O sarampo voltou a preocupar em algumas regiões de São Paulo e para quem vive com diabetes, a infecção exige atenção principalmente pelo risco de descompensação da glicemia e de outras condições de saúde.
Segundo o infectologista Igor Marinho, o diabetes não faz, necessariamente, com que o sarampo provoque uma infecção mais grave. No entanto, a doença pode gerar efeitos indiretos no organismo de quem convive com a condição.
Sarampo pode causar hipoglicemia ou hiperglicemia
De acordo com o infectologista, pessoas com diabetes podem apresentar alterações importantes da glicemia durante uma infecção pela doença.
O vírus não precisa agir diretamente sobre o diabetes para provocar problemas. A própria infecção pode levar a descompensações metabólicas e também afetar outras condições de saúde.
Entre os possíveis impactos citados pelo médico estão episódios de hipoglicemia e hiperglicemia, além de descompensações cardiovasculares e de outras comorbidades.
Por isso, o controle do diabetes ganha importância durante um quadro infeccioso. O estado de hiperglicemia também pode reduzir a funcionalidade de algumas células de defesa, segundo Igor Marinho.
Quem tem diabetes precisa tomar uma vacina diferente contra o sarampo?
Não. O infectologista explica que a pessoa com diabetes segue o mesmo esquema de vacinação contra o sarampo da população em geral.
A orientação apresentada no DiabetesCast é que o paciente com diabetes tenha duas doses da vacina contra o sarampo ao longo da vida.
No momento da gravação do episódio, havia uma orientação para que pessoas entre 6 meses e 59 anos que vivem ou frequentam São Paulo, Guarulhos e São Bernardo tomassem uma dose adicional.
Essa dose seria aplicada além das duas doses que já deveriam ter sido recebidas.
A vacina utilizada contra o sarampo é a tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola. Segundo o infectologista, a vacina está disponível gratuitamente pelo SUS.
Vacina contra sarampo impede a infecção?
Tomar a vacina não significa que a pessoa nunca terá contato com o vírus ou que a infecção será impossível.
Segundo Igor Marinho, a imunização prepara o organismo para responder melhor ao contato com o vírus. Dessa forma, mesmo quando ocorre uma infecção, a doença pode apresentar menor intensidade do que ocorreria sem a imunização.
Esse ponto também ajuda a explicar por que uma pessoa pode relatar que tomou uma vacina e, ainda assim, teve determinada doença.
No caso do diabetes, o médico relaciona a hiperglicemia à menor funcionalidade de algumas células de defesa. Por isso, manter a vacinação em dia ajuda a aumentar a proteção diante de uma infecção.
Quais reações a vacina contra o sarampo pode causar?
A vacina estimula o sistema imunológico e, por isso, algumas pessoas podem apresentar sintomas após a aplicação.
Entre as reações citadas pelo infectologista estão prostração, dor no corpo e febre baixa. Segundo ele, esses sintomas costumam durar um ou dois dias.
Igor Marinho também relatou ter recebido uma dose adicional da vacina contra o sarampo na semana anterior à gravação do episódio e afirmou que continuou trabalhando normalmente.
A resposta pode variar entre as pessoas. Por isso, a ocorrência de sintomas após a vacinação não significa que todas terão a mesma reação.
Quem já teve sarampo precisa tomar a vacina?
Quem já teve sarampo deve conversar com um médico para avaliar a necessidade de vacinação.
O mesmo vale para quem recebeu uma dose da vacina recentemente. Segundo Igor Marinho, uma avaliação individual ajuda a definir a conduta.
O infectologista também explicou que receber a vacina após ter tido sarampo não significa, por si só, que a pessoa terá uma reação grave.
Sarampo pode afetar a proteção contra outras doenças?
Outro ponto citado pelo infectologista envolve o efeito do sarampo sobre o sistema imunológico.
Segundo ele, um estudo recente mencionado durante o episódio mostrou que pessoas que tiveram quadros mais graves de sarampo podem perder anticorpos relacionados a outras doenças.
O sarampo pode interferir em respostas imunológicas que o organismo já havia desenvolvido.
Isso significa que a infecção não representa apenas uma preocupação relacionada ao próprio sarampo. Ela também pode interferir na proteção que a pessoa já tinha contra outras doenças.
Vacinação deve entrar no acompanhamento do diabetes
Para Igor Marinho, o calendário de vacinação deve fazer parte do acompanhamento de quem tem diabetes.
Durante uma consulta, o paciente costuma verificar a glicemia e acompanhar questões relacionadas aos rins, à retina e ao sistema cardiovascular. O médico defende que o status vacinal também faça parte dessa avaliação.
A orientação ganha importância diante da circulação do sarampo em regiões citadas durante o episódio.
Para quem tem diabetes, manter a vacinação em dia faz parte das medidas de proteção contra infecções e das complicações que podem ocorrer quando a doença descompensa a glicemia.
