O macarrão pode fazer parte da alimentação de quem tem diabetes, ainda mais no domingo, dia que se é comum ter o alimento para o almoço em família. No entanto, a quantidade e os alimentos que acompanham a refeição influenciam a resposta da glicose.
A nutricionista educadora em diabetes e membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Tarcila Campos, explica que a pessoa não precisa retirar o macarrão após receber o diagnóstico.
Segundo ela, o planejamento alimentar deve considerar a quantidade de carboidrato e a composição do prato. Dessa forma, a estratégia não depende apenas de excluir alimentos.
1. Controle a quantidade de macarrão no prato
O primeiro ponto é observar a porção. O macarrão é fonte de carboidrato e, por isso, a quantidade consumida interfere na glicemia.
Tarcila explica que uma refeição pode incluir macarrão dentro de uma composição equilibrada. Para isso, ela recomenda usar o desenho do prato saudável como referência.
Nesse modelo, metade do prato deve ficar com verduras e legumes. Um quarto pode receber o macarrão e o outro quarto deve conter uma fonte de proteína.
Portanto, comer macarrão não significa montar o prato inteiro com ele. A quantidade precisa fazer parte da distribuição dos alimentos durante a refeição.
2. Combine o macarrão com verduras e legumes
A composição da refeição também importa para quem tem diabetes. Por isso, Tarcila orienta colocar verduras e legumes junto ao carboidrato.
A nutricionista explica que essa combinação faz parte de uma estratégia alimentar que pode ser usada tanto na prevenção quanto no tratamento.
No caso do macarrão, uma possibilidade é colocar uma porção do alimento em um quarto do prato. Enquanto isso, verduras e legumes ocupam metade da refeição.
Essa organização também permite manter alimentos presentes na rotina sem transformar o diagnóstico em uma lista de proibições.
3. Inclua uma fonte de proteína
A terceira estratégia é combinar o macarrão com uma fonte de proteína. Tarcila cita essa composição como parte do prato.
A proteína pode acompanhar o macarrão enquanto verduras e legumes completam a refeição. Assim, a pessoa mantém diferentes grupos de alimentos no mesmo prato.
Além disso, a escolha do molho também pode entrar no planejamento. O molho branco pode fazer parte da refeição, mas acrescenta gordura e pode aumentar o valor calórico da preparação.
Por outro lado, quem apresenta excesso de peso ou colesterol associado pode receber orientação para trocar o molho branco por outras opções.
Macarrão com molho branco pode entrar na alimentação?
Sim. Tarcila explica que o macarrão com molho branco não precisa ser eliminado automaticamente por quem tem diabetes.
A questão está na composição da refeição e na quantidade consumida. O molho branco acrescenta gordura à preparação, enquanto o macarrão fornece carboidrato.
Por isso, a nutricionista sugere observar o contexto da alimentação. Uma possibilidade é combinar uma porção de macarrão com verduras, legumes e uma fonte de proteína.
Outra alternativa envolve preparar o molho com ingredientes diferentes. Tarcila cita, por exemplo, o uso de queijo cottage e tomate no lugar de um molho feito com creme de leite.
Por que a quantidade importa no diabetes tipo 2?
O diabetes tipo 2 envolve resistência à insulina. Nesse cenário, o organismo apresenta dificuldade para utilizar a insulina de forma adequada.
Segundo Tarcila, a quantidade de carboidrato ganha importância nesse contexto. A nutricionista explica que a estratégia alimentar precisa considerar quanto carboidrato a pessoa consegue consumir em cada refeição.
Ela também destaca que a necessidade varia entre as pessoas. Por isso, não existe uma quantidade única de macarrão que sirva para todos.
A resposta da glicose também pode variar conforme os alimentos consumidos na refeição e as características de cada pessoa.
Monitorar a glicose ajuda a entender a resposta ao macarrão
Tarcila também defende o uso da monitorização glicêmica para que pessoas com diabetes tipo 2 entendam como o organismo responde às refeições.
Segundo ela, medir a glicose antes e depois de comer pode ajudar a identificar o impacto de diferentes alimentos.
O acompanhamento também permite observar respostas individuais. Um alimento pode provocar uma elevação maior da glicose em uma pessoa e uma resposta diferente em outra.
Nesse contexto, a nutricionista relaciona a monitorização ao autoconhecimento. O objetivo é entender como determinada alimentação interfere nos valores de glicose e usar essa informação no planejamento.
A estratégia, no entanto, depende do acesso à monitorização e da orientação profissional. Tarcila também chama atenção para a dificuldade de acesso a glicosímetros e sensores para parte das pessoas com diabetes tipo 2.
Diabetes não significa retirar todos os alimentos com carboidrato
A entrevista também aborda a ideia de que pessoas com diabetes precisam retirar pão, arroz, macarrão e outros alimentos da rotina.
Tarcila explica que o tratamento nutricional não deve funcionar como uma lista de alimentos proibidos. A proposta envolve organizar quantidade, combinações e rotina alimentar.
Além disso, ela destaca que o arroz branco, a batata, a tapioca, o cuscuz e outros alimentos podem fazer parte do planejamento.
No caso do macarrão, a orientação segue o mesmo princípio. A pessoa pode consumir o alimento dentro de uma refeição que também tenha vegetais e proteína.
As 3 dicas para comer macarrão no diabetes
1. Controle a porção: coloque o macarrão em cerca de um quarto do prato.
2. Acrescente vegetais: reserve metade do prato para verduras e legumes.
3. Inclua proteína: combine o macarrão com uma fonte de proteína e avalie o molho usado na preparação.
A estratégia alimentar deve considerar a necessidade de cada pessoa. Por isso, Tarcila reforça que o planejamento precisa levar em conta a quantidade de carboidrato, os medicamentos, a rotina e a resposta individual da glicose.
