A pneumonia é uma das infecções que mais preocupam quando o assunto é diabetes. Isso porque pessoas que convivem com a doença podem apresentar maior risco de desenvolver quadros graves, especialmente quando a glicemia está descontrolada. Ainda assim, uma dúvida aparece com frequência entre pacientes e familiares: afinal, quem tem diabetes pode receber a vacina contra pneumonia gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)?
A resposta passa pelo calendário de vacinação recomendado para esse público e pelas diferenças entre as vacinas disponíveis na rede pública e na rede privada.
Segundo o infectologista Igor Marinho, médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, do Hospital Israelita Albert Einstein e do Hospital São Camilo, pessoas com diabetes fazem parte dos grupos que têm indicação para receber a vacina pneumocócica, responsável por proteger contra infecções causadas pela bactéria pneumococo.
Essa bactéria está entre as principais causas de pneumonia bacteriana, mas também pode provocar outras doenças graves, como meningite e infecções na corrente sanguínea.
Por que pessoas com diabetes precisam dessa proteção?
De acordo com Igor Marinho, o próprio diabetes pode tornar o organismo mais vulnerável às infecções.
Ele explica que níveis elevados de glicose no sangue podem comprometer o funcionamento de células importantes do sistema imunológico, como neutrófilos e leucócitos, que atuam na identificação e no combate a vírus e bactérias. Com essa resposta de defesa menos eficiente, aumenta a chance de uma infecção evoluir para formas mais graves.
Além disso, muitas pessoas com diabetes convivem com outras condições de saúde, como doenças cardiovasculares e alterações da circulação, fatores que também podem contribuir para o aumento do risco de complicações durante uma infecção.
Por esse motivo, a vacinação faz parte das estratégias de prevenção recomendadas para esse público.
O que a vacina contra pneumonia protege?
Durante a entrevista, o infectologista explica que a vacina pneumocócica ajuda a prevenir formas graves de pneumonia e também oferece proteção contra doenças provocadas pela bactéria pneumococo, incluindo alguns casos de meningite.
Ela integra o conjunto de vacinas recomendadas para pessoas com diabetes, ao lado dos imunizantes contra influenza, Covid-19, hepatite B e tétano.
Segundo o especialista, manter esse calendário atualizado é uma forma de reduzir o risco de hospitalizações e de complicações que podem ser mais frequentes entre pessoas que vivem com diabetes.
Existe diferença entre a vacina oferecida pelo SUS e a da rede privada?
Essa também é uma dúvida comum. Segundo Igor Marinho, o SUS disponibiliza vacinas pneumocócicas que protegem contra 10 ou 13 sorotipos da bactéria pneumococo. Já na rede privada existem versões mais recentes, capazes de ampliar essa cobertura para 15 ou 20 sorotipos.
Na avaliação do infectologista, quem tem condições financeiras pode conversar com o médico sobre a possibilidade de receber essas vacinas mais recentes. No entanto, isso não significa que a vacina disponível no SUS deixe de ser importante.
O especialista reforça que a imunização oferecida pela rede pública continua sendo uma ferramenta fundamental para prevenir formas graves da doença e faz parte das recomendações para pessoas com diabetes.
Onde a vacina pode ser encontrada?
As vacinas recomendadas para pessoas com diabetes estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e, em algumas situações específicas, também nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), que atendem pacientes com condições clínicas que exigem esquemas diferenciados de vacinação.
Em caso de dúvidas sobre indicação, disponibilidade ou necessidade de doses adicionais, a orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima ou conversar com o médico responsável pelo acompanhamento do diabetes.
Para Igor Marinho, a vacinação deve ser encarada como parte do tratamento da doença, assim como o controle da glicemia, a alimentação equilibrada e a prática de atividade física. Afinal, reduzir o risco de infecções também significa diminuir a possibilidade de complicações que podem comprometer a saúde e a qualidade de vida de quem convive com diabetes.