Conviver com diabetes tipo 1 exige decisões diárias, monitoramento constante e uma rotina que não pausa. Nos Estados Unidos, um homem decidiu transformar essa trajetória em arte usando os próprios frascos de insulina acumulados ao longo de mais de cinco décadas de tratamento.
Ron foi diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 16 anos, em 1974. Desde o início do tratamento, ele tomou uma decisão incomum: nunca descartar nenhum frasco de insulina utilizado durante a vida.
Hoje, mais de 1.150 frascos fazem parte de uma instalação chamada “No Days Off” (“Sem dias de descanso”, em tradução livre), criada ao lado da esposa e da irmã. A obra busca retratar a rotina contínua de quem vive com diabetes tipo 1 e depende de cuidados permanentes para sobreviver.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Ron explica o significado do projeto.
“Eu fui diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 16 anos e nunca destruí um único frasco.”
Na sequência, ele mostra a quantidade acumulada ao longo da vida.
“Isso foi em 1974, há 52 anos. Mais de 1.150 frascos. Cada um me manteve vivo.”
Obra mostra rotina contínua de quem vive com diabetes tipo 1

A instalação foi apresentada em Michigan, nos Estados Unidos, durante a mostra Ron’s ArtPrize Project. O nome escolhido para a obra faz referência à rotina permanente do diabetes tipo 1, marcada por aplicações de insulina, contagem de carboidratos, monitoramento glicêmico e atenção constante aos sinais do corpo.
Durante o vídeo, Ron afirma que o projeto não fala apenas sobre a doença, mas também sobre o processo de seguir vivendo diariamente com ela.
“Controlar o diabetes é implacável. Não existem dias de descanso.”
Ele também destaca que o significado da obra vai além dos materiais usados na instalação.
“Individualmente, eles eram apenas lixo. Juntos, são 52 anos de sobrevivência.”
A filha de Ron é quem cuida das redes sociais da família e ajuda a compartilhar o projeto nas plataformas digitais. Os vídeos publicados mostram detalhes da obra e também relatos sobre a rotina de décadas convivendo com diabetes tipo 1.
Família participou da construção da instalação
Ron afirma que a esposa e a irmã participaram diretamente da criação da obra. Segundo ele, ambas acompanham há décadas a rotina de cuidados exigida pelo diabetes tipo 1.
“Eu construí isso com minha esposa e minha irmã, que acompanham de perto a vigilância constante necessária para sobreviver.”
A instalação reúne os frascos vazios organizados em uma estrutura que representa o tempo de convivência com a doença. O projeto também chama atenção para o impacto emocional e físico do tratamento contínuo.

Pessoas com diabetes tipo 1 precisam monitorar os níveis de glicose várias vezes ao dia, aplicar insulina continuamente e agir rapidamente diante de episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o tratamento exige acompanhamento permanente e mudanças constantes na rotina, alimentação e prática de atividades físicas.
Frascos de medicamentos já foram usados em outras obras nos Estados Unidos
O projeto de Ron não é o único exemplo de artistas que utilizam materiais ligados ao tratamento de saúde em obras de arte.
Nos Estados Unidos, o artista de rua Appleton também utiliza frascos de insulina e materiais do próprio tratamento para criar murais e instalações sobre diabetes. Diagnosticado ainda na infância, ele produz trabalhos relacionados à rotina da doença e ao impacto emocional do diagnóstico.
Outro caso conhecido é o da escultora Kelly Gillespie, criadora da instalação “Overmedicated. Under”. A obra utilizou cerca de 6 mil frascos de medicamentos doados para discutir o uso contínuo de remédios e o estigma relacionado aos tratamentos médicos.

Diabetes tipo 1 exige monitoramento contínuo
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o organismo deixa de produzir insulina. O tratamento inclui aplicação diária do hormônio, monitoramento glicêmico e acompanhamento médico regular.
Segundo especialistas, o controle inadequado da glicemia pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares, renais, neurológicas e oftalmológicas.
Nos relatos publicados por Ron, a proposta da obra também busca mostrar aspectos que muitas vezes não aparecem fora da rotina de quem vive com diabetes.
“O trabalho não é sobre a doença. É sobre persistência e esperança.”
A instalação “No Days Off” segue em exibição nos Estados Unidos e continua sendo compartilhada nas redes sociais da família, onde a filha publica vídeos e relatos sobre a construção do projeto e os mais de 50 anos de convivência com diabetes tipo 1.
