O pão francês é, sem dúvida, uma paixão nacional. Contudo, para quem convive com o diabetes, ele frequentemente se torna o primeiro item na lista de restrições. Aquele pãozinho quente na chapa parece um vilão. Mas será que ele precisa ser excluído da dieta? Para responder a esta pergunta, buscamos as orientações da nutricionista Carol Netto, em entrevista ao jornalista Tom Bueno, em nosso canal “Um Diabético” no Youtube. Ambos explicam qual a melhor forma de comer pão e gerenciar a glicemia.
Entendendo o impacto do pão francês
Muitas pessoas recebem o diagnóstico e ouvem imediatamente: “Não coma mais pão”. A nutricionista Carol Netto explica porque essa reputação existe. O pão francês (também conhecido como cacetinho, pão de sal ou carioquinha) é feito basicamente de farinha branca. “Ele é comparado, se vocês terem uma ideia, ao índice glicêmico… ao açúcar branco”, afirma Carol. Isso significa que ele tem uma alta capacidade de elevar o açúcar no sangue rapidamente. Um pão de 50 gramas possui, em média, 28 gramas de carboidrato.
Mitos comuns: pão integral e torrada
Na tentativa de substituir o pão branco, muitos recorrem ao pão integral ou à torrada, mas é preciso atenção. Carol Netto alerta que o pão francês integral, embora tenha mais fibras, não apresenta uma diferença tão drástica na contagem final de carboidratos. Surpreendentemente, a torrada pode ser ainda mais problemática. “O pão torrado… sobe até mais rápido, porque o processo que a gente fala é o processo de caramelização”, explica a nutricionista. A farinha torrada, portanto, acaba sendo absorvida mais rapidamente pelo organismo.
O “truque” para frear a glicemia
Então, quem tem diabetes pode comer pão? A resposta de Carol Netto é sim. O segredo, entretanto, está em nunca comê-lo puro. A melhor forma de comer pão envolve combinações estratégicas. “Sempre colocar uma gordura ou uma proteína”, aconselha. Esses acompanhamentos funcionam como um “freio”, diminuindo a velocidade com que o carboidrato se transforma em glicose no sangue.
É importante notar, como destaca a especialista, que a quantidade de carboidrato (as 28 gramas) não muda. O que muda é a velocidade da absorção. Boas opções incluem ovos, queijo ou a tradicional manteiga. Sobre a manteiga, Carol sugere preferi-la à margarina, que é uma gordura vegetal solidificada (gordura trans). Mas, claro, use a manteiga com moderação: “É pão com manteiga e não manteiga com pão”.
A dica de ouro para quem usa insulina
Além das combinações, o jornalista Tom Bueno, que também convive com o diabetes tipo 1, compartilha sua “dica de ouro”, especialmente para a refeição matinal. De manhã, geralmente enfrentamos o “fenômeno do amanhecer”, que nos torna mais resistentes à insulina. Por causa disso, a glicemia pode subir mais facilmente.
A estratégia de Tom é: “Para quem faz uso de insulina, aplicar a insulina antes de comer o pão francês”. Ele relata que, ao usar insulinas ultrarrápidas, costuma aplicar de 20 a 30 minutos antes da refeição. “A glicose é um velocista… E a insulina tá lá, começando a fazer as aulas de corrida. Então, o ideal é que ela saia antes”, compara Carol Netto. Essa antecedência permite que a insulina comece a agir no momento certo em que a glicose do pão chega à corrente sanguínea.
Conclusão: equilíbrio é a chave
Portanto, o pão francês não precisa ser um inimigo para quem tem diabetes. A melhor forma de comer pão é adotar o equilíbrio. Ao invés de comer o pão puro, combine-o com proteínas ou gorduras boas. Para quem utiliza insulina, ajustar o timing da aplicação pode fazer toda a diferença. Com informação e estratégia, é possível manter o prazer de comer um pãozinho e, ao mesmo tempo, um bom controle glicêmico.
