Um dos cuidados mais importantes para quem usa insulina acontece antes mesmo da aplicação. Escolher o local correto faz parte do tratamento e pode influenciar a absorção do medicamento. Apesar disso, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre quais regiões do corpo podem receber a aplicação e quais devem ser evitadas.
Durante participação no DiabetesCast, as enfermeiras e educadoras em diabetes Gabriela Cavicchioli e Gisele Filgueiras explicaram quais são os locais indicados para aplicar insulina, por que o rodízio é necessário e quais erros podem comprometer o tratamento.
Barriga continua sendo um dos principais locais para aplicar insulina
A região do abdômen é uma das áreas mais utilizadas para aplicar insulina. No entanto, existe um detalhe que merece atenção.
Segundo Gabriela Cavicchioli, a aplicação não deve ser feita próxima ao umbigo. A orientação é deixar uma distância de aproximadamente três dedos e utilizar toda a região lateral da barriga, dos dois lados.
Esse espaço reduz o risco de aplicações repetidas no mesmo ponto. Além disso, oferece uma área maior para fazer o rodízio entre as aplicações.
A especialista lembra que muitas pessoas escutam apenas a orientação de manter distância do umbigo, mas acabam repetindo a aplicação exatamente no mesmo local ao longo dos dias.
Coxa, braço e flanco também podem receber a aplicação
Além da barriga, outras regiões também são indicadas para aplicar insulina.
Na coxa, a aplicação deve acontecer apenas na parte lateral. A região interna não é recomendada porque concentra mais vasos sanguíneos e apresenta características diferentes de absorção.
Nos braços, o local indicado fica na parte posterior. A orientação é manter uma distância aproximada de três dedos do ombro e três dedos do cotovelo, utilizando a região conhecida popularmente como “tchauzinho”.
Outro ponto citado pelas enfermeiras é o flanco, localizado na parte lateral das costas, onde muitas pessoas costumam acumular gordura.
Segundo Gabriela Cavicchioli, todas essas regiões possuem tecido subcutâneo adequado para receber a insulina quando a técnica é realizada corretamente.
Aplicar sempre no mesmo ponto pode alterar a absorção da insulina
Um dos erros mais frequentes entre pessoas que usam insulina é repetir a aplicação sempre na mesma região.
De acordo com Gabriela Cavicchioli, esse hábito favorece o surgimento da lipodistrofia, alteração que forma endurecimentos ou caroços sob a pele. Nesse contexto, o problema vai além da aparência da pele.
Quando a lipodistrofia está presente, a absorção da insulina deixa de ocorrer da forma esperada. Como consequência, o medicamento pode agir mais rápido, mais lentamente ou apresentar comportamento diferente daquele previsto pelo tratamento.
Por isso, as especialistas orientam alternar constantemente os locais de aplicação.
Uma estratégia simples consiste em manter uma distância de dois a três dedos entre uma aplicação e outra, mesmo quando a pessoa prefere utilizar apenas uma mesma região do corpo.
Nem todos os locais são indicados
Durante a conversa, as educadoras também responderam dúvidas frequentes de quem utiliza insulina. Uma delas envolve a panturrilha.
Segundo Gabriela Cavicchioli, essa região não é indicada porque possui maior quantidade de músculo e pouco tecido subcutâneo. Isso aumenta o risco de a agulha atingir o músculo em vez da camada correta da pele. Já o bumbum pode ser utilizado.
Nesse caso, a orientação é dividir visualmente a região em quatro partes e escolher sempre o quadrante superior externo para realizar a aplicação.
Cada pessoa pode ter regiões mais confortáveis
Embora existam áreas indicadas para aplicar insulina, Gisele Filgueiras destaca que cada pessoa percebe diferenças de conforto durante o tratamento.
Segundo ela, algumas regiões podem causar menos incômodo do que outras, dependendo das características do tecido subcutâneo.
Por outro lado, isso não significa utilizar sempre exatamente o mesmo ponto.
A recomendação continua sendo fazer o rodízio dentro da própria região preferida, preservando a absorção da insulina e reduzindo o risco de alterações na pele.
O tamanho da agulha também influencia a aplicação
Além do local escolhido, outro fator importante é o tamanho da agulha. Durante o episódio, Gabriela Cavicchioli explicou que estudos mais recentes mostram que agulhas de 4 milímetros podem ser utilizadas pela maioria das pessoas, independentemente do peso corporal.
Segundo a enfermeira, a pele possui aproximadamente 2,7 milímetros de espessura. Dessa forma, a agulha de 4 milímetros alcança o tecido subcutâneo sem necessidade de adaptação relacionada ao biotipo.
Outro ponto destacado é que, de forma geral, esse tamanho dispensa a realização da prega na pele.
As exceções ficam para crianças menores de seis anos e idosos muito magros, que podem necessitar de adaptações na técnica.
Já as agulhas de 6 milímetros exigem a realização da prega para reduzir o risco de aplicação no músculo.
Rodízio também vale para quem faz glicemia na ponta do dedo
O cuidado com o rodízio não se limita à aplicação da insulina. Gabriela Cavicchioli lembra que pessoas que fazem monitorização da glicemia na ponta do dedo também devem alternar os locais utilizados.
Segundo ela, todos os dedos das mãos podem ser usados. Além disso, a recomendação é realizar a punção nas laterais dos dedos, onde existe menor sensibilidade e menor risco de desconforto.
Esse rodízio ajuda a preservar a pele e reduz a chance de lesões provocadas pelas perfurações repetidas.
