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    Sentir muito frio nos pés é normal? Entenda a relação com o diabetes

    Pés frios podem ser comuns no inverno, mas alguns sinais merecem atenção de quem tem diabetes.
    Estefane Moitinho16 de setembro de 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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    sentir muito frio nos pes e normal entenda a relacao com o diabetes
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    Basta a temperatura cair para algumas partes do corpo denunciarem o frio antes das outras.

    As mãos ficam geladas, os dedos parecem perder o calor e, para algumas pessoas, os pés permanecem frios mesmo depois de algum tempo dentro de casa.

    Quando isso acontece com frequência, uma dúvida pode surgir: será que é apenas uma reação ao inverno ou existe alguma relação com o diabetes?

    A resposta depende do contexto. A sensação de frio, sozinha, não indica necessariamente uma complicação. Mas, quando aparece de forma persistente ou vem acompanhada de dormência, formigamento, dor ou mudanças na pele, merece ser investigada. Em pessoas com diabetes, alterações nos nervos e na circulação podem interferir na forma como os pés percebem e respondem às mudanças de temperatura.

    Os cuidados também não terminam na tentativa de proteger os pés do frio. Para quem apresenta redução da sensibilidade, uma tentativa de aquecimento inadequada pode provocar justamente o problema que se queria evitar.

    Quando o frio nos pés deixa de ser apenas frio?

    O organismo possui mecanismos para preservar o calor quando a temperatura ambiente diminui. Entre eles está a contração dos vasos sanguíneos próximos à superfície da pele, o que pode fazer com que mãos e pés fiquem mais frios.

    Por isso, sentir os pés gelados depois de passar algum tempo em um ambiente frio pode ser uma reação esperada.

    A situação muda quando a sensação é frequente, muito intensa ou não parece acompanhar a temperatura do ambiente. Nesses casos, é importante observar se existem outros sintomas.

    Uma das possíveis relações com o diabetes está na neuropatia periférica diabética. A condição ocorre quando há comprometimento dos nervos, podendo alterar a percepção de estímulos como toque, dor, frio e calor.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a neuropatia periférica pode comprometer a capacidade de discriminar frio e calor. Isso significa que a percepção da temperatura pode ficar diferente em quem apresenta essa complicação.

    Na prática, isso merece atenção porque a pessoa pode não perceber adequadamente uma temperatura muito elevada ao tentar aquecer os pés.

    Segundo a Dra. Amanda Martins, médica que orienta sobre os cuidados com os pés durante o frio reforça que o objetivo deve ser manter a região protegida, sem recorrer a fontes de calor direto.

    “Mantenham os pés aquecidos. Quando eu digo aquecidos, eu me refiro a utilizar meia, não andar descalço, evitar deixar os pés expostos a temperaturas muito geladas.”

    A especialista destaca ainda a importância desse cuidado para quem apresenta neuropatia ou doença circulatória.

    “Principalmente para quem tem neuropatia (…) e para quem tem doença circulatória.”

    A presença de diabetes, portanto, não significa que todo episódio de pés frios tenha relação com a doença. O que importa é observar o conjunto de sintomas e, quando necessário, buscar uma avaliação.

    A circulação também entra nessa história

    Outra possibilidade que precisa ser considerada é a circulação sanguínea.

    Algumas pessoas com diabetes podem desenvolver doença arterial periférica, condição que reduz o fluxo de sangue para as pernas e os pés. Dependendo do caso, podem surgir sintomas como dor durante a caminhada, alterações na pele e sensação de frio nos pés.

    Isso não significa que ter os pés frios seja suficiente para identificar um problema circulatório. O diagnóstico depende de avaliação clínica e, quando necessário, de exames.

    A diferença também pode estar na persistência do sintoma. Um pé que fica frio por causa do ambiente é uma situação diferente de uma alteração que aparece repetidamente ou acompanha outros sinais.

    Por isso, quando a sensação de frio é nova ou mudou de padrão, vale mencionar o sintoma durante a consulta.

    O perigo pode estar na tentativa de aquecer

    Quando os pés estão gelados, a reação mais intuitiva é tentar recuperar o calor rapidamente. É justamente nesse momento que pessoas com alteração da sensibilidade precisam ter cuidado.

    Bolsa de água quente, escalda-pés, água muito quente, cobertores elétricos ou a aproximação dos pés de aquecedores podem provocar queimaduras.

    O problema é que a redução da sensibilidade pode impedir que a pessoa perceba imediatamente que a temperatura está excessiva.

    Ela também alerta para esse risco:

    “De maneira nenhuma utilizar substâncias ou líquidos quentes. Bolsa de água quente, escalda-pé, qualquer coisa que esquente.”

    A orientação da SBD segue a mesma linha. A entidade recomenda evitar fontes de calor direto e verificar a temperatura da água antes de colocar os pés nela, especialmente quando existe alteração da sensibilidade.

