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    Início - Vai viajar para o exterior? Veja os 5 itens que não podem faltar para quem tem diabetes tipo 1
    Internacional

    Vai viajar para o exterior? Veja os 5 itens que não podem faltar para quem tem diabetes tipo 1

    Da bagagem de mão à documentação médica, a endocrinologista Dra. Denise Franco e a brasileira Sofia Fakhoury explicam quais cuidados ajudam pessoas com diabetes tipo 1 a viajar com mais segurança e evitar imprevistos durante a permanência no exterior.
    Estefane Moitinho1 de agosto de 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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    Vai viajar para o exterior
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    Viajar para o exterior pode ser uma experiência enriquecedora, seja para turismo, intercâmbio, trabalho ou uma mudança definitiva. Mas, para quem vive com diabetes tipo 1, o planejamento precisa incluir alguns cuidados extras para garantir que o tratamento continue sem interrupções.

    Organizar medicamentos e insumos, conhecer o sistema de saúde do destino e viajar com a documentação médica em mãos são algumas das medidas que ajudam a reduzir riscos e oferecem mais tranquilidade durante a viagem. A partir da experiência da brasileira Sofia Fakhoury, que está de mudança para o Reino Unido, e das orientações da endocrinologista Dra. Denise Franco, reunimos os principais cuidados para quem vai embarcar rumo ao exterior.

    O planejamento começa antes mesmo do embarque

    Viajar para outro país exige organização. Passaporte, documentos, hospedagem e roteiro costumam estar entre as principais preocupações. Para quem vive com diabetes tipo 1, porém, existe um cuidado adicional: garantir que o tratamento continue sem interrupções durante toda a viagem.

    Essa organização vai muito além de fazer as malas.

    É preciso pensar no acesso à insulina, aos equipamentos de monitorização da glicose, aos materiais de aplicação e também entender como funciona o sistema de saúde do país de destino. Esse planejamento é importante tanto para viagens de poucos dias quanto para quem pretende permanecer mais tempo no exterior.

    A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a American Diabetes Association (ADA) recomendam que pessoas com diabetes organizem a viagem com antecedência, levando medicamentos, insumos e documentação médica suficientes para evitar que imprevistos comprometam o tratamento.

    A brasileira Sofia Fakhoury, que irá viajar de mudança para o Reino Unido, conhece bem essa realidade. Antes mesmo do embarque, ela já começou a organizar tudo o que considera indispensável para continuar controlando o diabetes até conseguir atendimento médico no novo país.

    Segundo Sofia, a prioridade é garantir autonomia durante esse período de adaptação.

    “Eu levaria insulina, sensores de glicose, glicosímetro, fitas reagentes e agulhas. Esses são os itens mais importantes para manter minha glicemia controlada e garantir que eu consiga continuar o tratamento até me adaptar ao sistema de saúde do Reino Unido”, explica.

    Levar mais do que o necessário pode evitar problemas

    A preocupação de Sofia também é compartilhada pela endocrinologista Dra. Denise Franco, que orienta pacientes que viajam ou passam períodos no exterior.

    Segundo a médica, um dos erros mais comuns é calcular apenas a quantidade exata de medicamentos e materiais para o período da viagem.

    Na prática, atrasos de voos, mudanças de roteiro, perda de bagagem ou dificuldades para conseguir atendimento médico podem acontecer ao viajar, principalmente nos primeiros dias em outro país.

    Por isso, a recomendação é sempre levar uma quantidade extra de todos os insumos.

    “Nunca viaje contando apenas com o necessário”, orienta.

    A médica recomenda transportar insulina, sensores, cateteres, reservatórios, fitas reagentes, lancetas e agulhas suficientes para, pelo menos, o dobro do tempo previsto da viagem.

    Essa também é uma recomendação presente em diretrizes internacionais, que orientam manter uma reserva de medicamentos e materiais para evitar que imprevistos interrompam o tratamento.

    Sofia pretende seguir essa estratégia.

    Além do estoque de insulina, ela levará sensores, glicosímetro, tiras reagentes, lancetas e agulhas suficientes para garantir tranquilidade durante os primeiros meses no Reino Unido.

    Segundo ela, isso permitirá organizar o acompanhamento médico com mais calma antes de depender do sistema de saúde local.

    Bagagem de mão e um plano de segurança fazem diferença

    Outro cuidado considerado indispensável ao viajar é a forma como os materiais são transportados.

    Tanto Sofia quanto a Dra. Denise destaca que insulina e equipamentos nunca devem ser despachados junto com as malas para viajar.

    Temperaturas extremas no compartimento de cargas da aeronave podem comprometer a estabilidade da insulina, além do risco de extravio da bagagem.

    Por isso, todos os itens essenciais devem permanecer na bagagem de mão durante toda a viagem.

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também orienta que medicamentos de uso contínuo sejam transportados acompanhados da prescrição médica, especialmente em viagens internacionais. A documentação pode facilitar tanto a passagem pelos procedimentos de segurança quanto um eventual atendimento durante a viagem.

    Além disso, a endocrinologista recomenda que todo paciente tenha um plano alternativo caso algum equipamento apresente problemas.

