A associação imediata entre aumento da glicose e alimentação leva muitas pessoas a acreditarem que precisarão excluir alimentos do dia a dia, como arroz, pão ou frutas. Mas essa lógica não é tão simples. No novo episódio do DiabetesCast, a nutricionista Tarcila Campos explica que o primeiro passo é abandonar a ideia de que existe “alimento proibido” para quem tem diabetes tipo 2.
Diabetes tipo 2 não é causado apenas pela alimentação
O diabetes tipo 2 é uma condição multifatorial. Idade, genética, composição corporal, sedentarismo e padrão alimentar influenciam o risco de desenvolvimento da doença.
Ou seja: não se trata apenas de “ter comido errado a vida inteira”. A alimentação tem papel importante, mas não é o único fator envolvido.
O que influencia a glicose não é só o alimento é a quantidade e a combinação
Segundo a especialista, dois pontos são fundamentais:
- Porção consumida
- Combinação dos alimentos no prato
O carboidrato é o principal nutriente que impacta a glicemia. Isso inclui arroz, pão, frutas, macaxeira, batata doce e até alimentos considerados saudáveis, como aveia.
Por exemplo:
- Comer arroz sozinho tende a elevar a glicose mais rapidamente.
- Arroz combinado com feijão (que contém fibras e proteína) pode reduzir a velocidade de absorção.
- Acrescentar proteínas, como ovo ou carne, também modifica essa resposta.
Fruta pode? Pode. Mas depende da porção
Outro mito comum é o de que algumas frutas são “proibidas”, como banana, manga ou uva.
A orientação apresentada no episódio é clara: não existe fruta proibida, mas existe quantidade adequada para cada pessoa.
O impacto glicêmico varia de acordo com:
- Resistência à insulina
- Medicação utilizada
- Nível de atividade física
- Combinação com outros alimentos
- Resposta individual do organismo
Por isso, a personalização é essencial.
Monitoramento ajuda a individualizar
Embora nem todos tenham acesso à monitorização glicêmica frequente, conhecer a própria resposta após as refeições pode ajudar a entender o que funciona melhor para cada organismo.
Duas pessoas com diabetes tipo 2 podem ter reações completamente diferentes ao mesmo alimento. Por isso, experiências individuais vistas nas redes sociais não devem ser copiadas sem avaliação.
O erro mais comum após o diagnóstico
Um comportamento frequente é a exclusão radical de alimentos culturalmente importantes, como arroz e feijão.
No entanto, o próprio Guia Alimentar para a População Brasileira reforça a importância de priorizar alimentos in natura ou minimamente processados — e arroz com feijão, por exemplo, pode fazer parte de uma alimentação equilibrada.
O que deve ser reduzido são os ultraprocessados, como bebidas açucaradas e produtos com longas listas de ingredientes.
Não é sentença. É reorganização.
O diagnóstico de diabetes tipo 2 não significa perder o prazer de comer.
Significa aprender a:
- Ajustar quantidades
- Melhorar combinações
- Priorizar alimentos mais naturais
- Entender a própria resposta glicêmica
Como reforçado no episódio, o cuidado alimentar é uma estratégia de organização, não de punição.