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    Início - Prazo para participar da consulta pública sobre sensor de glicose no SUS termina nesta segunda (17)
    Saúde Pública

    Prazo para participar da consulta pública sobre sensor de glicose no SUS termina nesta segunda (17)

    Consulta da Conitec sobre a incorporação do monitoramento contínuo de glicose no SUS já recebeu mais de 22 mil respostas; prazo para participar termina nesta segunda-feira (17)
    Tom Bueno16 de agosto de 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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    Pessoa com sensor de glicose aplicado no braço em frente a uma placa do SUS (Sistema Único de Saúde). O rosto da pessoa não aparece na imagem.
    Sensor de glicose no SUS é tema de consulta pública da Conitec, que termina nesta segunda-feira (17).
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    A discussão sobre a oferta de sensor de glicose pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entra em uma fase decisiva nesta segunda-feira (17). Termina o prazo para participar da consulta pública que avalia a incorporação do sistema de monitoramento contínuo da glicose em tempo real para pessoas com diabetes tipo 1.

    Até a manhã deste domingo (16), a Consulta Pública nº 63/2026, da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), contabilizava 22.194 respostas, segundo o contador disponível na plataforma Brasil Participativo.

    O número representa o equivalente a cerca de 3,7% das aproximadamente 600 mil pessoas que vivem com diabetes tipo 1 no Brasil. A estimativa de 600 mil brasileiros com a condição também aparece em documentos recentes do Congresso Nacional.

    A comparação serve para dimensionar a mobilização, mas não significa que somente pessoas com diabetes tipo 1 possam participar da consulta. Familiares, cuidadores, profissionais de saúde e outros cidadãos também podem contribuir.

    A consulta pública começou em 29 de julho e termina em 17 de agosto de 2026.

    O que está sendo discutido?

    A Consulta Pública nº 63/2026 analisa especificamente a incorporação do sistema de monitoramento contínuo da glicose em tempo real, conhecido pela sigla rt-CGM, para pessoas com diabetes tipo 1.

    A própria Conitec identifica a tecnologia dessa forma no Relatório para a Sociedade nº 735, documento preparado para subsidiar a participação da população.

    Esses sistemas utilizam um sensor aplicado ao corpo para medir continuamente a glicose no líquido intersticial. Dependendo do dispositivo, as informações são transmitidas para um celular ou receptor e podem incluir dados sobre a direção e a velocidade de mudança da glicose, além de alertas.

    Isso permite acompanhar não apenas um valor isolado, mas também entender como a glicose está se comportando ao longo do dia e da noite.

    Conitec deu recomendação inicial desfavorável

    A abertura da consulta acontece depois de a Conitec emitir uma recomendação preliminar desfavorável à incorporação da tecnologia no SUS.

    Isso não significa, porém, que a decisão esteja encerrada.

    A consulta pública acontece justamente depois da avaliação inicial. Segundo a própria Conitec, o Relatório para a Sociedade possui uma versão preliminar, disponibilizada após a apreciação inicial, e uma versão final, publicada depois da decisão do Ministério da Saúde. As contribuições recebidas nesta etapa integram o processo que antecede a recomendação final.

    Por isso, a participação da sociedade é especialmente importante neste momento.

    Pacientes, familiares e profissionais podem apresentar experiências, informações e argumentos que serão analisados antes da conclusão do processo.

    Sensor já passou por outra avaliação no SUS

    Essa não é a primeira vez que sensores para monitoramento da glicose entram na pauta da Conitec.

    Em uma avaliação anterior, o Ministério da Saúde decidiu, em janeiro de 2025, não incorporar ao SUS o sistema de monitorização contínua da glicose por escaneamento intermitente para pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2. A decisão foi formalizada pela Portaria SECTICS/MS nº 2, de 31 de janeiro de 2025.

    É importante, entretanto, diferenciar os dois processos.

    A avaliação anterior envolvia o sistema por escaneamento intermitente, conhecido como sistema flash, e incluía diabetes tipo 1 e tipo 2.

    A consulta atual trata de monitoramento contínuo em tempo real (rt-CGM) especificamente para pessoas com diabetes tipo 1. Portanto, embora seja uma nova discussão sobre sensores no SUS, não se trata exatamente da mesma tecnologia e da mesma população avaliadas anteriormente.

    Ciência já demonstra benefícios do monitoramento contínuo

    O debate atual não acontece por falta de evidências de que o monitoramento contínuo possa trazer benefícios para pessoas com diabetes.

    O uso da tecnologia permite acompanhar a glicose durante as 24 horas do dia, identificar tendências e reconhecer períodos de glicose alta ou baixa que poderiam passar despercebidos em medições pontuais.

    Entre os desfechos avaliados em estudos sobre monitoramento contínuo estão hemoglobina glicada, tempo na faixa-alvo, tempo em hipoglicemia e segurança do tratamento.

    Na prática, uma das grandes diferenças em relação à medição convencional é a quantidade de informação disponível para a tomada de decisões.

    Enquanto o teste de ponta de dedo mostra a glicemia naquele determinado momento, o sensor permite visualizar o comportamento da glicose ao longo do tempo.

    Para quem utiliza insulina diariamente, essas informações podem ajudar a identificar oscilações durante o sono, após as refeições, durante atividades físicas e em outras situações da rotina.

    A discussão da Conitec, portanto, envolve não apenas a eficácia da tecnologia, mas também custo-efetividade, impacto orçamentário, critérios de acesso e a capacidade de implementação dentro do SUS. Esses aspectos fazem parte do processo de avaliação de tecnologias em saúde utilizado pela comissão.

    Municípios já começaram a oferecer sensores pelo SUS

    Enquanto uma política nacional não é definida, o Brasil passou a assistir nos últimos anos ao crescimento de iniciativas locais para fornecimento de sensores de glicose.

