A relação entre sol, vitamina D e diabetes envolve dois pontos diferentes: a exposição moderada à luz solar e os efeitos do calor no organismo. Para quem tem diabetes, entender essa diferença ajuda a evitar riscos na rotina.
Segundo o professor de Educação Física e fisiologista do exercício William Komatsu, a luz do sol estimula a produção de vitamina D. Estudos citados sobre o tema relacionam níveis adequados da vitamina à melhora da sensibilidade à insulina.
A influência no diabetes
A vitamina D participa de processos relacionados à sensibilidade à insulina. Quando o organismo apresenta níveis adequados da vitamina, a glicose pode entrar nas células com mais facilidade.
Estudos também relacionam a deficiência de vitamina D a um maior risco de diabetes tipo 2. Além disso, pessoas que já convivem com diabetes podem apresentar maior risco de ter níveis baixos dessa vitamina.
No entanto, isso não significa que uma pessoa com diabetes deva aumentar a exposição ao sol sem limite. A exposição precisa considerar o tempo e a intensidade.
Quanto tempo pode ser suficiente?
A informação apresentada por William Komatsu indica uma exposição de cerca de 10 a 15 minutos, com exposição moderada dos braços e das pernas.
Os horários mencionados como mais seguros são antes das 10h ou depois das 16h. A recomendação apresentada diferencia essa exposição moderada do calor intenso.
Portanto, a ideia não é permanecer por longos períodos sob o sol. O objetivo é considerar uma exposição moderada, sem transformar o calor em outro fator de risco.
Calor forte pode afetar quem tem diabetes
Sol e calor não representam a mesma situação para quem tem diabetes. A exposição ao sol pode contribuir para a produção de vitamina D, enquanto o calor intenso pode trazer outros efeitos ao organismo.
Segundo as informações apresentadas por Komatsu, o calor forte pode dificultar a capacidade do organismo de se resfriar. Além disso, o calor pode acelerar a absorção da insulina.
Essa aceleração pode aumentar o risco de hipoglicemia, principalmente para quem utiliza insulina. O calor também pode aumentar o risco de desidratação.
Vitamina D não significa tomar sol sem limite
A relação entre vitamina D e diabetes aparece nos estudos citados, mas isso não significa que a exposição solar funcione como tratamento do diabetes.
Os materiais apresentados apontam uma associação entre deficiência de vitamina D e maior risco de diabetes tipo 2. Eles também relacionam níveis adequados da vitamina à sensibilidade à insulina.
Por outro lado, as informações fornecidas não permitem afirmar que tomar sol previne ou controla o diabetes. A exposição solar deve ser entendida dentro desse contexto.
Sol moderado e calor extremo exigem cuidados diferentes
Para quem tem diabetes, a principal diferença está no efeito esperado. A exposição moderada ao sol aparece relacionada à produção de vitamina D.
Já o calor extremo pode interferir na hidratação e na ação da insulina. Por isso, permanecer muito tempo exposto ao calor pode trazer riscos diferentes daqueles relacionados à produção de vitamina D.
Nesse contexto, a orientação apresentada é separar os dois cenários. Sol com moderação e calor excessivo não produzem o mesmo efeito para quem convive com diabetes.
3 dicas para quem tem diabetes tomar sol
- Prefira 10 a 15 minutos: faça uma exposição moderada, antes das 10h ou depois das 16h.
- Evite o calor intenso: temperaturas elevadas podem acelerar a absorção da insulina e aumentar o risco de hipoglicemia.
- Cuide da hidratação: o calor pode aumentar o risco de desidratação, por isso é importante manter a ingestão de líquidos.
Referências
- PubMed: Shining the light on Sunshine: a systematic review of the influence of sun exposure on type 2 diabetes mellitus-related outcomes. 2014.
- PubMed Central: Vitamin D and Diabetes: Let the Sunshine In. Disponível em: PMC2910714.