    Mesmo quem utiliza bomba de insulina ou monitorização contínua da glicose deve viajar levando glicosímetro, fitas reagentes, insulina de reserva e canetas ou seringas para aplicação.

    Segundo a médica, a tecnologia facilita muito o tratamento, mas não elimina a necessidade de estar preparado para imprevistos.

    Conhecer o destino também faz parte do tratamento

    O planejamento vai além da mala.

    Antes mesmo de embarcar, Sofia acredita que vale a pena pesquisar como funciona o sistema de saúde do país onde irá morar ou viajar.

    Segundo ela, entender previamente como conseguir consultas, receitas e medicamentos pode evitar situações de emergência durante os primeiros meses no exterior.

    A Dra. Denise também considera esse preparo essencial.

    Ela recomenda que o paciente descubra antecipadamente onde poderá comprar insumos, como funciona o acesso aos medicamentos e até quais são os alimentos mais comuns da região.

    Conhecer a culinária local facilita a contagem de carboidratos e ajuda na adaptação da rotina alimentar. Além disso, mudanças no horário das refeições, diferenças de fuso horário e alterações na rotina podem exigir ajustes no tratamento, sempre com orientação da equipe de saúde.

    Outro cuidado importante é verificar se o seguro-viagem oferece cobertura para atendimentos relacionados a doenças preexistentes, como o diabetes. Algumas apólices possuem regras específicas para esse tipo de condição e conhecer essas informações antes do embarque pode evitar dificuldades caso seja necessário procurar assistência médica durante a viagem.

    Também é recomendado carregar sempre carboidratos de ação rápida durante passeios e deslocamentos.

    Mudanças na rotina, caminhadas mais longas, alterações no horário das refeições e o estresse natural ao viajar internacionalmente podem aumentar o risco de hipoglicemia.

    Por isso, estar preparado para corrigir rapidamente uma queda da glicose continua sendo uma prioridade.

    Documentos médicos podem facilitar o atendimento

    Além dos equipamentos para o tratamento, Sofia também pretende viajar levando toda a documentação médica atualizada.

    Entre os documentos estão receitas recentes, um relatório elaborado pelo endocrinologista explicando o diagnóstico e o tratamento realizado, além de uma lista completa dos medicamentos utilizados.

    Sempre que possível, esses documentos devem estar traduzidos para o inglês.

    Além das receitas, especialistas recomendam que a lista de medicamentos contenha também o nome do princípio ativo, e não apenas o nome comercial. Isso porque algumas marcas disponíveis no Brasil podem receber nomes diferentes em outros países, facilitando a identificação do tratamento caso seja necessário comprar medicamentos ou procurar atendimento médico.

    Segundo Sofia, essa organização pode facilitar tanto o atendimento em uma emergência quanto a apresentação de documentos durante a viagem ou no processo de ingresso no sistema de saúde do novo país.

    A Dra. Denise reforça que manter essa documentação organizada pode agilizar o atendimento caso seja necessário procurar um serviço de saúde durante a viagem.

    Embora ainda esteja conhecendo melhor o funcionamento do atendimento médico no Reino Unido, Sofia acredita que iniciar essa preparação antes da viagem reduzirá boa parte da ansiedade relacionada ao tratamento.

    Os cinco itens que não podem faltar na bagagem

    Antes de viajar, especialistas recomendam conferir se estes itens estão separados, de preferência na bagagem de mão:

    • Insulina em quantidade suficiente para toda a viagem, além de uma reserva para possíveis imprevistos.
    • Sensores de glicose, glicosímetro, fitas reagentes e lancetas, mesmo para quem utiliza monitorização contínua da glicose.
    • Agulhas, canetas, seringas, cateteres ou reservatórios, de acordo com o tratamento utilizado.
    • Carboidratos de ação rápida, como sachês de açúcar, mel, balas ou comprimidos de glicose, para corrigir episódios de hipoglicemia.
    • Receitas médicas, relatório do endocrinologista e lista de medicamentos, preferencialmente traduzidos para o inglês.

    Planejamento é o melhor companheiro de viagem

    Viajar para outro país é uma experiência que exige organização de qualquer pessoa. Para quem convive com diabetes tipo 1, esse planejamento precisa incluir alguns cuidados extras para que o tratamento seja mantido do início ao fim da viagem.

    Levar uma quantidade suficiente de insumos, manter medicamentos e equipamentos na bagagem de mão, ter um plano alternativo para eventuais falhas dos dispositivos, conhecer previamente o sistema de saúde do destino e viajar com toda a documentação médica organizada são medidas que ajudam a reduzir riscos e proporcionam mais tranquilidade durante o período fora de casa.

    Como reforça a Dra. Denise Franco ao longo da reportagem, o diabetes tipo 1 não deve impedir ninguém de viajar, estudar, trabalhar ou morar em outro país. Com planejamento e informação, é possível aproveitar a experiência com mais segurança, fazendo com que o tratamento continue sendo parte da rotina — e não um obstáculo para viver novas experiências.

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    Estefane Moitinho

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