A temporada de gripe chega todo ano, mas para quem tem diabetes ela não é apenas desconforto passageiro. A infecção pelo vírus influenza pode dificultar muito o controle glicêmico. Nos casos mais graves, ela evolui para pneumonia e internação hospitalar. Por isso, a vacinação anual está entre as recomendações mais consistentes do calendário de saúde para essa população.
O Portal Um Diabético consultou o Dr. Igor Marinho, infectologista, para entender o que acontece com o organismo de quem tem diabetes quando o vírus entra em cena. Além disso, o especialista explica por que a vacina faz tanta diferença nesse contexto.
O que o vírus da gripe faz com a glicemia
Quando o organismo enfrenta uma infecção, ele libera hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina. Esses hormônios têm efeito direto sobre a glicemia: reduzem a eficácia da insulina e podem elevar o açúcar no sangue a níveis perigosos.
Para quem tem diabetes, esse processo é ainda mais delicado. O Dr. Igor Marinho explica que os pacientes com diabetes têm condições que favorecem infecções mais frequentes e, quando surgem, mais graves. Segundo o especialista, o estado hiperglicêmico pode causar uma atividade mais prejudicada de células de defesa, como os neutrófilos e os leucócitos que fazem fagocitose.
Na prática, essas células são a primeira linha de defesa do organismo. Quando a glicemia está elevada, elas ficam mais lentas e menos eficazes no combate ao vírus. Além disso, comorbidades frequentes em quem tem diabetes, como síndromes metabólicas e insuficiências vasculares, aumentam ainda mais a vulnerabilidade a complicações.
Por que a vacina da gripe é segura para quem tem diabetes
Uma dúvida comum é se a vacina pode causar algum problema para quem tem diabetes. A resposta é não. A vacina contra influenza disponível no SUS é do tipo inativada, feita com vírus mortos. Portanto, ela não causa a doença e é totalmente segura para pessoas com diabetes e outras condições crônicas.
De acordo com o Dr. Igor Marinho, a vacina de influenza protege contra três ou quatro tipos de vírus que causam gripe. No sistema público, está disponível a vacina trivalente, que protege contra influenza A H1N1, influenza A H3N2 e linhagens B. A única recomendação oficial, segundo o especialista, é evitar versões em spray nasal e optar pela versão injetável.
A vacina trivalente do SUS não inclui uma das linhagens B do influenza, presente apenas na versão quadrivalente do setor privado. No entanto, essa linhagem não circula no continente americano nos últimos anos. “Assim, a vacina pública oferece proteção adequada para a temporada”, orienta o médico.
Quem tem diabetes têm acesso gratuito pelo SUS
De acordo com o Ministério da Saúde, pessoas com diabetes fazem parte do grupo prioritário da campanha nacional. Por isso, têm direito à vacinação gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o país.
A Campanha de 2026 começou em 28 de março. Inicialmente voltada ao público prioritário, foi depois aberta a toda a população a partir dos 6 meses de idade, em função da antecipação e alta dos casos de influenza no país.
Os dados do Ministério da Saúde revelam, no entanto, um cenário preocupante: menos de 40% do público-alvo prioritário havia recebido a dose até o momento do levantamento. Foram aplicadas 18.709.829 doses de um total necessário de 47.424.778, o que significa que mais de 28 milhões de pessoas do grupo prioritário, incluindo diabéticos, ainda estavam desprotegidas.
Para se vacinar, basta ir a uma UBS com documento de identidade ou certidão de nascimento, CPF ou Cartão do SUS. Levar a caderneta de vacinação, quando possível, é recomendado.
Como reconhecer os sintomas da gripe
A gripe costuma surgir de forma repentina e se distingue de um resfriado pela intensidade dos sintomas. Os principais sinais são febre alta, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço intenso, tosse, dor de garganta, coriza e calafrios.
Para quem tem diabetes, esses sintomas exigem atenção redobrada ao monitoramento glicêmico. A infecção pode alterar significativamente os níveis de açúcar no sangue e exigir ajuste no tratamento.
Medidas complementares para reduzir o risco de contágio
A vacinação é a principal forma de proteção. No entanto, alguns cuidados simples também ajudam a reduzir a transmissão do vírus. Lavar as mãos com frequência ou usar álcool em gel, cobrir a boca ao tossir ou espirrar, evitar contato próximo com pessoas com sintomas gripais e manter os ambientes bem ventilados são atitudes que complementam a imunização.