O abacate pode fazer parte de uma ceia antes de dormir para pessoas com diabetes, mas isso não significa que seu consumo controle a glicose durante a madrugada.
Segundo a nutricionista, educadora em diabetes e membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Tarcila Campos, a escolha de uma ceia depende de vários fatores, como o tipo de tratamento, o horário da alimentação, a atividade física e o comportamento da glicose durante a noite.
Enquanto algumas podem precisar de uma alimentação antes de dormir para reduzir o risco de hipoglicemia, outras podem manter a glicose estável sem fazer uma ceia.
Abacate pode fazer parte da ceia de quem tem diabetes
Uma das opções citadas por Tarcila é combinar alimentos que forneçam diferentes nutrientes durante a ceia.
O abacate pode entrar nessa estratégia por conter gordura. Uma possibilidade apresentada envolve amassar uma porção da fruta e acrescentar whey e uma pequena quantidade de leite em pó.
A combinação também pode variar. Iogurte com fruta, iogurte com chia, torrada com queijo, castanhas e outras opções foram citadas como possibilidades para uma alimentação antes de dormir.
No entanto, nenhuma dessas combinações funciona da mesma maneira para todas as pessoas.
Tarcila explica que a resposta depende do contexto de cada pessoa. Por isso, a monitorização da glicose ajuda a identificar como determinada alimentação interfere na glicemia durante a madrugada.
Ceia antes de dormir não é obrigatória
A ideia de que toda pessoa com diabetes precisa comer antes de dormir não se aplica a todos os casos.
Segundo Tarcila, quem apresenta tratamento adequado e mantém a glicose estável pode não precisar fazer uma ceia.
Por outro lado, algumas pessoas apresentam risco de hipoglicemia durante a madrugada. Nesses casos, a alimentação pode fazer parte da estratégia para reduzir esse risco.
O tipo de insulina utilizada também precisa entrar nessa avaliação. Pessoas que utilizam NPH e insulina regular podem apresentar períodos de ação que exigem uma organização específica da alimentação.
Medo de hipoglicemia pode aumentar o consumo de comida
O receio de ter uma hipoglicemia durante o sono pode levar algumas pessoas a comer mais antes de dormir.
Esse comportamento pode produzir outro efeito. Ao tentar evitar uma queda da glicose, a pessoa pode consumir uma quantidade maior de carboidratos e permanecer com a glicemia elevada durante parte da madrugada.
Tarcila explica que uma ceia formada por alimentos considerados saudáveis também pode elevar a glicose, dependendo da quantidade e do tratamento.
Um exemplo é o consumo de iogurte com uma fruta. Uma banana grande pode fornecer uma quantidade relevante de carboidratos. Quando a pessoa com diabetes tipo 1 consome essa combinação sem considerar a necessidade de insulina, a glicose pode subir durante a madrugada.
Carboidrato sozinho pode não ser a melhor estratégia
A escolha do alimento também precisa considerar a duração do efeito sobre a glicose.
Segundo Tarcila, o carboidrato pode elevar a glicose em um período relativamente curto. Por isso, uma quantidade grande de carboidrato isolado antes de dormir pode não oferecer o efeito esperado durante toda a madrugada.
Uma alternativa é combinar uma fonte de carboidrato com proteína ou gordura de boa qualidade.
Entre as possibilidades citadas estão fruta com iogurte, torrada com queijo, iogurte com chia e pequenas porções de castanhas.
A quantidade também importa. A estratégia não consiste em aumentar a quantidade de comida para tentar manter a glicose estável.
Abacate não deve ser tratado como solução para a hipoglicemia
O consumo de abacate antes de dormir pode fazer parte de uma alimentação planejada, mas não deve ser tratado como uma forma universal de controlar a glicose.
A experiência de uma pessoa com determinada combinação de alimentos não permite prever a resposta de outra pessoa com diabetes.
Segundo Tarcila, o principal ponto é entender o comportamento individual da glicose e relacioná-lo ao tratamento.
Por isso, a escolha da ceia deve considerar o tipo de diabetes, o uso de insulina, a atividade física, o horário da refeição e os valores de glicose observados durante a madrugada.
