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    Início - Unicamp desenvolve novo açúcar que pode reduzir o impacto na glicose; entenda como funciona
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    Unicamp desenvolve novo açúcar que pode reduzir o impacto na glicose; entenda como funciona

    Formulação feita com extratos vegetais apresentou menor índice glicêmico em testes com 25 voluntários, mas ainda precisa avançar antes de chegar ao mercado.
    Estefane Moitinho17 de outubro de 2026Nenhum comentário6 Mins Read
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    Açúcar em pó associado a novo açúcar desenvolvido pela Unicamp que reduziu a glicose em estudo
    Novo açúcar desenvolvido por pesquisadores da Unicamp foi avaliado em estudo que identificou redução da glicose.
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    Pesquisadores desenvolveram uma nova formulação de açúcar de cana que apresentou menor índice glicêmico em testes com 25 voluntários.

    A proposta é modificar a resposta do organismo ao consumo de açúcar a partir da combinação com compostos naturais extraídos de materiais que costumam ser pouco aproveitados pela indústria alimentícia.

    O desenvolvimento envolve pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e de outras instituições que integram a Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS).

    Apesar do resultado inicial, a descoberta ainda está em fase de desenvolvimento. Os testes não comprovam que o produto controle o diabetes ou previna a doença, e a formulação ainda não está disponível para compra.

    Como funciona o novo açúcar desenvolvido na Unicamp?

    A formulação utiliza sacarose, o açúcar comum extraído da cana-de-açúcar, combinada com extratos obtidos da película fina que envolve o amendoim e de grãos de café verde considerados defeituosos.

    Esses materiais contêm compostos fenólicos, substâncias naturais estudadas por suas propriedades antioxidantes e por sua possível atuação em diferentes processos do organismo. O aproveitamento desses componentes também pode dar uma nova utilidade a matérias-primas que nem sempre são valorizadas pela indústria.

    Para combinar os extratos ao açúcar, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada cocristalização. O processo modifica a estrutura dos cristais de sacarose, criando espaços que permitem incorporar os compostos vegetais e obter um ingrediente com características diferentes das do açúcar convencional.

    A equipe também modificou o método tradicional para aumentar a capacidade de incorporação dos extratos, preservando suas propriedades fenólicas. A intenção é desenvolver um ingrediente que possa ser utilizado pela indústria de alimentos sem alterar significativamente as características dos produtos.

    Os testes mostraram uma resposta glicêmica diferente

    Para avaliar a formulação, os pesquisadores realizaram um ensaio com 25 voluntários ao longo de seis dias. Em diferentes sessões, os participantes consumiram glicose pura e formulações de açúcar com diferentes combinações de extratos. A glicemia foi monitorada durante duas horas após cada consumo.

    Entre as versões avaliadas, a formulação que reuniu os extratos da película do amendoim e do café verde apresentou o resultado mais promissor, com redução significativa do índice glicêmico em comparação com a sacarose convencional.

    O índice glicêmico (IG) é uma medida utilizada para comparar a resposta da glicose no sangue após o consumo de alimentos que contêm carboidratos. Em geral, ele ajuda a indicar a velocidade com que esses carboidratos provocam elevação da glicemia.

    Segundo os resultados preliminares divulgados pelos pesquisadores, a formulação combinada fez com que o índice glicêmico passasse da faixa média para a baixa. Isso não significa que o produto deixe de elevar a glicose no sangue, mas indica uma resposta diferente nas condições avaliadas pelo estudo.

    A glicemia também depende da quantidade consumida, dos outros alimentos ingeridos e das características de cada pessoa. Por isso, o índice glicêmico não deve ser analisado isoladamente para determinar se um alimento é adequado para todos.

    Como os testes envolveram 25 voluntários e avaliaram a resposta em um período limitado, os resultados ainda precisam ser confirmados por novas pesquisas. Não é possível concluir, com esses dados, que todas as pessoas terão a mesma resposta ou que o produto trará benefícios duradouros para a saúde.

