Um vídeo publicado por Lara Alice tem emocionado internautas ao mostrar um momento comum, mas pouco conhecido, da rotina de animais que vivem com diabetes. Nas imagens, Gaia, uma cadela da raça rottweiler diagnosticada com a doença, aparece chorando durante a aplicação da insulina.
A cena gerou identificação entre pessoas que convivem com diabetes. Nos comentários da publicação, seguidores relataram experiências pessoais e destacaram o cuidado da tutora com o animal.
“Picadinha do amor”, escreveu uma internauta. Outra comentou: “Sou diabética tipo 1 e me emocionei”. Houve ainda quem relacionasse a cena à própria rotina de tratamento. “Tão difícil para o ser humano, imagina para um bichinho desse?”, publicou uma seguidora.
Embora o vídeo tenha chamado atenção pelo momento da aplicação, ele também mostra um aspecto importante do tratamento. Gaia permanece calma durante os procedimentos e coopera tanto na medição da glicemia quanto na aplicação da insulina.
Diagnóstico aconteceu após sinais parecidos com os do diabetes humano
A história da Gaia começou em 2022, quando ela tinha apenas 1 ano e 8 meses de idade. Segundo Lara Alice, os primeiros sinais foram semelhantes aos observados em pessoas com diabetes.
A cadela passou a urinar em excesso, apresentou glicose na urina, sentia muita sede, perdeu peso e demonstrava mudanças de comportamento. Além disso, ficava nervosa e chegava a esbarrar em objetos.

Nesse contexto, a situação se agravou rapidamente. Gaia chegou à clínica veterinária com glicemia de 680 mg/dL e próxima de desenvolver cetoacidose diabética, uma complicação que pode levar à morte quando não tratada. A intervenção médica ocorreu a tempo e permitiu estabilizar o quadro.
Rotina exige aplicação de insulina e monitoramento constante
Desde o diagnóstico, Gaia segue uma rotina rígida de tratamento. Ela recebe insulina NPH, utilizada também por pessoas com diabetes, duas vezes ao dia.
A dose atual é de 16 unidades pela manhã e 14 unidades à noite. As aplicações acontecem a cada 12 horas.

Além disso, Lara mede a glicemia da cadela no mesmo intervalo e acompanha qualquer mudança de comportamento que possa indicar alteração nos níveis de glicose.
Cansaço, desânimo ou mudanças repentinas de atitude servem como sinais de alerta para a tutora.
Enquanto isso, a alimentação também recebe atenção diária. Lara acompanha a ingestão dos alimentos e verifica se a dieta está sendo seguida corretamente.
Crise de hipoglicemia levou a convulsão em 2025
Mesmo com os cuidados diários, o controle do diabetes exige vigilância constante.
Em agosto de 2025, Gaia enfrentou uma crise de hipoglicemia que resultou em uma convulsão. A resposta rápida permitiu controlar a situação e evitar consequências mais graves.
Desde então, ela realiza acompanhamento regular com diferentes especialistas, incluindo nefrologista, endocrinologista e clínico geral.
Embora ocorram oscilações glicêmicas, a cadela permanece sob monitoramento e responde ao tratamento.
Alimentação e exercícios fazem parte do tratamento
O controle do diabetes em cães não depende apenas da insulina. A alimentação da Gaia segue uma dieta específica para cães com diabetes. Segundo a tutora, a estratégia busca controlar a quantidade de carboidratos e aumentar o consumo de fibras.
Entre as rações utilizadas estão produtos das marcas Royal Canin e VetLife. Além disso, a prática de exercícios integra a rotina da cadela. Passeios e atividades ajudam no controle do peso e contribuem para a manutenção da glicemia.
No entanto, até mudanças simples no dia a dia podem interferir nos níveis de glicose. Por isso, Lara monitora constantemente a resposta do organismo da Gaia.
Como funciona o diabetes em cães
Segundo a veterinária Lucilla Montero, o tipo mais comum de diabetes em cães é o insulinodependente.
Esse quadro se assemelha ao diabetes tipo 1 em humanos e ocorre quando o pâncreas não produz insulina suficiente para atender às necessidades do organismo.
Por outro lado, o diabetes tipo 2 é menos frequente em cães. Ele está relacionado à obesidade e à resistência à insulina.
Já o chamado diabetes tipo 3 pode surgir como consequência de doenças pancreáticas ou do uso de medicamentos que interferem na produção ou na ação da insulina.
A veterinária explica ainda que algumas raças apresentam predisposição genética para desenvolver a doença. Entre elas estão os Poodles e os Dachshunds.
Além disso, fatores como idade avançada, obesidade, doenças pancreáticas e alterações hormonais podem aumentar o risco.
Diagnóstico depende de exames e acompanhamento veterinário
O diagnóstico do diabetes em cães ocorre por meio de exames de sangue e urina que avaliam os níveis de glicose.
Após a confirmação, o tratamento costuma envolver aplicação diária de insulina, alimentação específica, exercícios físicos e acompanhamento veterinário regular.
Nesse contexto, o caso da Gaia mostra um dos desafios enfrentados por tutores de animais com diabetes. Diferentemente dos humanos, os cães não conseguem relatar sintomas ou explicar o que estão sentindo.
Por isso, alterações aparentemente simples, como estresse, passeios ou mudanças na rotina, podem exigir atenção redobrada.
Monitoramento diário ajuda no controle da doença
Lara afirma que mantém disciplina em todas as etapas do tratamento. A aplicação da insulina, a medição da glicemia e o acompanhamento da alimentação fazem parte da rotina diária.
Além disso, qualquer mudança de comportamento é observada imediatamente.
O vídeo que emocionou milhares de pessoas também revela um aspecto importante do manejo do diabetes em cães. A cooperação da Gaia durante os procedimentos facilita o tratamento e permite que os cuidados sejam realizados com segurança e regularidade.
