A glicose pode mudar durante o ciclo menstrual. Em pessoas com diabetes, essas alterações podem exigir atenção ao controle da glicemia e ao tratamento com insulina.
A endocrinologista e pesquisadora Denise Franco explica que o período pré-menstrual costuma apresentar maior tendência à hiperglicemia. Já no início da menstruação, principalmente no primeiro e segundo dias, pode aumentar o risco de hipoglicemia.
Menstruação pode alterar a glicose
As mudanças que acontecem durante o ciclo menstrual fazem parte de um conjunto de fatores que podem interferir na glicose.
Segundo Denise Franco, o período pré-menstrual costuma apresentar maior tendência à elevação da glicose. No entanto, quando a menstruação começa, o comportamento pode mudar.
“Na hora que menstrua, em geral, no primeiro ou segundo dia, a gente aumenta a chance de hipoglicemia”, explicou a endocrinologista durante o DiabetesCast.
Por isso, uma pessoa com diabetes pode perceber comportamentos diferentes da glicemia em momentos distintos do ciclo.
Por que a glicose pode cair no início da menstruação?
O ciclo menstrual envolve alterações hormonais. Essas mudanças podem interferir na dinâmica da glicemia e na necessidade de insulina.
Denise Franco explica que o impacto varia entre as pessoas. Por isso, o manejo precisa considerar a resposta individual de cada organismo.
Segundo a endocrinologista, algumas pessoas precisam apenas de pequenos ajustes. Outras podem apresentar mudanças maiores na necessidade de insulina.
Em determinados casos, a necessidade de insulina basal pode aumentar em até 50%. No entanto, Denise reforça que cada pessoa apresenta uma necessidade diferente.
Portanto, não existe um único cálculo que possa ser aplicado a todas as mulheres com diabetes.
Ajuste da insulina depende de cada pessoa
A variação da glicemia durante o ciclo pode levar à necessidade de ajustes no tratamento. Entretanto, esses ajustes precisam considerar o histórico individual.
Denise Franco explica ainda que algumas pessoas precisam de pequenas mudanças nas doses. Outras apresentam alterações maiores na necessidade de insulina.
O médico Ricardo de Rienzo também destacou, ao longo do programa, que o controle da glicemia envolve diferentes fatores.
Entre eles estão alimentação, medicamentos, atividade física, sono, estresse, doenças, alterações hormonais, ambiente e comportamento.
Nesse contexto, a menstruação representa apenas um dos fatores que podem modificar a glicemia.
Nem toda glicemia fora do padrão está relacionada à alimentação
Durante a entrevista ao DiabetesCast, os especialistas apresentaram 42 fatores que podem influenciar o controle da glicose.
Segundo os médicos, nove desses fatores estão relacionados à alimentação. Os demais envolvem outros aspectos da rotina e do organismo.
Entre os fatores citados estão o tipo e a quantidade de carboidrato, proteínas, gorduras, cafeína, álcool, hidratação, medicamentos, atividade física, sono, estresse e doenças.
Além disso, alterações hormonais também podem interferir no comportamento da glicemia.
Por isso, uma elevação ou queda da glicose não deve ser automaticamente atribuída ao que a pessoa comeu.
Diabetes exige atenção ao comportamento da glicemia
Ricardo de Rienzo destacou que o autocuidado ajuda a pessoa a compreender como diferentes situações afetam sua glicemia.
Denise Franco também explicou que o acompanhamento desses padrões permite aprender com o que acontece no dia a dia.
Nesse contexto, observar a glicemia durante diferentes momentos do ciclo menstrual pode ajudar a identificar padrões individuais.
A partir dessas informações, o profissional que acompanha a pessoa pode avaliar se existe necessidade de mudança no tratamento.
O que fazer quando a glicemia muda durante o ciclo?
A principal orientação apresentada pelos especialistas é individualizar o tratamento.
Como a necessidade de insulina varia entre as pessoas, não é possível estabelecer uma dose única para todas as mulheres durante a menstruação.
Além disso, outros fatores podem acontecer ao mesmo tempo. Alterações no sono, alimentação, atividade física e estresse também podem interferir na glicemia.
Por isso, identificar o período do ciclo em que as alterações costumam ocorrer pode ajudar na avaliação do controle glicêmico.
A pessoa também deve levar essas informações ao profissional responsável pelo tratamento antes de realizar mudanças nas doses de insulina.
