Arroz, feijão, salada e uma fonte de proteína costumam dividir espaço no prato do brasileiro. Quando o assunto é diabetes, porém, a combinação dos alimentos pode levantar dúvidas, especialmente sobre a presença de arroz, batata, mandioca e outros alimentos ricos em carboidratos nas refeições.
A resposta não está necessariamente em excluir esses alimentos. A quantidade consumida, o tipo de carboidrato, a composição da refeição e as características individuais podem influenciar a resposta da glicose após comer. Por isso, mais do que observar um alimento isoladamente, é importante considerar como os diferentes componentes da refeição se combinam.
A nutricionista e educadora em diabetes Juliana Batista explica que combinações presentes na alimentação brasileira podem fazer parte da rotina de pessoas com diabetes. Em entrevista ao DiabetesCast, ela mostrou como organizar refeições variadas sem transformar o carboidrato em um alimento proibido.
Carboidrato não precisa aparecer sozinho
Arroz, batata, mandioca, pão, massas e frutas são fontes de carboidratos e podem fazer parte da alimentação de pessoas com diabetes. Nesse contexto, a quantidade consumida, o tipo de alimento e a composição da refeição também precisam ser considerados. A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes destaca que a quantidade de carboidratos deve ser individualizada e recomenda priorizar alimentos ricos em fibras e minimamente processados.
Na prática, isso significa que montar uma refeição não precisa partir da ideia de retirar os alimentos fontes de carboidratos. A combinação com outros grupos alimentares pode contribuir para uma refeição mais variada e equilibrada.
“Não é simplesmente tirar o carboidrato. A gente vai fazer a combinação, vai colocar uma fibra”, explica Juliana. Um exemplo presente no dia a dia dos brasileiros é a combinação de arroz e feijão, que reúne diferentes fontes de nutrientes no mesmo prato.
Arroz com feijão pode fazer parte da refeição
Arroz e feijão formam uma dupla comum na alimentação brasileira e também podem aparecer no prato de quem tem diabetes. Segundo Juliana, a refeição pode incluir ainda saladas, vegetais e uma fonte de proteína, como frango, peixe ou ovo.
O feijão contribui com fibras, proteínas e outros nutrientes, enquanto verduras e legumes aumentam a variedade de fibras e micronutrientes da refeição.
O arroz integral pode oferecer mais fibras do que o arroz branco, mas isso não significa que seja necessário depender apenas da troca do tipo de arroz. A presença de feijão, verduras e legumes também contribui para aumentar o teor de fibras da refeição.
O ponto central, portanto, não é encontrar uma combinação que elimine a resposta da glicose, mas organizar o prato levando em consideração diferentes grupos de alimentos e as quantidades consumidas.
A proteína entra como parte da refeição, não para “anular” o carboidrato
Carnes, peixes, ovos, frango, queijos e outros alimentos ricos em proteínas também podem fazer parte da composição do prato.
Mas a proteína não deve ser entendida como uma forma de compensar ou “anular” o carboidrato. A composição da refeição pode influenciar a resposta glicêmica, e a quantidade de proteína e gordura também pode interferir na glicemia após algumas horas, especialmente em pessoas que utilizam insulina nas refeições.
Por isso, aumentar a quantidade de proteína não é uma estratégia para compensar uma refeição rica em carboidratos. A quantidade adequada deve considerar as necessidades individuais e fazer parte de um planejamento alimentar equilibrado.
Mas o equilíbrio do prato não depende apenas da combinação entre carboidratos e proteínas. Os vegetais também têm um papel importante nessa composição.
Salada e legumes ajudam a completar o prato
Folhas, pepino, cenoura, brócolis, couve-flor e outros vegetais podem contribuir para aumentar a variedade de fibras e nutrientes da refeição. A Sociedade Brasileira de Diabetes também recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e fontes de fibras na alimentação de pessoas com diabetes.
Para Juliana, a salada pode dividir espaço no prato com os demais alimentos, sem precisar ser tratada como um item à parte. A ideia é considerar a refeição como um conjunto, observando a quantidade e a combinação dos alimentos.
