Uma nova consulta pública sobre a incorporação do sensor de glicose no Sistema Público de Saúde (SUS) para pessoas com diabetes tipo 1 começou nesta quarta-feira (29). A etapa faz parte da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e permite que pacientes, profissionais de saúde, pesquisadores e entidades enviem contribuições antes da decisão final do Ministério da Saúde.
O período para participação termina em 17 de agosto de 2026. Para contribuir, é necessário fazer login com uma conta gov.br no portal da consulta pública.
A abertura da consulta ocorre poucas semanas após a Conitec emitir um parecer preliminar desfavorável à incorporação do sensor de glicose. Apesar disso, a análise ainda não foi encerrada.

O que está em consulta pública
A Consulta Pública nº 63/2026 vai ouvir a opinião da população sobre a possibilidade de o sensor de glicose passar a ser oferecido pelo SUS para pessoas com diabetes tipo 1.
Antes de enviar uma manifestação, a Conitec orienta que os participantes leiam um dos documentos disponíveis:
- Relatório Técnico;
- Relatório para a Sociedade.
As contribuições podem ser feitas por qualquer cidadão, desde que esteja autenticado no portal gov.br.
A Conitec também informa que a sessão permanece ativa por 30 minutos. Caso o sistema apresente a mensagem de manutenção, a orientação é atualizar a página pressionando a tecla F5. Se o problema continuar, o participante pode enviar uma captura da tela para os e-mails [email protected] e [email protected].
Por que a consulta pública foi aberta mesmo com parecer desfavorável?
No início de julho, durante a 153ª Reunião Ordinária da Conitec, realizada em 3 de julho de 2026, o comitê analisou pela primeira vez o pedido de incorporação do sistema de monitoramento contínuo da glicose em tempo real para pessoas com diabetes tipo 1.
Na ocasião, a deliberação registrada foi:
“Recomendado o encaminhamento à consulta pública com parecer desfavorável.”
Isso significa que a comissão apresentou uma recomendação inicial para não incorporar a tecnologia ao SUS. No entanto, esse entendimento ainda não representa a decisão definitiva.
Nesse contexto, o processo da Conitec prevê justamente a realização de uma consulta pública para que pacientes, profissionais, pesquisadores, sociedades médicas e entidades representativas apresentem estudos científicos, informações técnicas e relatos de experiência.
Somente depois da análise dessas contribuições a comissão poderá manter ou modificar seu posicionamento antes da decisão final do Ministério da Saúde.
Entenda o histórico da avaliação dos sensores de glicose
Esta não é a primeira vez que a Conitec avalia sensores de glicose para pessoas com diabetes. Em 6 de dezembro de 2024, durante a 136ª Reunião Ordinária, a comissão concluiu a análise do sistema flash de monitoramento de glicose para pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2.
Naquele processo, mesmo após uma consulta pública com manifestações de pacientes, familiares, profissionais de saúde, sociedades médicas e entidades representativas, a recomendação final foi pela não incorporação da tecnologia ao SUS.
Após a decisão, as endocrinologistas Karla Melo e Luciana Bahia, representantes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), comentaram o resultado em entrevista ao Portal Um Diabético.
Segundo Karla Melo, havia expectativa de incorporação pelos benefícios já demonstrados em estudos clínicos e pelo impacto da tecnologia na rotina das pessoas com diabetes tipo 1.
“Após tanto trabalho para a construção do dossiê, discussões, enfim, desanima. As nossas intenções em relação à nossa saúde pública e principalmente para a incorporação de tecnologias disruptivas que podem de fato mudar o controle, a qualidade de vida, a vida como um todo de uma pessoa. Especificamente nesse caso agora, com diabetes tipo 1, que tem tantas decisões a serem tomadas no dia a dia e que essas tecnologias novas ajudam no enfrentamento das barreiras que nós enfrentamos.”
