Muitas pessoas que vivem com diabetes usam insulina todos os dias. No entanto, poucos sabem que esse medicamento tem um prazo de uso após a abertura. Quando o medicamento estraga ou perde a eficácia, o controle da glicemia pode falhar, mesmo que a dose aplicada seja a mesma.
Segundo Gabriela Cavicchioli, enfermeira especializada em diabetes, a validade impressa na embalagem vale apenas para frascos ou canetas fechados e armazenados corretamente. Depois da primeira utilização, o tempo de uso muda e deve ser respeitado.
Quando o medicamento estraga após aberta
A validade depende do momento em que o frasco ou a caneta é aberto pela primeira vez. A partir desse dia, começa a contar um novo prazo de utilização.
Gabriela explica que as insulinas NPH, Regular, Glargina e os análogos, como Lispro e Aspart, podem ser utilizadas por até 28 dias após a abertura. Já a Degludeca tem prazo de até 56 dias.
Por isso, a orientação é anotar a data da primeira utilização e também o dia em que o medicamento deverá ser descartado. Mesmo que ainda reste insulina no frasco ou na caneta, o prazo deve ser respeitado para reduzir o risco de perda da eficácia.
Como identificar quando a insulina pode ter perdido a eficácia
A suspeita costuma surgir quando a glicemia permanece elevada mesmo após a aplicação da dose de correção.
Segundo a endocrinologista Denise Franco, um dos primeiros sinais é quando a glicose não reduz entre 50 e 100 mg/dL após a aplicação da insulina.
Antes de concluir que a insulina estragou, a médica orienta verificar outros fatores que podem explicar a hiperglicemia. Entre eles estão erros na contagem de carboidratos, consumo de alimentos ricos em gordura ou proteína e falhas durante a aplicação.
Se essas possibilidades forem descartadas e a glicemia continuar alta, a insulina passa a ser uma das causas que precisam ser investigadas.
Aplicação e armazenamento também interferem no tratamento
Nem sempre o problema está no medicamento. Denise Franco recomenda conferir se a insulina está saindo corretamente pela agulha antes da aplicação.
Também é importante observar rachaduras na caneta, vazamentos ou cheiro de insulina na parte externa do dispositivo. Esses sinais podem indicar perda do medicamento durante a aplicação.
Outro cuidado envolve a aparência da insulina. As apresentações transparentes devem permanecer claras e sem partículas. Já as insulinas turvas, como a NPH, precisam ficar homogêneas após serem movimentadas suavemente. Caso permaneçam grumos ou separação das fases, a recomendação é não utilizar o medicamento.
O armazenamento também influencia a conservação da insulina. Antes de aberta, ela deve permanecer refrigerada entre 2°C e 8°C. Depois da abertura, o medicamento pode permanecer fora da geladeira pelo período indicado pelo fabricante, desde que fique em ambiente protegido do calor.

O que fazer diante da suspeita de insulina estragada
Quando houver suspeita de perda da eficácia, Denise Franco orienta interromper o uso da insulina e iniciar outro frasco ou caneta armazenados corretamente.
A endocrinologista também recomenda aumentar a frequência da monitorização da glicemia para acompanhar a resposta ao novo medicamento e manter boa hidratação enquanto os níveis permanecem elevados.
Além disso, pessoas que utilizam pequenas quantidades de insulina, como muitas crianças, devem prestar atenção ao prazo após a abertura. Mesmo que ainda exista medicamento disponível, ele deve ser descartado quando atingir o limite de uso indicado.
Cuidados para evitar problemas com a insulina
- Anote a data em que o frasco ou a caneta foi aberto pela primeira vez.
- Respeite o prazo de uso indicado para cada tipo de insulina, mesmo que ainda reste medicamento.
- Armazene a insulina conforme as orientações do fabricante.
- Observe se a insulina apresenta mudança de cor, partículas ou alteração na aparência.
- Confira se a caneta ou o frasco estão funcionando corretamente antes da aplicação.
- Se a glicemia permanecer alta sem motivo aparente, utilize um novo frasco ou caneta e procure orientação da equipe de saúde.