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    Primeira insulina semanal aprovada pela Anvisa pode chegar ao Brasil ainda em 2026

    Redação8 de julho de 2026Nenhum comentário9 Mins Read
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    Insulina semanal
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    Poucas inovações mudaram tanto a forma de tratar o diabetes nas últimas décadas quanto as insulinas de ação prolongada. Agora, uma nova etapa dessa evolução está prestes a começar no Brasil.

    Depois de receber aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2025, a Awiqli® (insulina icodeca), desenvolvida pela Novo Nordisk, poderá chegar ao mercado brasileiro ainda em 2026, tornando-se a primeira insulina basal de aplicação semanal disponível no país. A tecnologia representa uma mudança importante para milhões de pessoas que dependem de aplicações diárias de insulina basal.

    Em nota divulgada após a aprovação da Anvisa, a empresa reforçou que o produto permanece sem previsão oficial de chegada às farmácias.

    A expectativa é de que o lançamento aconteça ainda em 2026, caso sejam concluídas as etapas comerciais e logísticas necessárias. Apesar disso, a assessoria de imprensa da Novo Nordisk, empresa global de saúde, fabricante da inulina foi procurada pela reportagem, mas disse não ter uma data oficial para lançamento.

    Um marco na história da insulinoterapia

    Desde que a insulina foi descoberta, em 1921, praticamente todas as insulinas basais utilizadas exigem aplicações diárias. Mesmo com medicamentos modernos, como glargina, degludeca e detemir, a rotina continua envolvendo uma injeção todos os dias.

    Com a chegada da insulina icodeca, esse cenário muda pela primeira vez.

    Em vez de sete aplicações por semana, o paciente poderá fazer apenas uma aplicação semanal da insulina basal, mantendo níveis estáveis do medicamento durante todos os dias.

    Na prática, isso significa reduzir de aproximadamente 365 aplicações para apenas 52 aplicações por ano, sem perda da eficácia no controle glicêmico quando comparada às principais insulinas basais diárias avaliadas nos estudos clínicos.

    Aprovação já aconteceu

    A Anvisa aprovou a insulina semanal em março de 2025 para o tratamento de adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2.

    No diabetes tipo 2, a insulina poderá ser utilizada isoladamente ou em combinação com outros medicamentos para controle glicêmico.

    Já para pessoas com diabetes tipo 1, ela deverá continuar sendo utilizada em associação às insulinas rápidas ou ultrarrápidas aplicadas antes das refeições, substituindo apenas a insulina basal diária.

    A aprovação brasileira foi baseada no amplo programa internacional de estudos ONWARDS, que reuniu milhares de participantes e comparou diretamente a insulina semanal com as principais insulinas basais já disponíveis no mercado. Os resultados demonstraram controle glicêmico semelhante ao obtido com as aplicações diárias, consolidando a icodeca como uma das maiores inovações recentes da insulinoterapia.

    Como a insulina semanal consegue agir por sete dias?

    O principal diferencial da insulina icodeca está em sua engenharia molecular. Diferentemente das insulinas basais tradicionais, que precisam ser administradas diariamente para manter concentrações adequadas no organismo, a icodeca foi desenvolvida para permanecer ativa durante uma semana inteira.

    Após a aplicação, ela se liga de forma reversível à albumina, uma proteína presente no sangue. Esse mecanismo faz com que a liberação da insulina ocorra de maneira lenta e contínua, proporcionando um efeito estável ao longo de sete dias.

    Além disso, a molécula foi projetada para ser degradada mais lentamente pelo organismo. O resultado é uma meia-vida aproximada de 196 horas, o equivalente a pouco mais de oito dias. Essa característica permite que uma nova aplicação seja feita sempre no mesmo dia da semana, mantendo níveis constantes da insulina basal.

    Na prática, o objetivo continua sendo o mesmo das insulinas de longa ação já conhecidas: controlar a glicose entre as refeições, durante a noite e nos períodos de jejum. A diferença é que isso poderá ser feito com apenas uma aplicação semanal.

    O que mostraram os estudos clínicos?

