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    Início - Ficou doente e a glicemia subiu? Veja os fatores que podem dificultar o controle
    Tratamento

    Ficou doente e a glicemia subiu? Veja os fatores que podem dificultar o controle

    Infecções, sono ruim, estresse e medicamentos podem alterar a glicemia durante uma doença.
    Estefane Moitinho13 de agosto de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Ficou doente e a glicemia subiu?
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    Ficar doente pode mudar completamente o comportamento da glicemia. Mesmo mantendo a alimentação habitual e seguindo o tratamento, a pessoa pode perceber os níveis de glicose subirem ou ficarem mais difíceis de controlar. Nessas situações, é comum surgir a dúvida: por que a glicemia aumentou se nada parece ter mudado?

    A resposta nem sempre está na alimentação. Durante um episódio do DiabetesCast, os endocrinologistas Denise Franco e Ricardo de Rienzo explicaram que diferentes fatores podem influenciar o controle glicêmico. Entre eles estão doenças, sono, estresse, medicamentos, atividade física, hidratação e mudanças na rotina.

    Ao todo, os especialistas discutiram 42 fatores que podem interferir na glicemia. Apenas nove deles estão diretamente relacionados à alimentação, enquanto os demais envolvem aspectos biológicos, ambientais, comportamentais e do próprio tratamento.

    O que acontece com a glicemia quando estamos doentes?

    Durante uma doença, o organismo passa por uma série de mudanças que podem afetar o controle da glicose. Segundo Denise Franco, processos infecciosos estão entre os fatores capazes de alterar ela.

    “Se você está com um processo infeccioso, isso pode alterar a glicemia”, explicou a endocrinologista.

    Por isso, uma glicemia mais alta durante uma doença não significa necessariamente que houve um erro na alimentação ou no tratamento. Muitas vezes, é o próprio organismo reagindo ao quadro de saúde.

    E há um detalhe importante: ficar doente não significa obrigatoriamente que a glicemia vai subir. Como explicaram os especialistas, dependendo da situação e do momento da doença, também pode haver maior risco de hipoglicemia. Isso mostra que a resposta do organismo pode variar bastante de uma pessoa para outra.

    A alimentação importa, mas não explica tudo

    A alimentação continua sendo uma das principais influências sobre a glicemia. A quantidade e a qualidade dos carboidratos, além da ingestão de gordura, proteína, álcool, cafeína e até o estado de hidratação, podem interferir nos resultados.

    Mas o diabetes não pode ser resumido apenas ao que está no prato.

    “Se a gente for olhar, são nove fatores que interferem no quesito comida, ou seja, 33 não estão relacionados à alimentação”, destacou Ricardo de Rienzo.

    Essa é uma das razões pelas quais a glicemia pode apresentar comportamentos diferentes mesmo quando a alimentação permanece praticamente igual.

    Glicose alta: 42 fatores que impactam no controle da diabetes | DiabetesCast #16

    Sono e estresse também influenciam

    Outro grupo de fatores está relacionado ao funcionamento do próprio organismo. Dormir mal, por exemplo, pode dificultar o controle glicêmico.

    “A gente sabe que a qualidade do sono interfere bastante em toda a parte metabólica, em todo o controle glicêmico”, afirmou Ricardo. Segundo ele, a privação de sono pode tornar mais difícil manter a glicemia dentro da faixa desejada.

    O estresse também aparece entre os fatores discutidos pelos especialistas. Quando o corpo está sob pressão física ou emocional, a resposta glicêmica pode ser diferente da habitual.

    Isso ajuda a explicar por que uma mesma refeição ou a mesma dose de insulina podem produzir resultados diferentes em dias de maior desgaste físico ou emocional.

    Medicamentos podem alterar a resposta do organismo

    Além da própria insulina, outros medicamentos também podem interferir na glicemia.

    Um dos exemplos citados pelos especialistas foi o corticoide. Segundo Denise, esse tipo de medicamento pode elevar os níveis de glicose e, em determinadas situações, contribuir para o chamado diabetes medicamentoso.

    Por isso, é importante informar aos profissionais de saúde sobre o diagnóstico de diabetes sempre que houver necessidade de iniciar um novo tratamento, especialmente em períodos de doença ou internação.

    Por que a glicemia às vezes demora para baixar?

    Outra situação comum é perceber que a glicemia permanece elevada apesar do tratamento habitual.

    Segundo os especialistas, quanto mais alta a glicemia, maior pode ser a dificuldade para reduzi-la. Esse fenômeno é conhecido como glicotoxicidade.

    Além disso, outros fatores podem contribuir para esse cenário. Entre eles estão problemas relacionados ao uso da bomba de insulina, falhas na administração da insulina e até a desidratação, que pode dificultar o controle glicêmico.

    Por esse motivo, quando a glicemia está elevada, a hidratação adequada também faz parte dos cuidados recomendados.

    Exercício físico também entra nessa equação

    A atividade física é outro fator que pode modificar a glicemia de diferentes formas.

    Tipo de exercício, intensidade, duração e horário da prática podem influenciar a resposta do organismo. Exercícios mais leves tendem a aumentar o risco de hipoglicemia, enquanto atividades mais intensas podem provocar uma elevação temporária da glicose devido à liberação de hormônios relacionados ao esforço físico.

    Por isso, entender como o próprio corpo reage ao exercício faz parte do processo de autocuidado e do ajuste do tratamento.

    Olhar para o contexto faz diferença

    Quando a glicemia muda durante uma doença, depois de uma noite mal dormida ou em um período de estresse, a explicação pode estar em uma combinação de fatores.

    Os especialistas defendem que o mais importante é observar o contexto e identificar padrões, em vez de buscar uma única causa para cada alteração.

    Durante o episódio, Ricardo resumiu essa ideia em uma palavra: autocuidado. Para ele, conhecer a própria resposta às diferentes situações ajuda a entender melhor os fatores que interferem na glicemia e a tomar decisões mais adequadas no dia a dia.

    A principal mensagem deixada pelo podcast é que uma glicemia fora do esperado não deve ser encarada automaticamente como sinal de erro ou falta de controle.

    Como destacou Denise Franco, “quando a gente vê uma glicemia subindo, nem tudo é o carboidrato”.

    Quando a glicemia muda durante uma doença, o organismo pode estar respondendo à infecção, ao estresse, à alteração do sono, à desidratação ou a diversos outros fatores. Entender esse contexto é um passo importante para lidar melhor com o diabetes e evitar culpa desnecessária diante de oscilações que fazem parte da vida real.

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    Estefane Moitinho

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