Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Músicas, está enfrentando uma série de problemas de saúde.
Depois de descobrir um câncer de próstata, o influenciador passou a apresentar alterações neurológicas que levaram a uma investigação e a uma internação de nove dias. Posteriormente, revelou o diagnóstico da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurológica rara, neurodegenerativa e progressiva.
Em meio ao tratamento, outro desafio apareceu: a glicemia ficou muito mais difícil de controlar.
Lito convive com diabetes tipo 2 e, antes desse período, não utilizava insulina. Pouco antes de viajar para os Estados Unidos, recebeu uma injeção de corticoide. Durante o voo, percebeu que algo havia mudado.
“O corticoide altera bastante a glicemia e eu sou diabético tipo 2”, contou.
Naquela noite, segundo o influenciador, a vontade de urinar ficou intensa e ele precisou ir ao banheiro diversas vezes durante o voo. A produção excessiva de urina pode acontecer quando a glicose está muito elevada, já que o organismo tenta eliminar parte desse excesso pela urina.
Ao retornar ao Brasil, Lito foi internado para investigar as alterações neurológicas. Exames identificaram uma inflamação no lado direito do cérebro, e o tratamento incluiu infusões de corticoide e imunoglobulina.
Foi durante a internação que a glicemia ficou ainda mais descompensada.
“Corticoide afeta terrivelmente a glicemia e descompensou totalmente a minha glicemia. Eu não tomo insulina, eu não sou diabético que precisa de insulina, mas eu tive que compensar com insulina”, relatou.
O episódio ajuda a entender por que uma pessoa com diabetes tipo 2 que nunca precisou de insulina pode, em determinadas situações, precisar do hormônio. O motivo está nos efeitos que os corticoides provocam sobre o metabolismo da glicose.
A doença neurológica levou a uma mudança importante no tratamento
A Doença de Creutzfeldt-Jakob é uma doença priônica rara que afeta o sistema nervoso. Segundo o Ministério da Saúde, é uma condição neurodegenerativa e progressiva, que pode provocar diferentes alterações neurológicas. O diagnóstico envolve a avaliação dos sinais clínicos e de diferentes exames.
No caso de Lito, os primeiros sinais apareceram no braço esquerdo. Ele percebeu dificuldade para controlar os movimentos e chegou a ter problemas para digitar.
Em um dos momentos relatados no vídeo, contou que acordou com o braço adormecido e teve a sensação de que aquele membro “nem era meu”.
A investigação continuou até que exames identificaram uma inflamação no cérebro. Com isso, Lito iniciou um tratamento que envolveu doses de corticoide e imunoglobulina.
O medicamento era necessário para controlar a inflamação, mas trouxe um efeito que exigiu atenção especial ao diabetes.

Corticoide aumenta a resistência à insulina e eleva a glicose
Os corticoides são utilizados em diferentes situações médicas, principalmente para controlar processos inflamatórios. Apesar de serem importantes em muitos tratamentos, também interferem no metabolismo da glicose.
Um dos principais efeitos é aumentar a resistência à insulina. Na prática, as células passam a responder menos à ação do hormônio e têm mais dificuldade para utilizar a glicose que circula no sangue.
O corticoide também pode estimular o fígado a produzir e liberar mais glicose. O resultado é uma maior quantidade de açúcar circulando no sangue.
Para quem tem diabetes tipo 2, esse efeito pode ser ainda mais significativo, porque a resistência à insulina já faz parte do mecanismo da doença.
A Sociedade Brasileira de Diabetes reconhece o uso de glicocorticoides como um fator de risco para alterações da glicemia e destaca que a hiperglicemia provocada por esses medicamentos pode exigir mudanças na estratégia de tratamento.
A insulinoterapia pode ser necessária durante o uso do medicamento
Quando o corticoide aumenta a resistência à insulina, o organismo precisa de uma quantidade maior do hormônio para manter a glicemia sob controle.
Em algumas pessoas, o pâncreas consegue compensar essa necessidade. Em outras, principalmente quando já existe diabetes tipo 2, a produção de insulina não é suficiente para acompanhar o aumento da resistência.
Nesse cenário, os medicamentos usados habitualmente podem não dar conta da elevação da glicose. A equipe médica pode então intensificar o tratamento e indicar insulina.
Foi o que aconteceu com Lito durante a internação.
A Sociedade Brasileira de Diabetes prevê a insulinoterapia como uma das estratégias para tratar a hiperglicemia associada ao uso de glicocorticoides em pacientes hospitalizados. A escolha do esquema depende do tipo de corticoide, da dose, do padrão da glicemia e das características de cada pessoa.
A necessidade de utilizar insulina nesse contexto não significa necessariamente que a pessoa passará a depender do hormônio de forma permanente. Quando o corticoide é reduzido ou suspenso, a resposta do organismo pode mudar e o tratamento do diabetes precisa ser reavaliado.
Por isso, a dose de insulina também pode precisar de novos ajustes durante a redução do corticoide, sempre com acompanhamento da equipe de saúde.
O efeito do corticoide pode aparecer algumas horas depois
A alteração da glicemia provocada pelos corticoides não acontece necessariamente de maneira uniforme durante todo o dia.
Dependendo do tipo de medicamento, da dose e do horário em que é administrado, a glicose pode subir algumas horas depois.
A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes explica que, na maioria dos casos, a hiperglicemia associada aos glicocorticoides é mais intensa no período da tarde, enquanto os valores podem estar mais baixos pela manhã. O padrão, porém, varia de acordo com o medicamento e a resposta individual.
