O aumento do consumo de peixe na Semana Santa e principalmente na Sexta-Feira Santa, que é feriado, levanta dúvidas comuns entre pessoas com diabetes sobre qual escolher e como preparar. Esse alimento não reduz diretamente a glicemia, no entanto contribui para o controle do risco cardiometabólico, que faz parte do cuidado da doença.
Além disso, o peixe oferece proteína de alto valor biológico e gorduras insaturadas. Nesse contexto, incluir esse alimento na rotina pode trazer impactos práticos no tratamento, especialmente quando há atenção ao preparo.
Por que o peixe entra na alimentação de quem tem diabetes
O peixe apresenta proteína com aminoácidos essenciais e promove saciedade. Portanto, pode substituir carnes com maior teor de gordura em refeições do dia a dia.
Além disso, muitos deles concentram ômega-3, como EPA e DHA. Essas gorduras estão associadas à redução de triglicerídeos e à melhora do perfil lipídico. Enquanto isso, pessoas com diabetes apresentam risco aumentado de doença cardiovascular, o que reforça a importância dessa escolha alimentar.
A nutricionista educadora em diabetes Tarcila Campos explica que os peixes são fontes de gorduras insaturadas e proteína de qualidade. Segundo ela, esse perfil contribui para o cuidado metabólico e cardiovascular, principalmente no diabetes tipo 2, que envolve inflamação crônica e resistência à insulina.
Micronutrientes presentes no peixe e impacto no tratamento
Os benefícios não se limitam ao ômega-3. O peixe também fornece micronutrientes relevantes para quem convive com diabetes.
Entre eles estão vitamina D, vitamina B12, selênio e zinco. Nesse sentido, a vitamina D chama atenção pela deficiência frequente na população. Já a vitamina B12 merece atenção em pessoas que utilizam metformina, pois o medicamento pode reduzir seus níveis ao longo do tempo.
Portanto, incluir ele pelo menos duas vezes por semana pode auxiliar na adequação nutricional dentro do plano alimentar.
8 opções de peixes que podem ajudar no controle do diabetes
Nem todos os peixes têm a mesma composição. Por outro lado, tanto os mais gordurosos quanto os mais magros podem fazer parte da alimentação.
1. Sardinha
Fonte de ômega-3, vitamina D, B12, selênio e cálcio quando consumida com espinha. Além disso, apresenta bom custo-benefício.
2. Salmão
Rico em ômega-3 e com perfil lipídico favorável. Em 100g, oferece cerca de 22g de proteína e gorduras predominantemente insaturadas.
3. Atum
Fonte de proteína e gordura saudável. No entanto, deve ser consumido com moderação devido ao acúmulo de mercúrio em algumas espécies.
4. Cavala
Apresenta alta concentração de ômega-3, embora seja menos comum nos cardápios.
5. Bacalhau
Tradicional na Sexta-feira Santa. Porém, exige atenção ao sódio, mesmo após dessalgado, principalmente em pessoas com hipertensão.
6. Tilápia
Peixe magro, com cerca de 96 calorias e 20g de proteína por 100g. Além disso, possui baixo teor de gordura.
7. Pescada
Opção leve e de fácil digestão, indicada para refeições noturnas.
8. Linguado
Peixe branco com praticamente zero carboidrato, adequado para controle de peso e glicemia.
Modo de preparo pode impactar o tratamento
Escolher o peixe adequado não garante benefícios se o preparo não for correto. Preparações fritas ou empanadas aumentam a carga calórica da refeição.
Além disso, molhos gordurosos podem favorecer ganho de peso e piorar a resistência à insulina ao longo do tempo. Nesse contexto, a recomendação é priorizar métodos simples.
- Prefira: grelhado, assado, cozido ou ensopado
- Evite: frito, à milanesa e molhos com excesso de gordura
Enquanto isso, combinar o peixe com carboidratos de melhor qualidade, como arroz integral, legumes ou batata-doce, pode ajudar no equilíbrio da refeição.
O que observar na hora de comprar peixe
Alguns critérios ajudam na escolha do alimento:
- Peixe fresco deve ter cheiro suave, olhos brilhantes e carne firme
- Sardinha em lata deve ser conservada em água ou azeite
- Evitar óleos vegetais refinados em conservas
Além disso, manter a frequência de consumo ao longo da semana pode trazer benefícios contínuos.
Sexta-feira Santa como oportunidade alimentar
A sexta-feira Santa pode funcionar como ponto de partida para mudanças no padrão alimentar. No entanto, o controle do diabetes não depende de um único alimento.
Nesse contexto, o peixe deve ser inserido em uma alimentação equilibrada, com orientação profissional. Ainda assim, a escolha da espécie e do preparo influencia diretamente os resultados no controle metabólico.