A Prefeitura de São Paulo iniciou a distribuição gratuita de sensores de glicose para crianças de 2 a 12 anos com diabetes tipo 1 cadastradas na rede municipal de saúde. A medida deve beneficiar 1.584 pacientes e prevê fornecimento contínuo dos dispositivos pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
O benefício será destinado aos pacientes atendidos pelo Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg). Com a tecnologia, as crianças poderão acompanhar os níveis de glicose ao longo do dia sem a necessidade de realizar múltiplas medições por meio de picadas nos dedos. A iniciativa está prevista na Lei nº 18.306 e busca ampliar o acesso a uma ferramenta.
Quem tem direito ao sensor de glicose gratuito em São Paulo?
O benefício contempla todas as crianças de 2 a 12 anos com diabetes tipo 1 que já estão cadastradas no Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) da rede municipal de saúde.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, os pacientes atendidos pelo programa passarão a receber os sensores gratuitamente, além da reposição periódica dos dispositivos diretamente pelas UBSs onde realizam acompanhamento.
A iniciativa busca ampliar o acesso a uma tecnologia que ainda representa um custo elevado para muitas famílias.
Custo do sensor de glicose
Durante o lançamento da medida, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que muitas famílias não conseguem arcar com esse valor. Além disso, destacou que parte dos planos de saúde da rede privada não oferece cobertura para esse tipo de tecnologia.
“A partir de agora é um direito das crianças poderem ter esse sensor e assim melhorar muito a sua qualidade de vida”, afirmou.
Como funciona o monitoramento contínuo da glicose?
Os sensores realizam o monitoramento contínuo dos níveis de glicose ao longo do dia e da noite.
Diferentemente da medição tradicional por ponta de dedo, o dispositivo permite acompanhar as variações da glicemia sem a necessidade de múltiplas picadas diárias.
Além disso, os dados ficam disponíveis para consulta frequente, o que pode facilitar o acompanhamento da condição clínica da criança pelos responsáveis.

Para crianças entre 2 e 9 anos, o sensor será acompanhado de um leitor dedicado utilizado para visualizar as informações registradas pelo dispositivo.
Já para crianças entre 10 e 12 anos, os dados poderão ser acessados por meio de aplicativo em smartphone. O sistema permite visualizar os níveis de glicose em tempo real, receber alertas e compartilhar as informações com os responsáveis.
A recomendação técnica é que os sensores sejam substituídos a cada 15 dias.
Famílias relatam impacto das picadas diárias nos dedos
Entre as famílias beneficiadas está Roseli Alves dos Santos, de 47 anos, mãe de Pedro Felipe Alves dos Santos, de 11 anos.
Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos quatro anos de idade, Pedro precisava medir a glicemia entre cinco e oito vezes por dia por meio das tradicionais picadas nos dedos.

“Agora a vida vai mudar para melhor. Como ele vai fazer o monitoramento pelo sensor, evita a picada no dedo, que às vezes ele reclamava, sentia dor e chorava”, contou Roseli.
Desempregada, ela afirma que não teria condições de pagar pelo equipamento.
“Eu não conseguiria pagar porque é um valor muito alto. Então, para mim, foi tudo de bom. Vai mudar o hábito dele”, disse.
Pedro também comentou a experiência com a nova tecnologia.
“Só faz uma cosquinha para colocar, mas não dói. É muito melhor que as picadas. Eu ficava irritado porque doía, então gostei muito do sensor”, afirmou.
Tecnologia deve mudar a rotina de outras famílias
A estudante Ana Laura Ferreira Rocha, de 9 anos, também recebeu o dispositivo. Diagnosticada aos cinco anos, ela realizava entre cinco e seis medições diárias de glicemia.
“Era ruim porque doía e me deixava estressada. Agora vai melhorar, vai ser mais fácil e não doeu para colocar”, disse.

O pai, Diego Rocha, de 38 anos, afirma que o custo da tecnologia estava fora do orçamento da família.
“Não conseguiria arcar com o sensor. Já tentei, mas o orçamento não cabe no nosso bolso. Por isso foi muito importante a ajuda da Prefeitura”, afirmou.
Segundo ele, a filha precisou de duas internações relacionadas ao diabetes.
“A primeira vez foi quando descobrimos o diabetes. Ela ficou quase um mês internada. Depois teve outra internação por alteração da glicemia. Agora o monitoramento vai ficar muito mais fácil”, explicou.
Outra família beneficiada é a de Murilo, de 4 anos. O menino foi diagnosticado ainda bebê com glicogenose tipo 1B, doença rara que provoca episódios graves de hipoglicemia.
O pai, Henrique Santos de Jesus, relata que a aferição da glicose por ponta de dedo era um desafio constante.
“No começo, a gente fazia a aferição no dedo dele e ele chorava muito. Esse sensor vai trazer uma outra qualidade de vida para ele e para a nossa família. Ele já teve mais de 20 internações. Para a gente, só o fato de a Prefeitura estar ajudando já significa muito”, afirmou.
Prefeitura capacitou profissionais para implantação da medida
Para colocar a nova política pública em funcionamento, a Secretaria Municipal da Saúde realizou a capacitação de 511 profissionais das cinco Coordenadorias Regionais de Saúde da capital.
A preparação das equipes tem como objetivo orientar famílias e pacientes sobre o uso correto dos dispositivos e garantir o fornecimento dos sensores nas unidades responsáveis pelo acompanhamento.