    O novo açúcar tem menos calorias?

    Ainda não se sabe se a formulação tem menos calorias do que o açúcar convencional. Segundo a equipe responsável pelo projeto, a estimativa inicial é de que o valor energético seja semelhante ao da sacarose comum, mas essa característica ainda precisa ser testada.

    O objetivo principal da pesquisa foi desenvolver um ingrediente com menor índice glicêmico, e não necessariamente um açúcar com menos calorias. Portanto, o resultado não permite classificar o produto como uma opção de baixa caloria nem concluir que ele possa ser consumido sem moderação.

    O novo açúcar pode influenciar o metabolismo?

    Os pesquisadores também querem investigar se a formulação pode ter efeitos além da redução do índice glicêmico. Os compostos fenólicos presentes na película do amendoim e nos grãos de café verde são estudados por sua possível atuação em processos metabólicos do organismo.

    A hipótese é que a absorção mais lenta dos carboidratos possa influenciar a resposta da glicose no sangue. No entanto, ainda não há evidências de que o novo açúcar melhore o metabolismo a longo prazo ou previna o diabetes tipo 2.

    Os testes com 25 voluntários representam uma etapa inicial. Para confirmar possíveis benefícios, serão necessários estudos maiores e com acompanhamento prolongado. Até lá, o produto não deve ser considerado uma estratégia comprovada de prevenção ou controle do diabetes.

    O que muda para quem tem diabetes?

    Por enquanto, a descoberta não altera as orientações alimentares para quem convive com diabetes. Embora a formulação tenha apresentado menor índice glicêmico nos testes, ainda não existem evidências suficientes para recomendar seu uso como estratégia de controle da glicose.

    Um índice glicêmico menor também não significa que o açúcar possa ser consumido livremente. A quantidade de carboidratos ingerida continua sendo importante, assim como o planejamento alimentar e as orientações individualizadas dos profissionais de saúde.

    Para avaliar se o novo ingrediente pode trazer benefícios para pessoas com diabetes, serão necessárias pesquisas específicas que investiguem a resposta glicêmica em diferentes situações e possíveis efeitos ao longo do tempo.

    Em que etapa está o novo açúcar?

    A tecnologia já alcançou os níveis 5 e 6 de maturidade tecnológica, em uma escala internacional que vai de 1 a 9. Essa classificação indica que o desenvolvimento avançou para etapas de validação do produto, do processo e de suas possíveis aplicações. Isso representa progresso na pesquisa, mas não significa que o açúcar esteja aprovado para comercialização.

    Os pesquisadores também depositaram um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A tecnologia será oferecida às empresas interessadas na forma de um pacote tecnológico para licenciamento e possível produção em escala industrial.

    A PBIS reúne instituições de pesquisa, empresas do setor alimentício e outras organizações para desenvolver ingredientes e processos industriais. As empresas interessadas em levar o novo ingrediente ao mercado deverão conduzir as etapas seguintes de desenvolvimento e os procedimentos regulatórios aplicáveis.

    Até o momento, não há previsão confirmada de quando o novo açúcar estará disponível para compra.

    Novas pesquisas devem esclarecer os possíveis benefícios

    Além de investigar a viabilidade de produção, os pesquisadores pretendem ampliar os estudos sobre a formulação, incluindo possíveis efeitos na microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que vive no intestino. Essa investigação deverá ser realizada em parceria com a Universidade de Bolonha, na Itália.

    Os estudos poderão ajudar a esclarecer se a combinação dos extratos vegetais com a sacarose produz efeitos que vão além da resposta glicêmica observada inicialmente. Por enquanto, porém, essa possibilidade ainda precisa ser investigada.

    A principal contribuição da pesquisa, até o momento, é demonstrar que a formulação apresentou menor índice glicêmico nos testes realizados. Ainda será necessário confirmar se o resultado se mantém em outras condições e se pode trazer benefícios relevantes para a saúde a longo prazo.

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    Estefane Moitinho

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