Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, ampliou o protocolo do programa municipal de sensores de glicose.
A iniciativa oferece gratuitamente o monitoramento contínuo a crianças e adolescentes com diabetes tipo 1. Conduzida pela Secretaria de Saúde do município, ela começou em agosto de 2024, atendendo pacientes de 4 a 13 anos. Hoje, o público contemplado vai de 2 anos até 17 anos, 11 meses e 29 dias. A mudança já beneficia diretamente famílias cadastradas na rede municipal.
Atualmente, 60 pacientes recebem o sensor FreeStyle Libre 2 pelo programa. Segundo a Secretaria de Saúde, o município também trabalha em uma nova ampliação do público atendido, que será divulgada em breve. A expectativa é que mais famílias sejam incluídas nos próximos meses.
Como funciona o programa
O programa oferece o sensor de glicose gratuitamente a pacientes insulinodependentes cadastrados na rede municipal. A tecnologia permite o monitoramento em tempo real pelo celular. Assim, pais e responsáveis conseguem acompanhar a glicemia à distância, inclusive quando a criança está na escola ou longe de casa.
Na prática, o sensor elimina a necessidade das picadas constantes no dedo para medição da glicose. Esse é um dos aspectos mais desgastantes da rotina de quem convive com diabetes tipo 1 desde a infância. Para famílias como a de Matheus, a mudança representa não só mais praticidade, mas também mais tranquilidade no convívio diário com a doença.
Matheus: do início do programa à vida adulta do cuidado
Matheus Marcos de Souza tem 14 anos e convive com diabetes tipo 1 desde os 2 anos de idade. Há cinco anos, ele começou a usar o sensor de glicose FreeStyle Libre, e sua rotina mudou desde então. Ele parou de furar o dedo várias vezes ao dia para medir a glicose, um alívio sentido por toda a família.
Há dois anos, o adolescente passou a integrar o programa da Secretaria de Saúde de Santana de Parnaíba. Hoje ele é beneficiado diretamente pela ampliação da faixa etária, já que em 2024, quando o programa começou, o limite era de 13 anos.
Para a mãe de Matheus, Zélia, a mudança trouxe mais segurança e qualidade de vida à rotina da família. Com o novo método de monitoramento da glicose, o adolescente ganhou liberdade para se dedicar a outras atividades.
Ele estuda pela manhã e faz natação duas vezes por semana, já com medalhas conquistadas. O Libre também funciona como aliado na segurança do dia a dia. Em caso de hipoglicemia, o sensor de glicose emite um alerta, e a conduta orientada é oferecer água com açúcar para normalizar a glicemia.
Hoje, aos 14 anos, Matheus segue o acompanhamento com endocrinologista e nutricionista voltados ao público adulto, devido à idade. Ele dá continuidade, assim, a um cuidado iniciado ainda na primeira infância.
Resultados preliminares e desafios de sustentabilidade
Segundo a Secretaria de Saúde, as avaliações preliminares do programa são positivas. Os dados apontam redução na procura por serviços de pronto atendimento por intercorrências ligadas ao diabetes entre os pacientes acompanhados.
O monitoramento contínuo também favorece a identificação precoce de alterações glicêmicas. Isso permite uma atuação mais rápida do paciente ou do responsável diante de oscilações na glicemia. Os indicadores assistenciais seguem em consolidação para uma avaliação mais abrangente dos resultados do programa.
Entre os principais desafios está a sustentabilidade financeira da iniciativa, já que se trata de uma tecnologia que exige investimento contínuo. Por isso, o planejamento e o acompanhamento permanente são fundamentais. Eles garantem a continuidade do atendimento e possibilitam sua ampliação de forma responsável.
A boa adesão das famílias ao uso da tecnologia também é apontada como um ponto de atenção pela gestão municipal. Familiarizar pais e responsáveis com o aplicativo de monitoramento é parte desse processo de adaptação. Para o município, o desafio agora é equilibrar a ampliação do público atendido com a garantia de continuidade do programa a longo prazo.
