Muitas pessoas associam o pé diabético apenas ao surgimento de feridas ou amputações. No entanto, as alterações costumam aparecer muito antes desses quadros. Identificar os sinais precocemente pode ajudar na prevenção de complicações e na busca por atendimento adequado.
O alerta foi feito pela podologista e especialista em pé diabético Andréa Costa, que atua há quase 25 anos na área, com foco em prevenção, educação em diabetes e cuidado com o idoso. Durante participação no DiabetesCast, ela explicou que o pé diabético não surge de forma repentina e geralmente apresenta sinais que podem ser observados no dia a dia.
Quais sinais podem aparecer antes do pé diabético?
Segundo Andréa Costa, sintomas como queimação, dormência, sensação de choques, dores nos pés, alterações de temperatura e perda de sensibilidade merecem investigação.
Além disso, rachaduras frequentes, feridas recorrentes e mudanças na coloração dos pés também podem indicar que algo não está funcionando adequadamente.
A especialista ressalta que esses sinais precisam ser avaliados dentro do contexto clínico de cada pessoa. Por isso, fatores como tempo de diagnóstico do diabetes, controle glicêmico, rotina de cuidados e prática de atividade física fazem diferença na análise.
“Eu preciso entender primeiro a rotina desse paciente, como está a glicemia e como está o cuidado com a saúde”, explicou.
Dormência e perda de sensibilidade podem passar despercebidas
Entre os sinais citados por Andréa, a perda de sensibilidade merece atenção especial.
Segundo ela, muitas pessoas acabam se adaptando à redução gradual da sensibilidade nos pés. Como consequência, deixam de perceber pequenos traumas, cortes ou machucados.
Nesse contexto, a descoberta do problema pode acontecer apenas quando uma lesão já está instalada.
“E você não vai ter aquele alerta. O alerta só vai ser no momento da lesão”, afirmou.
Durante o episódio, a apresentadora Delô também destacou que muitas vezes a pessoa só percebe a gravidade da situação quando nota que não sente mais determinados estímulos nos pés.
Queimação e choques podem indicar alterações nos nervos
Outro sintoma frequentemente relatado por pessoas com diabetes é a sensação de queimação nos pés.
Segundo Andréa, dependendo da condição clínica, esse sinal pode levantar suspeita de neuropatia diabética. Além disso, alguns pacientes relatam choques e sensações repentinas durante o repouso.
A especialista explica que esses sintomas também podem estar relacionados a alterações circulatórias. Portanto, a avaliação profissional é necessária para identificar a causa. Ela reforça que qualquer mudança persistente merece atenção.
Pé diabético não significa necessariamente neuropatia
Uma dúvida comum entre pessoas com diabetes é se o diagnóstico de pé diabético significa que a neuropatia já está presente. Segundo Andréa Costa, não necessariamente.
Ela explica que a neuropatia pode surgir ao longo dos anos, mas o desenvolvimento dessa complicação depende de diversos fatores.
Entre eles estão o controle glicêmico, a alimentação, o peso corporal, a prática de atividade física e o acompanhamento regular com profissionais de saúde.
Por outro lado, pessoas que mantêm acompanhamento adequado podem retardar o aparecimento de complicações.
“Se você segue direitinho, tem controle glicêmico, atividade física e acompanhamento, a probabilidade de desenvolver vai demorar um pouco mais”, explicou.
Diabetes tipo 1 também exige atenção aos pés
Durante a conversa, Andréa respondeu a uma dúvida recorrente entre pacientes: o diabetes tipo 1 também pode levar ao pé diabético?
Segundo a especialista, tanto o diabetes tipo 1 quanto o diabetes tipo 2 exigem cuidados diários com os pés.
“A partir do momento que você tem o diagnóstico, você vai ter que olhar com muito carinho para os seus pés”, afirmou.
Nesse cenário, o acompanhamento não deve começar apenas quando surgem sintomas ou lesões.
Observar os pés e os calçados faz parte da prevenção
Além da observação diária dos pés, Andréa orienta que pessoas com diabetes verifiquem o interior dos calçados antes de usá-los.
Ela relembrou o caso de um paciente que passou o dia inteiro utilizando uma bota sem perceber que havia uma peça de Lego dentro do calçado. Como ele apresentava perda de sensibilidade, não sentiu o trauma provocado pelo objeto.
Ao retirar o sapato, já existia uma lesão grave. O quadro evoluiu para amputação.
Segundo a especialista, situações como essa mostram a importância de transformar a inspeção dos pés e dos calçados em um hábito diário.
Rachaduras, dores e alterações na pele também exigem atenção
Andréa explica que rachaduras não devem ser encaradas apenas como um problema estético.
Segundo ela, diversos fatores podem contribuir para o surgimento dessas alterações, incluindo glicemia fora da meta, falta de hidratação, baixa ingestão de água, sobrepeso, uso excessivo de chinelos, andar descalço e até o uso frequente de lixas.
Além disso, dores nos pés durante a noite, sensação de frio constante e mudanças na temperatura também devem ser avaliadas.
Para a especialista, a principal orientação é não ignorar sintomas que fogem do habitual.
“Na dúvida, busque ajuda e entenda por que isso está acontecendo”, orientou.
