Pessoas com diabetes que usam insulina têm recebido nas redes sociais mensagens que prometem direito automático a um salário mínimo pago pelo governo federal. No entanto, a informação não funciona dessa forma.
O advogado Lucas Duarte, especialista em Direito à Saúde e pessoa que convive com diabetes, alerta que muitas dessas publicações podem induzir famílias ao erro ao relacionarem o uso de insulina ao recebimento automático do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).
Segundo ele, o benefício depende de critérios específicos definidos pela legislação. Portanto, usar insulina, sozinho, não garante acesso ao pagamento.
O que é o BPC/LOAS
O Benefício de Prestação Continuada, conhecido como BPC/LOAS, é um auxílio pago pelo governo federal para pessoas idosas ou pessoas com deficiência que atendam critérios de renda familiar.
Nesse contexto, o benefício não exige contribuição ao INSS. No entanto, a análise envolve condições sociais e de saúde previstas nas regras do programa.
Lucas Duarte explica que muitas postagens omitem essa informação e acabam simplificando um processo que depende de avaliação.
“Esse tipo de benefício não é automático”, afirma.
Uso de insulina não garante benefício
Segundo Lucas Duarte, duas condições são analisadas para a concessão do benefício.
A primeira envolve a comprovação da renda familiar. A segunda analisa a condição da pessoa, como idade ou deficiência.
Ou seja, o uso de insulina não aparece como critério isolado para aprovação do BPC/LOAS.
“Nenhuma delas vai estar vinculada à questão da insulina”, explica o advogado.
Ainda segundo ele, publicações que prometem um salário mínimo apenas pelo uso da medicação podem criar interpretações equivocadas entre pessoas que convivem com diabetes.
Informação incorreta pode gerar falsas expectativas
O alerta chama atenção para o impacto desse tipo de conteúdo nas redes sociais. Muitas famílias convivem diariamente com dificuldades relacionadas ao tratamento, ao acesso à saúde e aos custos do diabetes.
Por outro lado, mensagens incompletas ou fora de contexto podem alimentar expectativas que não correspondem às regras do benefício.
Lucas Duarte afirma que o problema dessas publicações é justamente criar esperança de aprovação automática.
“O problema desse tipo de postagem é criar falsas esperanças em milhares de famílias que possuem pessoas que convivem com diabetes”, relata.
O que deve ser analisado antes de pedir o benefício
Segundo o especialista, cada caso precisa passar por análise individual. Além disso, fatores sociais e condições de saúde fazem parte da avaliação.
Nesse contexto, famílias devem buscar orientação correta antes de iniciar qualquer pedido relacionado ao BPC/LOAS.
A recomendação também inclui atenção com conteúdos virais que prometem benefícios automáticos sem explicar os critérios exigidos pelo governo federal.
Enquanto isso, pessoas com diabetes seguem enfrentando desafios ligados ao tratamento contínuo, uso de insulina, monitorização da glicose e acesso aos cuidados de saúde.
Fake news sobre diabetes crescem nas redes sociais
Conteúdos relacionados a direitos, benefícios e tratamentos de saúde costumam gerar grande alcance nas redes sociais. No entanto, especialistas alertam que informações incompletas podem prejudicar quem busca orientação confiável.
No caso do diabetes, informações sobre medicamentos, benefícios sociais e acesso ao SUS frequentemente circulam sem contexto ou explicação adequada.
Por isso, a recomendação é verificar a origem da informação e procurar profissionais especializados antes de compartilhar conteúdos que envolvam direitos e saúde.
