A Índia passou a comercializar uma insulina semanal para adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2. O Awiqli, da Novo Nordisk, reduz de 365 para 52 o número de aplicações anuais de insulina basal.
A empresa lançou o produto no país em julho de 2026. A Índia é o sétimo país a receber o medicamento, segundo informações divulgadas pela companhia à Reuters.
No Brasil, a insulina icodeca, princípio ativo do Awiqli, recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2025. No entanto, ainda não existe uma data oficial para a chegada às farmácias brasileiras.
A Novo Nordisk informou à reportagem que não possui previsão oficial de lançamento no país. A expectativa apresentada anteriormente pela empresa aponta para uma possível chegada ao mercado brasileiro ainda em 2026.
Insulina semanal chega ao mercado da Índia
A Novo Nordisk lançou o Awiqli na Índia com o objetivo de disputar espaço com as insulinas basais de aplicação diária.
Segundo a empresa, o medicamento é a primeira insulina basal semanal aprovada para uso clínico. A indicação contempla adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2.
Na Índia, uma dose de 70 unidades custa 261 rúpias, o equivalente a US$ 2,74. A empresa também comercializa o medicamento em canetas de 1 ml e 3 ml.
A caneta de 1 ml contém 700 unidades e custa 2.611 rúpias. Já a caneta de 3 ml contém 2.100 unidades e custa 7.833 rúpias.
Para comparação, 70 unidades de insulinas basais de aplicação diária custam entre 345 e 453 rúpias no mercado indiano, segundo informações apresentadas pela Novo Nordisk.
O produto deve chegar ao mercado indiano após o lançamento anunciado pela empresa.
A Índia tem mais de 101 milhões de pessoas com diabetes e outras 136 milhões com pré-diabetes, segundo dados apresentados pela Novo Nordisk.
Além disso, cerca de 6 milhões de pessoas utilizam insulina no país. A empresa estima que esse número possa chegar a 9 milhões.
Por que a insulina semanal importa para quem tem diabetes
A principal diferença está na frequência das aplicações. A insulina basal diária exige uma aplicação todos os dias para manter o efeito durante o período entre as refeições, à noite e durante o jejum.
Com a insulina icodeca, a aplicação passa a ocorrer uma vez por semana. Na prática, uma pessoa que utiliza uma aplicação diária de insulina basal pode passar de aproximadamente 365 aplicações por ano para 52.
Essa mudança pode interferir na organização do tratamento. Pessoas que esquecem aplicações ou têm dificuldade para manter uma rotina diária podem encontrar uma alternativa com menos aplicações.
No entanto, a redução das aplicações não elimina o acompanhamento médico. A dose precisa ser definida de acordo com a necessidade de cada pessoa.
Além disso, a insulina semanal não substitui todas as aplicações de insulina no diabetes tipo 1.
Como a insulina icodeca consegue agir durante uma semana
A insulina icodeca foi desenvolvida para permanecer ativa durante vários dias após uma única aplicação.
Depois da aplicação, a molécula se liga de forma reversível à albumina, uma proteína presente no sangue.
Esse mecanismo permite uma liberação lenta e contínua da insulina no organismo.
A molécula também foi desenvolvida para sofrer degradação mais lenta. Sua meia-vida é de aproximadamente 196 horas, equivalente a pouco mais de oito dias.
Com esse mecanismo, a aplicação pode ocorrer sempre no mesmo dia da semana.
O objetivo continua sendo controlar a glicose entre as refeições, durante a noite e nos períodos de jejum.
A diferença está na frequência necessária para manter esse efeito.
O que os estudos sobre a insulina semanal mostraram
A aprovação da insulina icodeca foi baseada no programa de estudos clínicos ONWARDS.
O conjunto de pesquisas reuniu mais de 4.000 participantes em diferentes países. Os estudos compararam a insulina icodeca com insulinas basais utilizadas na prática clínica.
Entre os medicamentos usados nas comparações estavam as insulinas degludeca e glargina.
Os resultados mostraram redução da hemoglobina glicada semelhante à observada com insulinas basais diárias. Em alguns estudos, a icodeca apresentou redução maior da HbA1c.
ONWARDS 1
O estudo avaliou adultos com diabetes tipo 2 que já utilizavam insulina basal.
Após 52 semanas, a insulina icodeca apresentou redução da HbA1c maior que a observada com a insulina degludeca.
Os pesquisadores também avaliaram a segurança durante o período analisado.
