso e uma boa saúde mental.”
Atenção glicêmica em momentos de estresse: quando monitorar mais
Em situações de doença ou estresse intenso, vale a pena acompanhar a glicemia com mais atenção do que o habitual. Esse monitoramento mais frequente permite identificar elevações rapidamente e agir com base na orientação da equipe médica. Além disso, é importante comunicar ao endocrinologista qualquer período de estresse prolongado, físico ou emocional. Em alguns casos, pode ser necessário ajustar doses de medicamentos ou insulina temporariamente.
O que você pode fazer para reduzir o impacto do estresse no diabetes
O estresse faz parte da vida, e tudo bem. O que é possível é aprender a reduzir seu impacto sobre a glicemia.
Estratégias práticas para períodos de estresse:
- Monitore a glicemia com mais frequência quando estiver doente ou sob pressão emocional intensa.
- Informe seu médico sobre períodos prolongados de estresse. Pode ser necessário ajustar o tratamento.
- Mantenha a rotina de sono adequado, pois esse hábito fortalece a resposta do organismo.
- Apoio psicológico faz parte do cuidado e pode fazer diferença bem antes de a situação chegar a um ponto crítico.
- Em situações de doença aguda, siga as orientações do seu médico sobre “dias de doença”.