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    Início - Como era o tratamento do diabetes quando o Brasil ganhou sua última Copa do Mundo?
    História

    Como era o tratamento do diabetes quando o Brasil ganhou sua última Copa do Mundo?

    Da NPH aos sensores de glicose, a estreia do Brasil na Copa de 2026 mostra o quanto o tratamento do diabetes evoluiu desde o pentacampeonato.
    Tom Bueno13 de junho de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Diabetes e copa do mundo
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    Hoje o Brasil estreia na Copa do Mundo de 2026. A data também convida a uma viagem no tempo para entender como era a realidade de quem vivia com diabetes quando a Seleção Brasileira conquistou seu último título mundial.

    Quando o Brasil foi campeão do mundo pela última vez, essa era a realidade de quem tinha diabetes no país.

    Em 2002, o controle glicêmico era baseado principalmente na glicemia de jejum, na glicemia capilar e no teste oral de tolerância à glicose, conhecido como curva glicêmica. A hemoglobina glicada já era utilizada no acompanhamento dos pacientes, mas ainda não fazia parte dos critérios diagnósticos adotados atualmente.

    Naquele período, o acesso ao monitoramento também era mais limitado. Os glicosímetros já existiam no Brasil, porém estavam longe da realidade de muitos pacientes. Em diversas regiões do país, o acesso dependia de iniciativas locais ou da compra direta dos equipamentos e das tiras reagentes pelas famílias.

    A legislação que garantiu a distribuição gratuita de medicamentos e insumos para pessoas com diabetes pelo Sistema Único de Saúde ainda não existia. A Lei nº 11.347, que ampliou esse direito, seria sancionada apenas quatro anos depois, em 2006.

    Outro detalhe que ajuda a entender o contexto daquele período é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, tinha apenas três anos de existência. O órgão regulador havia sido criado em 1999 e ainda consolidava sua atuação na avaliação e aprovação de medicamentos e tecnologias em saúde.

    NPH e Regular eram as principais opções para quem usava insulina

    Para as pessoas com diabetes tipo 1, as alternativas terapêuticas eram muito mais limitadas do que as disponíveis atualmente.

    As insulinas NPH e Regular eram as principais ferramentas para o controle glicêmico. Os análogos de insulina ainda não faziam parte da rotina da maior parte dos brasileiros.

    Foi justamente naquele período que a insulina glargina começou a chegar ao mercado nacional. No entanto, o alto custo dificultava o acesso para grande parte da população.

    Como consequência, muitos pacientes precisavam adaptar refeições, atividade física e compromissos diários aos horários e aos picos de ação das insulinas disponíveis.

    Atualmente, além da glargina, existem opções como degludeca, detemir e análogos ultrarrápidos, que oferecem maior flexibilidade e previsibilidade no tratamento.

    A internet ainda engatinhava e as comunidades sobre diabetes praticamente não existiam

    Em 2002, as redes sociais ainda não faziam parte da rotina dos brasileiros. O Orkut, que se tornaria uma febre nacional, só seria lançado dois anos depois.

    Por isso, o acesso à informação era muito diferente do que existe atualmente.

    Grande parte do conhecimento sobre diabetes era obtida durante as consultas médicas, em materiais impressos ou por meio dos veículos tradicionais de comunicação.

    Além disso, a internet rápida ainda estava longe da realidade da maioria das famílias brasileiras.

    Sensores de glicose eram uma tecnologia distante

    Os primeiros sistemas de monitorização contínua da glicose começavam a surgir em alguns países, mas ainda estavam restritos a centros especializados e pesquisas.

    Na prática, a rotina dos pacientes era baseada nas medições feitas por meio das tradicionais picadas nos dedos.

    Não existiam sensores capazes de mostrar tendências glicêmicas em tempo real.

    Não existiam alarmes para alertar sobre episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia.

    Não existiam aplicativos para compartilhar dados com profissionais de saúde ou familiares.

    Hoje, a realidade é completamente diferente.

    Sensores modernos conseguem monitorar a glicose continuamente, enviar alertas para dispositivos móveis e oferecer informações que ajudam na tomada de decisão ao longo do dia.

    O tratamento do diabetes mudou além da tecnologia

    As transformações não aconteceram apenas na monitorização.

    O tratamento do diabetes tipo 2 também passou por uma revolução nas últimas duas décadas.

    Em 2002, as principais opções medicamentosas incluíam metformina e sulfonilureias. Desde então, novas classes terapêuticas foram incorporadas à prática clínica, incluindo agonistas do receptor de GLP-1 e inibidores de SGLT2.

    Além do controle glicêmico, muitos desses medicamentos passaram a demonstrar benefícios cardiovasculares e renais, ampliando as possibilidades de tratamento para milhões de pessoas.

    Ao mesmo tempo, ferramentas digitais para contagem de carboidratos, cálculo de doses de insulina e acompanhamento remoto passaram a fazer parte da rotina de muitos pacientes.

    O que mudou desde o pentacampeonato

    Quando o Brasil conquistou a Copa do Mundo de 2002, a realidade de quem vivia com diabetes era marcada por menos opções terapêuticas, menor acesso à informação e recursos tecnológicos bastante limitados.

    Passadas mais de duas décadas, a ciência transformou profundamente a forma de diagnosticar, monitorar e tratar a doença.

    Sensores de glicose, análogos de insulina, medicamentos inovadores, aplicativos de saúde e políticas públicas voltadas ao acesso ao tratamento mudaram a vida de milhões de pessoas.

    A comparação entre 2002 e 2026 mostra que a evolução do diabetes não aconteceu apenas nos consultórios e laboratórios. Ela chegou ao cotidiano dos pacientes e alterou a maneira como a doença é acompanhada todos os dias.

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    Tom Bueno

    Fundador & CEO | Jornalista e Criador de Conteúdo - Tom é jornalista experiente, com mais de 17 anos de carreira em televisão, tendo atuado como repórter e apresentador nas principais emissoras do país. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 22 anos, transformou sua trajetória pessoal em uma missão profissional. Além de liderar o Um Diabético, também realiza documentários e curtas com foco em saúde e impacto social. É reconhecido como um dos principais porta-vozes do diabetes no Brasil, dando voz e visibilidade a milhares de pessoas que convivem com a condição.

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