Por isso, uma medição isolada pode não mostrar toda a alteração provocada pelo tratamento.
O acompanhamento da glicemia durante o uso do corticoide permite identificar essas mudanças e ajuda a equipe médica a decidir se é necessário ajustar o tratamento.
Lito passou a usar sensor para acompanhar a glicose
Durante o tratamento e a recuperação, Lito também passou a utilizar um sensor de glicose para acompanhar os níveis continuamente.
A monitorização contínua permite observar as variações da glicose ao longo do dia e da noite e identificar tendências de alta e queda. A tecnologia também oferece informações que podem ajudar a equipe de saúde a compreender melhor o padrão glicêmico.
Essa informação ganha importância em períodos de mudança no tratamento, como durante o uso de corticoides.
No caso de Lito, o sensor passou a fazer parte da rotina justamente em um momento em que a glicemia estava mais instável e o tratamento havia sido intensificado.
O sensor, porém, não substitui a avaliação profissional. Os dados precisam ser interpretados dentro do contexto de cada paciente, e mudanças na medicação devem ser feitas com orientação da equipe responsável.
A perda de massa muscular envolve mais de um fator
Lito também relatou uma perda importante de peso e massa muscular durante o período de doença e internação.
Ao explicar o que aconteceu, ele relacionou a mudança ao uso de insulina, ao corticoide e ao período em que ficou internado.
Do ponto de vista médico, porém, a perda de massa muscular não pode ser atribuída automaticamente à insulina.
A insulina participa do metabolismo das proteínas e tem efeitos que ajudam a reduzir a quebra de proteínas musculares. Por isso, não é correto classificá-la como responsável, por si só, pela perda de músculo.
No caso de Lito, diferentes fatores podem ter contribuído para a redução da massa magra. A própria doença, o processo inflamatório, a internação, a menor movimentação, alterações na alimentação e a perda de peso podem participar desse processo. O uso de corticoides também pode ter influência.
A miopatia induzida por glicocorticoides é uma complicação conhecida e pode provocar fraqueza e atrofia muscular. Estudos descrevem mecanismos relacionados à redução da síntese de proteínas e ao aumento da degradação muscular.
A perda de peso também pode ter relação com o próprio quadro clínico e com o período de internação, e não apenas com os medicamentos utilizados.
Sem acesso à avaliação clínica completa, não é possível determinar quanto cada fator contribuiu individualmente para a mudança.
Recuperação inclui fisioterapia e fortalecimento
Com a evolução do quadro neurológico, Lito contou que terá uma rotina voltada à recuperação dos movimentos e da força.
“Isso exige muita fisioterapia, muita terapia ocupacional, muita musculação, muito aeróbico, muito cardio. É um conjunto de coisas que eu vou fazer agora”, afirmou.
A recuperação da força muscular é importante para que a pessoa consiga retomar atividades cotidianas e recuperar sua autonomia.
Depois de uma doença grave ou de um período de internação, a perda de força pode ser significativa. Por isso, a reabilitação pode envolver diferentes profissionais e estratégias, sempre de acordo com a condição de cada paciente.
No caso de quem também convive com diabetes, o controle da glicemia acompanha esse processo.
O uso de corticoide exige acompanhamento de quem tem diabetes
Ter diabetes não impede que uma pessoa utilize corticoides quando existe indicação médica.
Em algumas situações, o medicamento é fundamental para controlar uma inflamação ou tratar uma doença. O cuidado está em acompanhar o impacto que ele pode provocar na glicemia.
Antes de iniciar um tratamento com corticoide, é importante informar ao médico que a pessoa tem diabetes e quais medicamentos utiliza.
Dependendo da dose e do período de tratamento, pode ser necessário acompanhar a glicose com maior frequência e fazer ajustes temporários na terapia.
Em alguns casos, a insulina pode ser indicada mesmo para quem nunca havia utilizado o hormônio.
Também não se deve interromper o corticoide ou alterar a dose de insulina por conta própria. A condução precisa ser feita pela equipe responsável pelo tratamento.
O relato de Lito mostra como o diabetes pode mudar diante de outro tratamento
A experiência compartilhada por Lito Sousa mostra como uma mudança no estado de saúde pode alterar o controle do diabetes.
Ele já convivia com diabetes tipo 2 sem utilizar insulina. Depois que iniciou um tratamento com corticoides, a glicemia ficou muito mais difícil de controlar e foi necessário utilizar o hormônio.
Ao mesmo tempo, passou a acompanhar a glicose continuamente com um sensor e enfrentou uma perda importante de peso e massa muscular durante um período marcado por doença, internação e tratamentos intensivos.
“Eu não tomo insulina, eu não sou diabético que precisa de insulina, mas eu tive que compensar com insulina”, resumiu.
A necessidade de insulina em uma situação como essa não significa, necessariamente, que o tratamento será permanente.
O diabetes pode exigir estratégias diferentes ao longo da vida, principalmente quando surgem outras doenças ou quando novos medicamentos entram na rotina.
No caso dos corticoides, o acompanhamento da glicemia é especialmente importante porque esses medicamentos podem aumentar a resistência à insulina e provocar elevações significativas da glicose.
A história de Lito também reforça a importância de comunicar à equipe de saúde todos os medicamentos utilizados e acompanhar de perto a glicemia quando houver mudanças no tratamento.
Para quem tem diabetes, o uso de corticoides não deve ser motivo para interromper um tratamento necessário. O caminho é fazer o acompanhamento adequado para que a doença que exige o medicamento e o controle da glicose sejam cuidados ao mesmo tempo.