E quando mais de um alimento rico em carboidratos aparece na mesma refeição? Essa é uma situação comum no dia a dia e que também merece atenção na hora de montar o prato.
Batata, mandioca e arroz podem aparecer juntos?
Batata, mandioca, batata-doce, arroz e massas são fontes de carboidratos. Quando dois ou mais desses alimentos aparecem na mesma refeição, é importante considerar as porções para evitar que a quantidade total de carboidratos fique maior do que o planejado.
Uma possibilidade é escolher um deles como principal fonte de carboidrato e completar o prato com feijão, verduras, legumes e uma fonte de proteína.
Isso não significa que combinar dois alimentos desse grupo seja necessariamente proibido. A quantidade total de carboidratos e o planejamento alimentar individual precisam ser considerados. É justamente nesse ponto que a composição do prato deixa de ser uma regra única e passa a depender da rotina e das necessidades de cada pessoa.
A quantidade continua sendo importante
Combinar diferentes grupos de alimentos não garante, por si só, o controle da glicemia. A quantidade de carboidratos continua sendo um aspecto importante, especialmente para quem utiliza insulina nas refeições e faz contagem de carboidratos.
A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que essa quantidade seja individualizada, de acordo com as necessidades e características de cada pessoa, já que a resposta da glicose após uma refeição também pode variar.
Além da quantidade consumida, fatores como o tipo de carboidrato, o tratamento utilizado, a atividade física e outras características individuais podem influenciar esse resultado. Por isso, não existe uma única forma de montar o prato que produza a mesma resposta glicêmica em todas as pessoas com diabetes. Uma combinação que funciona bem para alguém pode precisar de ajustes em outra rotina, reforçando a importância de um planejamento alimentar individualizado.
Como organizar o prato no dia a dia?
Os exemplos apresentados por Juliana podem servir como referência para pensar na composição de uma refeição:
Carboidrato: arroz, batata, mandioca ou massa.
Fibras e vegetais: salada, folhas e legumes.
Proteína: frango, peixe, carne ou ovo.
Feijão e outras leguminosas: podem complementar a refeição e também fornecem fibras e proteínas.
As proporções e as quantidades precisam ser adaptadas à rotina, ao tratamento e às necessidades de cada pessoa. O objetivo não é buscar uma combinação capaz de impedir a elevação da glicose após as refeições, já que a resposta glicêmica pode variar de acordo com diferentes fatores.
O planejamento alimentar busca, dentro do tratamento de cada pessoa, organizar as refeições de forma adequada, equilibrada e sustentável ao longo do tempo.
O prato não precisa ser perfeito
Falar sobre alimentação e diabetes também significa evitar a ideia de que o diagnóstico transforma determinados alimentos em vilões. Uma refeição diferente, uma pizza ou um doce consumido ocasionalmente não significa, por si só, que todo o planejamento alimentar foi perdido. O mais importante é entender como essas escolhas se encaixam na rotina e manter o acompanhamento e as estratégias alimentares definidas para cada pessoa.
No dia a dia, pensar no prato como um conjunto pode ser mais útil do que classificar cada alimento como permitido ou proibido.
O que é importante entender
Para quem tem diabetes, não se trata de encontrar uma combinação capaz de “anular” o carboidrato, mas de considerar a quantidade consumida, a qualidade dos alimentos, a composição da refeição e a resposta de cada pessoa. A alimentação também precisa estar alinhada ao tratamento. Quem utiliza insulina, por exemplo, pode precisar de estratégias específicas para calcular os carboidratos das refeições.
Por isso, não existe uma composição de prato que funcione da mesma forma para todas as pessoas com diabetes. O planejamento alimentar deve levar em conta as necessidades individuais e pode ser ajustado ao longo do tempo com a orientação de profissionais de saúde.
Quer saber mais sobre o assunto? Confira o episódio completo sobre sobre alimentação e diabetes com a nutricionista e educadora em diabetes Juliana Baptista.