ONWARDS 2
O estudo incluiu pessoas com diabetes tipo 2 que utilizavam insulina basal junto com outros medicamentos.
A icodeca apresentou resultado de não inferioridade em relação à insulina degludeca.
Isso significa que o estudo não identificou perda de eficácia dentro dos critérios definidos para a comparação.
ONWARDS 3
Participaram pessoas com diabetes tipo 2 que ainda não utilizavam insulina.
Os pesquisadores observaram redução da hemoglobina glicada com a insulina semanal em comparação com a insulina diária.
O estudo também avaliou quantos participantes atingiram as metas de controle da glicose.
ONWARDS 4
O estudo avaliou pessoas com diabetes tipo 2 que utilizavam múltiplas aplicações de insulina.
A insulina semanal apresentou eficácia comparável às terapias convencionais avaliadas.
O resultado indicou que a redução da frequência das aplicações não impediu o controle da glicemia dentro das condições estudadas.
ONWARDS 5
O estudo avaliou a insulina semanal em condições próximas da rotina de tratamento.
Os resultados indicaram que a eficácia observada nos estudos clínicos também poderia ser reproduzida na prática cotidiana dos pacientes avaliados.
ONWARDS 6
O ONWARDS 6 avaliou pessoas com diabetes tipo 1. Nesse estudo, os participantes utilizaram a insulina semanal junto com insulina rápida nas refeições.
A icodeca apresentou controle da glicemia semelhante ao observado com a insulina degludeca.
No entanto, os pesquisadores observaram aumento de episódios de hipoglicemia clinicamente significativa.
Esse aumento ocorreu principalmente durante o período de ajuste das doses.
Por isso, a transição para a insulina semanal exige acompanhamento médico e monitorização frequente da glicose.
O que muda para quem usa insulina todos os dias
A principal mudança ocorre no número de aplicações.
Uma pessoa que utiliza uma aplicação de insulina basal por dia chega a cerca de 365 aplicações em um ano.
Com a insulina semanal, esse número passa para aproximadamente 52 aplicações.
A mudança também permite organizar o tratamento a partir de um dia fixo da semana.
A pessoa pode, por exemplo, estabelecer um dia específico para realizar a aplicação da insulina basal.
Ainda assim, a redução da frequência não significa que o tratamento fique livre de cuidados.
A pessoa precisa acompanhar a glicose, seguir a orientação da equipe de saúde e realizar ajustes quando necessário.
No diabetes tipo 1, também continuam as aplicações de insulina rápida ou ultrarrápida antes das refeições.

Insulina semanal não serve para todos os pacientes
A aprovação para adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2 não significa que todas as pessoas que utilizam insulina deverão trocar o tratamento.
A escolha depende da avaliação médica e das características de cada paciente.
O médico precisa considerar o controle da glicose, o risco de hipoglicemia, a rotina e a adaptação ao novo esquema.
Quem apresenta controle adequado com uma insulina basal diária pode não precisar mudar o tratamento.
Além disso, a duração prolongada da icodeca exige atenção durante os ajustes.
Como a molécula permanece no organismo por mais tempo, uma alteração na dose demora mais para produzir seu efeito completo.
Por isso, o início do tratamento exige planejamento e acompanhamento.
O que acontece no diabetes tipo 1
No diabetes tipo 1, a insulina semanal substitui apenas a insulina basal diária. A pessoa continua precisando de insulina rápida ou ultrarrápida para controlar a glicose relacionada às refeições.
Essa diferença é importante porque a insulina basal e a insulina das refeições cumprem funções diferentes.
A basal atua durante períodos sem alimentação, incluindo a noite e os intervalos entre as refeições.
Já a insulina rápida ou ultrarrápida atua principalmente para controlar o aumento da glicose após a alimentação.
Portanto, a mudança para a icodeca não significa deixar de aplicar insulina todos os dias no diabetes tipo 1.
Índia mostra como a insulina semanal começa a entrar no mercado
O lançamento na Índia coloca a insulina icodeca em um mercado com milhões de pessoas que utilizam insulina.
O país é o sétimo mercado a lançar o medicamento, segundo a Novo Nordisk.
A empresa informou que pretende ampliar o número de pessoas em tratamento com insulina no país.
No Brasil, o cenário é diferente porque a aprovação da Anvisa já ocorreu, mas o produto ainda não tem data oficial de chegada às farmácias.
Enquanto isso, a principal mudança proposta pela tecnologia permanece a mesma: substituir sete aplicações semanais de insulina basal por uma.