    A aprovação da insulina semanal foi baseada no programa internacional ONWARDS, um dos maiores já realizados para avaliar uma insulina basal.

    O conjunto de pesquisas reuniu mais de 4.000 participantes em diversos países e comparou a insulina icodeca com medicamentos já consolidados, como a insulina degludeca e a insulina glargina.

    Os resultados mostraram que a aplicação semanal foi capaz de reduzir a hemoglobina glicada (HbA1c) de forma semelhante — e, em alguns estudos, superior — às insulinas basais diárias.

    ONWARDS 1

    O estudo avaliou adultos com diabetes tipo 2 que já utilizavam insulina basal.

    Após 52 semanas de acompanhamento, a insulina semanal apresentou redução da HbA1c superior à observada com a insulina degludeca, mantendo um perfil de segurança considerado semelhante pelos pesquisadores.

    ONWARDS 2

    Envolveu pessoas com diabetes tipo 2 que utilizavam insulina basal associada a outros medicamentos.

    Mais uma vez, a icodeca alcançou excelente controle glicêmico, demonstrando não inferioridade em relação à degludeca.

    ONWARDS 3

    Nesse estudo participaram pessoas com diabetes tipo 2 que ainda não utilizavam insulina.

    Os pesquisadores observaram uma redução significativa da hemoglobina glicada em comparação ao tratamento com insulina diária, permitindo que muitos participantes atingissem as metas glicêmicas recomendadas.

    ONWARDS 4

    A pesquisa incluiu pessoas com diabetes tipo 2 que utilizavam esquemas de múltiplas aplicações de insulina.

    A insulina semanal também mostrou eficácia comparável às terapias convencionais, simplificando o tratamento sem comprometer o controle da glicemia.

    ONWARDS 5

    Realizado em condições próximas da prática clínica do dia a dia, o estudo confirmou que a eficácia observada nos ensaios clínicos também poderia ser reproduzida na rotina dos pacientes.

    ONWARDS 6

    Foi o estudo mais aguardado por quem vive com diabetes tipo 1.

    Os resultados demonstraram que a insulina semanal foi capaz de controlar a glicemia de forma semelhante à insulina degludeca quando utilizada em conjunto com insulina rápida nas refeições.

    Entretanto, os pesquisadores observaram um aumento na ocorrência de episódios de hipoglicemia clinicamente significativa em comparação com a degludeca, especialmente durante o período de ajuste das doses. Esse achado reforça que a transição para a insulina semanal exige acompanhamento médico cuidadoso e monitorização frequente da glicose, principalmente nas primeiras semanas de tratamento.

    Uma mudança que vai além da redução das aplicações

    Embora o aspecto mais visível seja passar de sete aplicações para apenas uma por semana, especialistas avaliam que o maior benefício pode estar na adesão ao tratamento.

    Estudos mostram que o esquecimento da insulina basal diária ainda é um dos fatores que dificultam o controle do diabetes. Reduzir o número de aplicações pode diminuir esse problema, tornando o tratamento mais simples para muitos pacientes.

    Além disso, a expectativa é que uma rotina menos complexa contribua para melhorar a qualidade de vida, reduzir a sobrecarga emocional relacionada ao tratamento e aumentar a persistência no uso da insulina ao longo dos anos.

    Ao mesmo tempo, os especialistas ressaltam que a insulina semanal não elimina a necessidade de acompanhamento médico, ajustes individualizados das doses e monitorização da glicemia. No caso das pessoas com diabetes tipo 1, por exemplo, continuará sendo indispensável o uso das insulinas rápidas ou ultrarrápidas antes das refeições.

    Quem poderá usar a insulina semanal?

    A aprovação da Anvisa contempla adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2, mas isso não significa que a nova insulina será indicada para todas as pessoas que utilizam insulina.

    A decisão continuará sendo individualizada e dependerá da avaliação do endocrinologista, levando em consideração fatores como o controle glicêmico, a rotina do paciente, o risco de hipoglicemia e a facilidade de adaptação ao novo esquema terapêutico.

