Muitas pessoas que convivem com o diabetes têm dúvidas sobre quais frutas podem entrar no cardápio sem causar picos de glicemia. Afinal, o sabor doce das frutas muitas vezes gera receio. Nesse contexto, uma pergunta frequente surge: existe uma melhor uva para o consumo seguro? Para esclarecer essa questão, o jornalista Tom Bueno conversou com a nutricionista Carol Netto em nosso canal Um Diabético no Youtube.
Durante o bate-papo, eles analisaram as diferenças entre a uva roxa e a verde, além de destacarem a importância das fibras. Portanto, entender como consumir essa fruta faz toda a diferença no controle da condição.
A importância da casca na alimentação
A nutricionista Carol Netto explica que a cor da fruta pode indicar a presença de nutrientes específicos. No entanto, o segredo não está apenas na cor, mas na forma de consumo. Segundo a especialista, a uva roxa leva uma ligeira vantagem, mas existe uma condição essencial para isso.
Carol ressalta que a roxa seria a melhor uva “se você comesse a casquinha”. Ela observa que muitas pessoas têm o hábito de descascar a fruta, o que diminui seus benefícios. Tom Bueno, por outro lado, afirmou que consome a fruta inteira. “Eu como! Eu faço assim”, comentou o jornalista ao experimentar a fruta durante a gravação.
Além disso, a casca da uva roxa é rica em antioxidantes, como o resveratrol, e principalmente em fibras. “É bom pro intestino, tem fibra”, pontua Carol. As fibras são fundamentais para quem tem diabetes, pois elas retardam a absorção do açúcar no sangue, evitando que a glicemia suba de forma abrupta.
Cuidado com o índice glicêmico
Apesar dos benefícios das fibras e dos antioxidantes, é preciso cautela. A uva é uma fruta com índice glicêmico considerável. Isso significa que ela possui a capacidade de elevar os níveis de açúcar no sangue rapidamente se consumida em excesso ou de forma isolada.
Durante a conversa, Carol Netto alertou sobre essa característica. Ao ser questionada sobre o índice glicêmico, ela foi direta: “alto também, sobe rapidinho”. Por isso, o equilíbrio é a chave. A definição da melhor uva passa também pela quantidade ingerida.
Dessa forma, a recomendação geral é nunca exagerar nas porções. Ademais, combinar a fruta com outras fontes de fibra, como sementes ou castanhas, ou consumi-la como sobremesa após uma refeição completa (que já contenha salada e proteínas), ajuda a “segurar” esse pico glicêmico.
Suco de uva ou fruta in natura?
Outro ponto crucial abordado no vídeo é a diferença entre comer a fruta e tomar o suco. Muitas pessoas acreditam que o suco integral é totalmente liberado, mas para quem tem diabetes, a situação exige atenção redobrada.
Carol compara o suco de uva ao de laranja em termos de velocidade de absorção. “O suco de uva… a gente utiliza na hipoglicemia”, explica a nutricionista, sugerindo que a bebida é tão eficaz para subir o açúcar rápido que serve como correção quando a glicose está perigosamente baixa.
Isso ocorre porque, ao fazer o suco, trituramos as fibras (a casca e o bagaço), deixando apenas o açúcar da fruta (frutose) livre para ser absorvido. Portanto, prefira sempre a fruta in natura. Mastigar a uva com a casca garante a ingestão das fibras que protegem sua glicemia e melhoram a saciedade.