Agora, em 2026, a Conitec voltou a discutir o acesso aos sensores por meio de um novo processo. Desta vez, a avaliação envolve o monitoramento contínuo da glicose em tempo real (rt-CGM). Ainda assim, a análise começou novamente com parecer preliminar desfavorável.
Como funciona o sensor de glicose
Os sistemas de monitoramento contínuo da glicose permitem acompanhar os níveis de glicose durante o dia e durante a noite sem a necessidade de realizar múltiplas medições capilares ao longo da rotina.
Além disso, estudos científicos apontam benefícios para pessoas com diabetes tipo 1, entre eles:
- redução dos episódios de hipoglicemia;
- aumento do Tempo na Faixa Alvo (Time in Range);
- melhora da hemoglobina glicada (HbA1c);
- maior segurança durante o sono;
- melhora da qualidade de vida de pacientes e familiares.
Por esse motivo, sociedades científicas brasileiras e internacionais recomendam o uso do monitoramento contínuo da glicose para pessoas com diabetes tipo 1.
Acesso ao sensor ainda depende do local onde o paciente mora
Embora ainda não exista uma política nacional para oferta dos sensores pelo SUS, o monitoramento contínuo da glicose já integra programas públicos em diferentes regiões do país.
Atualmente, mais de 50 municípios brasileiros, além de alguns estados, oferecem sensores de glicose por meio de protocolos próprios.
No entanto, cada programa estabelece critérios diferentes para definir quem pode receber o dispositivo.
Em alguns locais, o benefício contempla crianças e adolescentes. Em outros, inclui gestantes, pessoas com histórico de hipoglicemias graves ou pacientes com maior dificuldade para controlar a glicemia.
Além disso, as formas de financiamento também variam entre recursos municipais, estaduais, emendas parlamentares e outras fontes de custeio.
Na prática, isso faz com que o acesso dependa do município ou do estado onde a pessoa vive.
O que aconteceria se a recomendação fosse favorável?
Uma recomendação favorável da Conitec não significa que a tecnologia passaria automaticamente a ser distribuída pelo SUS.
No entanto, ela representa uma das etapas mais importantes do processo de incorporação.
Se a recomendação final for positiva, o Ministério da Saúde poderá avançar para a criação de uma política nacional para o monitoramento contínuo da glicose.
Isso permitiria elaborar um protocolo clínico com critérios únicos para indicação do sensor, definição do público elegível, organização da distribuição e modelo de financiamento em todo o país.
Como consequência, haveria redução das diferenças existentes entre estados e municípios e maior possibilidade de acesso para pessoas que atualmente dependem de programas locais ou de decisões judiciais.
Próximo passo depende das contribuições enviadas
Com a abertura da consulta pública, pacientes, profissionais de saúde, pesquisadores, entidades científicas e associações poderão encaminhar estudos científicos, informações técnicas e relatos de experiência sobre o uso do monitoramento contínuo da glicose.
Depois da análise desse material, a Conitec decidirá se mantém ou altera sua recomendação antes do envio do parecer final ao Ministério da Saúde.
Até lá, o processo de incorporação permanece em andamento.
Como participar da consulta pública
- Acesse a página da Consulta Pública nº 63/2026.
- Entre com sua conta gov.br. Quem ainda não possui cadastro precisa criar uma conta.
- Leia o Relatório Técnico ou o Relatório para a Sociedade, que apresenta as informações de forma mais simples.
- Clique na opção para enviar sua contribuição.
- Escolha o tipo de participação e responda às perguntas apresentadas.
- Explique sua opinião sobre a oferta do sensor de glicose em tempo real pelo SUS. Também é possível enviar relatos de experiência e informações técnicas.
- Revise as respostas e envie a contribuição até 17 de agosto de 2026.
Atenção: após o login, a sessão termina em 30 minutos. Caso apareça a mensagem “sistema em manutenção”, atualize a página com a tecla F5.