O projeto que cria direitos para pessoas com diabetes tipo 1 ganhou um novo capítulo. O prazo para a manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o PL 5868/2025 foi alterado e agora poderá se estender até 8 de julho de 2026.
A mudança no prazo ocorre após a identificação de uma inexatidão material no texto durante a análise do projeto pelo Poder Executivo. A advogada Anna Patrícia de Pinho Silva, que convive com diabetes tipo 1 e acompanha a tramitação da proposta, explicou que a correção exigiu o envio de novos autógrafos à Presidência da República. Com isso, a contagem constitucional para sanção ou veto foi reiniciada.

Por que o prazo para sanção do PL 5868 mudou?
Inicialmente, a expectativa era de que a decisão presidencial ocorresse até 23 de junho de 2026. A data era calculada com base no prazo de 15 dias úteis previsto pela Constituição Federal após o recebimento do projeto pela Presidência da República.
No entanto, durante a análise do texto, o Executivo identificou uma inexatidão material em um dos dispositivos do projeto.
Segundo Anna Patrícia, o texto fazia referência a um inciso incorreto. Em vez de citar o inciso sexto, a redação mencionava o inciso quinto.
Nesse contexto, o Executivo entrou em contato com o Senado Federal, responsável pela autoria da proposta. A informação foi encaminhada à Câmara dos Deputados e, posteriormente, novos autógrafos do projeto foram enviados à Presidência da República.
O que acontece quando novos autógrafos são enviados?
De acordo com a explicação apresentada pela advogada, o envio de novos autógrafos reinicia a contagem do prazo constitucional.
Na prática, a Presidência passa a receber uma nova versão formal do projeto. Por isso, o período de 15 dias úteis para sanção ou veto começa novamente do zero.
Com essa mudança, a nova data limite para manifestação presidencial passou a ser 8 de julho de 2026.
No entanto, isso não significa que a decisão será necessariamente tomada apenas nessa data. A sanção poderá ocorrer antes, caso a análise seja concluída antecipadamente.
O que a Constituição prevê para projetos aprovados pelo Congresso?
A Constituição Federal determina que, após receber um projeto aprovado pelo Congresso Nacional, o presidente da República tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar a proposta.
Caso não haja manifestação dentro desse prazo, o silêncio presidencial é interpretado como sanção.
Por esse motivo, o acompanhamento dos prazos tem sido uma das principais preocupações de pessoas com diabetes tipo 1, familiares e entidades ligadas ao tema.
Como o projeto chegou à Presidência da República?
A Presidência da República foi oficialmente comunicada após a aprovação unânime do PL 5868/2025 pela Câmara dos Deputados.
Documento obtido anteriormente pelo Portal Um Diabético mostrou que a Câmara encaminhou o texto à Casa Civil para análise presidencial, encerrando a tramitação no Congresso Nacional.
O ofício foi assinado pelo primeiro-secretário da Câmara dos Deputados, Carlos Veras, e formalizou o envio do projeto ao presidente da República.
A partir desse momento, a responsabilidade pela decisão final passou a ser do Poder Executivo.
O que prevê o projeto sobre diabetes tipo 1?
Caso seja sancionado, o PL 5868/2025 criará uma legislação nacional específica voltada aos direitos das pessoas com diabetes mellitus tipo 1.
Entre os pontos previstos estão:
- Acesso a medicamentos, insulinas e insumos pelo Sistema Único de Saúde (SUS);
- Direito ao uso de sensores de glicose e bombas de insulina em escolas e ambientes de trabalho;
- Pausas para monitoramento da glicemia e aplicação de insulina;
- Validade indeterminada do laudo médico;
- Medidas de inclusão escolar;
- Adaptações razoáveis em ambientes profissionais;
- Apoio psicossocial;
- Ações voltadas à participação plena das pessoas com diabetes tipo 1 na sociedade.
Além disso, o texto busca reduzir barreiras enfrentadas por pacientes e familiares em situações do cotidiano.
Projeto foi reformulado após veto anterior
A atual proposta surgiu após o veto integral do antigo PL 2687, ocorrido em janeiro de 2025.
Na ocasião, o governo apontou questões relacionadas à constitucionalidade da proposta e à ausência de estimativa de impacto orçamentário e fonte de custeio durante a tramitação.
Após o veto, o gabinete do senador Randolfe Rodrigues iniciou a construção de um novo texto em diálogo com ativistas, representantes da sociedade civil e entidades ligadas ao diabetes.
Posteriormente, a proposta foi aprovada pelo Senado Federal e recebeu aprovação unânime da Câmara dos Deputados.
Correção técnica aumenta expectativa sobre a sanção?
Segundo Anna Patrícia de Pinho Silva, a própria identificação da inexatidão material pelo Executivo pode ser interpretada como um sinal positivo para quem acompanha a tramitação.
De acordo com ela, o fato de o governo ter solicitado a correção técnica antes da conclusão da análise pode indicar que existe atenção ao conteúdo da proposta.
Ainda assim, a decisão final continua dependendo da avaliação presidencial, que poderá resultar em sanção integral, sanção parcial ou veto.
Enquanto isso, pessoas com diabetes tipo 1, familiares, profissionais de saúde e entidades representativas seguem acompanhando os próximos passos de um dos projetos mais debatidos pela comunidade do diabetes nos últimos anos.