    Uma queimadura nos pés não deve ser tratada como um machucado sem importância. Dependendo das condições da pessoa, uma lesão pode evoluir e exigir acompanhamento.

    Por isso, a melhor estratégia é proteger os pés do frio, e não submetê-los a uma mudança brusca de temperatura.

    Meias e calçados ajudam na proteção

    Manter os pés aquecidos não significa deixá-los próximos a uma fonte de calor. Meias confortáveis e calçados adequados podem ajudar a reduzir a exposição ao frio.

    As meias não devem apertar os dedos ou o tornozelo nem deixar marcas importantes na pele. O calçado, por sua vez, precisa acomodar os dedos sem criar pontos de pressão ou atrito.

    A SBD considera o uso de calçados adequados uma das medidas importantes para prevenir lesões nos pés. A recomendação inclui atenção ao espaço para os dedos, ao ajuste e a possíveis pontos de atrito.

    Andar descalço também deve ser evitado por pessoas com maior risco de lesões. Além do contato com o chão frio, existe a possibilidade de pisar em pequenos objetos ou sofrer traumas sem perceber.

    Antes de calçar um sapato, também é importante verificar seu interior. Uma pedra, uma dobra da palmilha ou outro objeto pode provocar uma lesão.

    O inverno pode favorecer rachaduras na pele

    O frio também traz outro desafio: a pele pode ficar mais ressecada.

    Nos pés, esse ressecamento pode favorecer descamação e rachaduras. Quando a pele perde sua integridade, pequenas fissuras podem facilitar a entrada de microrganismos.

    A hidratação pode ajudar a manter a pele protegida. Cremes hidratantes devem ser aplicados nas áreas ressecadas, mas sem passar entre os dedos.

    Essa região precisa permanecer seca. Depois do banho, os pés devem ser bem secos, inclusive entre os dedos, para evitar o acúmulo de umidade.

    O cuidado parece simples, mas faz parte da prevenção de problemas que podem começar com uma alteração pequena na pele.

    Por que olhar os pés todos os dias?

    Os pés passam boa parte do inverno escondidos por meias e calçados. Para quem tem diabetes, isso não deve significar deixar de observá-los.

    A inspeção diária permite perceber alterações antes que elas evoluam. A recomendação é observar a parte de cima e a sola dos pés, os calcanhares e o espaço entre os dedos.

    Cortes, bolhas, rachaduras, vermelhidão, inchaço, mudanças de cor ou qualquer lesão nova devem chamar atenção.

    Esse cuidado ganha ainda mais importância quando existe neuropatia. Uma bolha provocada pelo calçado ou uma pequena queimadura pode não causar dor suficiente para despertar a atenção da pessoa.

    A SBD recomenda a avaliação periódica dos pés e o acompanhamento do risco de lesões de acordo com as características de cada pessoa.

    Pé -diabético: o que fazer para evitar problemas nos pés se você tem diabetes?   DiabetesCast #43

    Quando o frio nos pés precisa ser investigado?

    Mais importante do que a temperatura registrada no ambiente é observar como os pés reagem e se a sensação vem acompanhada de outras alterações.

    Dormência, formigamento, queimação, perda de sensibilidade, dor ao caminhar, mudança na cor da pele, inchaço ou diferença de temperatura entre os dois pés são sinais que merecem avaliação.

    Isso não significa que esses sintomas tenham necessariamente uma única causa ou que indiquem uma complicação do diabetes. A avaliação profissional é necessária para entender o que está acontecendo.

    Em caso de ferida, alteração importante na cor ou temperatura do pé, secreção, inchaço ou outros sinais novos, a orientação é procurar atendimento. Tentar resolver o problema apenas aquecendo a região pode atrasar a identificação da causa.

    O cuidado com os pés vai além do inverno

    O Portal Um Diabético já mostrou os principais cuidados para proteger os pés durante o inverno. A atenção ao frio, porém, é apenas uma parte de uma rotina que deve continuar durante todo o ano.

    Para quem tem diabetes, observar os pés diariamente, manter a pele hidratada, escolher calçados adequados e evitar andar descalço são medidas que ajudam a reduzir o risco de lesões.

    Nos dias frios, o cuidado adicional está em manter os pés protegidos sem usar calor direto.

    Sentir os pés frios em um dia gelado pode fazer parte da resposta normal do corpo à temperatura. Já quando a sensação é muito intensa, persistente ou aparece junto de dormência, formigamento, dor ou mudanças na pele, vale investigar.

    Em vez de simplesmente tentar deixar os pés quentes, o mais importante é entender quando aquela sensação está dentro do esperado e quando pode ser um sinal de que algo precisa de atenção.

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    Estefane Moitinho

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