    Desde o início desta década, municípios e estados começaram a criar programas próprios, com critérios diferentes para distribuição da tecnologia.

    Hoje, dezenas de cidades brasileiras já possuem ou anunciaram iniciativas para oferecer sensores a determinados grupos de pessoas com diabetes.

    Em alguns locais, o acesso é destinado principalmente a crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. Em outros, os critérios foram ampliados para diferentes faixas etárias ou situações específicas.

    O resultado é uma espécie de mapa desigual de acesso à tecnologia: dependendo do município onde mora, uma pessoa com diabetes pode ter direito ao sensor pela rede pública enquanto outra, com a mesma condição e necessidade clínica, não encontra o dispositivo disponível pelo SUS em sua cidade.

    É justamente essa diferença que torna a discussão sobre uma eventual política nacional relevante.

    Uma incorporação ao SUS poderia estabelecer critérios nacionais de acesso, embora as condições exatas de fornecimento dependessem da decisão final e da estratégia de implementação definida pelo Ministério da Saúde.

    O que escrever na consulta pública?

    Uma dúvida comum é se é necessário ter conhecimento técnico para participar.

    Não é.

    A consulta pública também existe para que pessoas diretamente afetadas pela decisão contem suas experiências.

    Quem vive com diabetes tipo 1 pode relatar, por exemplo, como realiza atualmente o monitoramento da glicose e quais dificuldades enfrenta no dia a dia.

    Também pode contar experiências relacionadas a:

    • episódios de hipoglicemia, inclusive durante a madrugada;
    • medo de glicose baixa durante o sono;
    • necessidade frequente de testes de ponta de dedo;
    • prática de exercícios físicos;
    • rotina escolar ou profissional;
    • dificuldade financeira para comprar sensores;
    • experiência anterior com monitoramento contínuo;
    • impacto da tecnologia na autonomia e na tomada de decisões;
    • acompanhamento de crianças e adolescentes pelos responsáveis.

    Familiares e cuidadores também podem explicar como o diabetes interfere na rotina da família e quais mudanças perceberam quando tiveram acesso ao monitoramento contínuo.

    Profissionais de saúde podem contribuir com sua experiência clínica e discutir benefícios, limitações e possíveis critérios para utilização da tecnologia no SUS.

    O mais importante é que a contribuição seja verdadeira, individual e baseada na experiência ou no conhecimento de quem está respondendo.

    Não é necessário copiar textos prontos para participar.

    Como participar da consulta do sensor de glicose no SUS?

    A participação é gratuita e feita pela plataforma Brasil Participativo, do governo federal.

    É necessário entrar com uma conta gov.br, localizar a Consulta Pública nº 63/2026 e responder ao questionário.

    Antes de participar, a Conitec disponibiliza também o Relatório para a Sociedade, uma versão resumida e em linguagem mais acessível do documento técnico que embasou a recomendação inicial. Segundo a comissão, esse relatório foi criado justamente para ajudar a sociedade a participar das consultas públicas.

    O prazo termina nesta segunda-feira, 17 de agosto.

    Quer participar e não encontrou a consulta? Comente “SENSOR” nas nossas redes sociais que enviamos o link para você.

    Por que a participação pode fazer diferença?

    A consulta pública não é uma votação e o número de respostas, sozinho, não determina se o sensor será ou não incorporado ao SUS.

    Essa distinção é importante.

    A Conitec avalia evidências científicas, segurança, eficácia, efetividade, avaliação econômica e impacto da tecnologia sobre o orçamento público. Depois da consulta, as contribuições são organizadas e avaliadas pelo comitê responsável antes da deliberação final.

    Mas é justamente nessa etapa que a sociedade pode formalmente apresentar informações e experiências para serem consideradas no processo.

    E há precedentes de consultas públicas que acrescentaram informações relevantes às avaliações da comissão.

    Para uma tecnologia que interfere diretamente na rotina de quem precisa tomar decisões sobre glicose e insulina todos os dias, relatos de pacientes, familiares, cuidadores e profissionais ajudam a mostrar aspectos que números de estudos econômicos nem sempre conseguem traduzir sozinhos.

    Mais de 22 mil respostas e as últimas horas

    Com 22.194 participações registradas até a manhã deste domingo, a consulta chega às últimas horas.

    Em comparação com uma população estimada em aproximadamente 600 mil brasileiros com diabetes tipo 1, o número de respostas equivale a cerca de 3,7% desse contingente.

    Isso não significa que apenas 3,7% das pessoas com diabetes tenham participado, já que o questionário também pode receber manifestações de familiares, profissionais e outros cidadãos. O percentual funciona como uma referência para dimensionar o tamanho da mobilização diante da população diretamente envolvida na discussão.

    Depois de uma decisão negativa sobre outro sistema de monitoramento em 2025 e de uma nova recomendação preliminar desfavorável em 2026, a discussão sobre o acesso nacional aos sensores de glicose pelo SUS chega novamente a um momento decisivo.

    Desta vez, quem quiser ter sua experiência considerada oficialmente no processo tem até esta segunda-feira (17) para participar.

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    Tom Bueno

    Fundador & CEO | Jornalista e Criador de Conteúdo - Tom é jornalista experiente, com mais de 17 anos de carreira em televisão, tendo atuado como repórter e apresentador nas principais emissoras do país. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 22 anos, transformou sua trajetória pessoal em uma missão profissional. Além de liderar o Um Diabético, também realiza documentários e curtas com foco em saúde e impacto social. É reconhecido como um dos principais porta-vozes do diabetes no Brasil, dando voz e visibilidade a milhares de pessoas que convivem com a condição.

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