As vacinas para pessoas com diabetes são uma das principais formas de prevenir infecções e reduzir o risco de complicações, mas esse cuidado ainda costuma ser deixado em segundo plano. Quem convive com a doença geralmente presta bastante atenção à glicemia, à alimentação e ao uso correto dos medicamentos. No entanto, muita gente acredita que basta tomar a vacina da gripe todos os anos, quando, na verdade, as recomendações para esse público vão muito além.
Essa dúvida é comum e preocupa especialistas, principalmente porque a cobertura vacinal caiu nos últimos anos. Embora o Brasil continue sendo uma referência em imunização, a disseminação de informações falsas e a hesitação em relação às vacinas fizeram com que menos pessoas mantivessem a carteira de vacinação atualizada. Para quem vive com diabetes, esse cenário merece atenção, já que infecções podem evoluir de forma mais grave e dificultar o controle da glicemia.
Segundo o infectologista Dr. Igor Marinho, médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital São Camilo, pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver infecções e também de evoluir para formas mais graves dessas doenças.
“Viver com diabetes acaba proporcionando um risco maior para algumas infecções. O estado de hiperglicemia pode diminuir a atividade de células de defesa, tornando essas pessoas mais vulneráveis”, explica o especialista.
As 5 vacinas consideradas prioritárias para quem vive com diabetes
Segundo o especialista, além das vacinas previstas para toda a população, existem cinco imunizantes considerados prioritários para pessoas com diabetes. A recomendação segue o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e busca reduzir o risco de infecções que podem provocar internações e dificultar o controle da glicemia.
1. Vacina contra a gripe (influenza)
A vacina contra a gripe continua sendo uma das principais recomendações para pessoas com diabetes e deve ser aplicada todos os anos durante a campanha nacional de vacinação.
Segundo Dr. Igor Marinho, a vacina oferecida pelo SUS protege contra os vírus influenza que mais circulam atualmente e continua sendo uma excelente estratégia para prevenir formas graves da doença. Ele lembra que a imunização não impede totalmente a infecção, mas reduz significativamente o risco de complicações, hospitalizações e mortes.
2. Vacina contra a Covid-19
Mesmo após o fim da pandemia, a vacinação contra a Covid-19 continua recomendada para pessoas com diabetes.
O infectologista explica que quem convive com a doença faz parte do grupo com maior risco de evolução para quadros graves. Assim como ocorre com a gripe, o principal objetivo da vacina é evitar hospitalizações e complicações.
3. Vacina contra hepatite B
A recomendação da vacina contra hepatite B costuma surpreender muitos pacientes.
O motivo é que pessoas com diabetes realizam exames laboratoriais, testes de glicemia, aplicações de insulina e outros procedimentos envolvendo perfurações da pele com maior frequência ao longo da vida. Por isso, manter o esquema vacinal completo representa uma proteção adicional contra uma doença que pode permanecer silenciosa durante anos. Caso exista dúvida sobre as três doses da vacina, a orientação é verificar a carteira de vacinação e procurar uma unidade de saúde.
4. Imunização contra o tétano
A vacina antitetânica também faz parte das recomendações para pessoas com diabetes.
O cuidado é especialmente importante para quem apresenta neuropatia diabética. A perda de sensibilidade nos pés pode fazer com que pequenos cortes ou perfurações passem despercebidos, aumentando o risco de infecções graves caso a vacinação esteja em atraso.
5. Pneumocócica
A vacina pneumocócica protege contra diferentes tipos da bactéria pneumococo, responsável por doenças como pneumonia e meningite.
Essas infecções podem provocar descompensação da glicemia e aumentar o risco de internação. Por isso, a vacinação é considerada uma das principais medidas preventivas para quem vive com diabetes.
Por que pessoas com diabetes têm maior risco de infecções
O maior risco não está apenas na possibilidade de contrair um vírus ou uma bactéria, mas na forma como o organismo responde a essas infecções.
Segundo Dr. Igor Marinho, níveis elevados de glicose no sangue podem comprometer o funcionamento de células responsáveis pela defesa do organismo, como neutrófilos e leucócitos.
“São células que funcionam como soldados da primeira linha de defesa. Quando elas trabalham de forma menos eficiente, a infecção pode evoluir com maior gravidade”, afirma.
Além disso, pessoas com diabetes frequentemente convivem com outras condições, como doenças cardiovasculares, alterações circulatórias e neuropatia, fatores que também contribuem para aumentar o risco de complicações durante uma infecção.
Vacinas da rede privada também podem ampliar a proteção
Além das vacinas disponíveis gratuitamente pelo SUS, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda alguns imunizantes oferecidos apenas na rede privada.
Entre eles estão a vacina contra herpes-zóster, indicada para reduzir o risco da doença e de sequelas dolorosas; a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), recomendada principalmente para adultos acima de 50 anos; e as versões mais recentes da vacina pneumocócica, que ampliam a proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria pneumococo.
Vacinação também ajuda no controle do diabetes
Muitas pessoas associam a vacinação apenas à prevenção de infecções. No entanto, manter o calendário vacinal atualizado também ajuda a evitar episódios de descompensação glicêmica provocados por doenças agudas.
Infecções respiratórias, gripe, Covid-19 e pneumonia podem elevar rapidamente os níveis de glicose, aumentar a necessidade de insulina e favorecer internações. Nesse contexto, prevenir essas doenças significa também proteger o controle do diabetes e reduzir o risco de complicações.
Para o infectologista, a mensagem é simples.
“Proteger é melhor do que remediar. Vamos tentar nos vacinar para evitar sustos e problemas futuros.”
Antes de procurar uma unidade de saúde, vale conferir a carteira de vacinação e conversar com o médico ou com a equipe que acompanha o tratamento do diabetes. Muitas pessoas descobrem apenas na vida adulta que têm doses em atraso ou que fazem parte de grupos com recomendações específicas. Manter a vacinação em dia é uma estratégia que vai além da prevenção de infecções. Para quem vive com diabetes, ela também ajuda a reduzir o risco de complicações, hospitalizações e episódios de descontrole da glicemia.
