Conviver com diabetes ou pré-diabetes vai muito além de medir a glicose no dia a dia. Muitas vezes, os maiores riscos não dão sinais claros no começo. Nesse contexto, os exames no diabetes feitos ao longo do ano ajudam a enxergar o que não aparece nos sintomas.
Além disso, esses exames funcionam como um alerta precoce. Enquanto a glicemia pode variar ao longo do dia, outras alterações no corpo acontecem de forma silenciosa. Por isso, acompanhar esses indicadores é uma forma prática de evitar complicações antes que elas avancem.
A seguir, veja os quatro exames que médicos consideram essenciais para quem vive com diabetes ou já recebeu o diagnóstico de pré-diabetes.
Hemoglobina glicada mostra como está o controle da glicose
A hemoglobina glicada, conhecida como HbA1c, é um dos exames no diabetes mais importantes. Isso porque ela indica a média da glicose nos últimos dois a três meses.
Na prática, é diferente do teste de ponta de dedo. Enquanto a glicemia mostra o valor naquele momento, a hemoglobina glicada revela o “histórico” do controle.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, esse exame ajuda a entender se o tratamento está funcionando ao longo do tempo. Além disso, ele orienta ajustes na alimentação, nos medicamentos e até na rotina.
“É um exame que mostra o caminho percorrido, não apenas um momento isolado”, explica a endocrinologista Dra. Denise Franco.
Exames dos rins detectam problemas antes de sintomas
Os rins são órgãos muito sensíveis às alterações da glicose. Ainda assim, os danos podem acontecer sem qualquer sinal no início.
Por isso, exames como creatinina no sangue e a microalbuminúria na urina são fundamentais. Eles conseguem identificar alterações precoces na função renal.
De acordo com a American Diabetes Association, esse acompanhamento deve ser feito pelo menos uma vez por ano. No entanto, em alguns casos, o médico pode pedir uma frequência maior.
Além disso, quando o problema é identificado cedo, há mais chances de controlar e evitar a progressão. Portanto, esse é um exame que protege a saúde no longo prazo.
Exame de fundo de olho pode evitar perda de visão
A visão também pode ser afetada pelo diabetes, mesmo quando a pessoa enxerga bem no dia a dia. Nesse cenário, o exame de fundo de olho permite avaliar diretamente a retina.
Esse exame é importante porque a retinopatia diabética pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais. Enquanto isso, alterações pequenas já podem ser detectadas por um especialista.
Segundo o Ministério da Saúde, a recomendação é realizar esse exame ao menos uma vez por ano.
“Quando há diagnóstico precoce, conseguimos evitar a perda de visão na maioria dos casos”, afirma a oftalmologista Letícia Rubman.
Colesterol e triglicerídeos indicam risco do coração
O diabetes aumenta o risco de problemas no coração e na circulação. Por isso, o exame de perfil lipídico, que avalia colesterol e triglicerídeos, é essencial.
Além disso, esses números ajudam a entender o risco de infarto e AVC. Por outro lado, quando estão controlados, esse risco diminui de forma significativa.
Nesse contexto, o acompanhamento regular permite agir antes que surjam complicações. Portanto, esse exame não é apenas um número, mas uma ferramenta de prevenção.
O que muda ao fazer esses exames
Pode parecer apenas uma lista de exames, mas o impacto é direto na vida de quem tem diabetes ou pré-diabetes. Além disso, os resultados ajudam o médico a ajustar o tratamento de forma mais precisa.
Enquanto isso, quem não faz esse acompanhamento pode perder a chance de identificar problemas no início. Ainda assim, muitos desses exames estão disponíveis no sistema público de saúde.
Portanto, manter essa rotina é uma forma de cuidar do presente e também do futuro. No fim, informação e acompanhamento caminham juntos no controle do diabetes.
REFERÊNCIAS
- Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)
https://www.diabetes.org.br - American Diabetes Association (ADA) – Standards of Care
https://diabetesjournals.org/care