    Para quem tem diabetes tipo 2 e utiliza apenas uma insulina basal, a mudança tende a ser mais simples. Nesses casos, a aplicação diária poderá ser substituída por uma aplicação semanal, mantendo o acompanhamento médico para definir a dose adequada.

    Já no diabetes tipo 1, a insulina semanal não substitui todo o tratamento. Ela passa a exercer apenas o papel da insulina basal, enquanto as aplicações de insulina rápida ou ultrarrápida antes das refeições continuam sendo indispensáveis para controlar a glicose após a alimentação.

    O que muda na prática?

    Para muitas pessoas, o benefício mais evidente será a redução do número de aplicações.

    Quem hoje faz uma injeção de insulina basal todos os dias realiza cerca de 365 aplicações por ano. Com a insulina semanal, esse número cai para aproximadamente 52 aplicações anuais.

    Embora essa redução pareça simples, ela pode representar um impacto importante na rotina de quem convive com o diabetes há muitos anos.

    Especialistas apontam que um tratamento menos complexo pode facilitar a adesão, principalmente entre pessoas que esquecem aplicações, têm dificuldade para manter horários fixos ou relatam cansaço com a rotina diária do diabetes.

    Outro aspecto importante é a possibilidade de estabelecer um “dia da insulina”, repetindo a aplicação sempre no mesmo dia da semana. Esse modelo pode facilitar a organização do tratamento e reduzir esquecimentos.

    Nem todo paciente será candidato

    Apesar do entusiasmo em torno da novidade, a insulina semanal não deve ser encarada como uma substituição automática das insulinas atualmente disponíveis.

    Há pacientes que apresentam excelente controle glicêmico com as insulinas basais diárias e podem não ter necessidade de mudar o tratamento.

    Além disso, durante a fase inicial de adaptação, pode ser necessário um acompanhamento mais próximo da equipe de saúde para ajustar a dose e monitorar a resposta do organismo.

    Outro ponto importante é que, devido à longa duração da ação da insulina icodeca, eventuais ajustes de dose levam mais tempo para produzir efeito completo quando comparados às insulinas aplicadas diariamente. Por isso, o início do tratamento exige planejamento e acompanhamento médico.

    O desafio será ampliar o acesso

    Mesmo após a chegada ao mercado brasileiro, um dos principais desafios será garantir que a inovação esteja ao alcance da população.

    Inicialmente, a expectativa é que a insulina semanal seja comercializada na rede privada. Ainda não há anúncio sobre pedido de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) nem definição sobre cobertura obrigatória pelos planos de saúde.

    Historicamente, novas tecnologias para diabetes costumam levar alguns anos entre a aprovação regulatória e uma eventual incorporação ao sistema público, processo que depende de análises de custo-efetividade e impacto orçamentário.

    Caso esse caminho seja seguido, a discussão sobre acesso deverá ganhar força nos próximos anos, especialmente diante do potencial da tecnologia para simplificar o tratamento de milhões de brasileiros.

    O Brasil acompanha uma tendência mundial

    A aprovação da insulina semanal coloca o Brasil entre os países que passam a ter acesso a uma das inovações mais importantes da insulinoterapia nas últimas décadas.

    Além da Anvisa, a icodeca já recebeu autorizações regulatórias em outros mercados, ampliando gradualmente sua disponibilidade internacional.

    Para especialistas, a chegada da primeira insulina basal semanal representa um passo semelhante ao observado quando surgiram as primeiras insulinas análogas de longa duração: uma inovação que pode mudar a rotina de tratamento, sem substituir a necessidade de educação em diabetes, monitorização da glicose e acompanhamento contínuo.

    A expectativa é que, à medida que a experiência clínica aumente e novos estudos de vida real sejam publicados, seja possível compreender ainda melhor quais perfis de pacientes se beneficiarão mais dessa estratégia terapêutica.

    COMO FUNCIONA A INSULINA SEMANAL? | Tom Bueno
    Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasil Destaque Home insulina insulina insulinoterapia Inulina medicamento novo nordisk
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