O diagnóstico de diabetes costuma vir acompanhado de uma pergunta imediata: o que ainda posso comer? Muita gente imagina que terá pela frente uma dieta rígida, cheia de proibições. No entanto, as orientações mais recentes vão em outra direção.
A recomendação é que a pessoa com diabetes siga, em linhas gerais, a mesma alimentação saudável indicada para a população em geral. O que muda é o nível de atenção às escolhas e às quantidades consumidas.
“A gente come para ter energia. A primeira coisa que vem à cabeça com o diagnóstico de diabetes ou a glicemia alterada é parar de comer. Mas o tratamento não é deixar de comer, e sim criar uma relação saudável entre o que a pessoa come, seja o que ela gosta, o que está acostumada ou o que ela tem acesso, e a medicação ou o tratamento que ela vai fazer.” Tarcila Campos | Nutricionista e educadora em diabetes
Organização das refeições faz diferença
O primeiro passo está na rotina. A orientação é distribuir a alimentação em 5 a 6 refeições ao longo do dia, evitando longos períodos em jejum. O café da manhã merece atenção especial: quando não é possível fazê-lo em casa, vale levar um lanche reforçado para a escola ou o trabalho.
Nos lanches intermediários, as frutas são uma boa escolha para começar, de preferência inteiras, já que os sucos concentram açúcares e perdem parte das fibras. Ainda assim, nenhum tipo de fruta é proibido, mas a quantidade consumida precisa ser observada. Nesse sentido, um punhado da mão costuma ser uma boa referência de porção para orientar essa escolha no dia a dia.
O que colocar no prato no almoço e no jantar
No almoço e no jantar, o arroz com feijão tradicional continua fazendo parte do cardápio. A recomendação, segundo orientações da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), é que metade do prato seja ocupada por vegetais coloridos.
A preferência vai para os verde-escuros e amarelos, na forma de salada crua ou vegetais cozidos. Molhos gordurosos, por outro lado, merecem ser evitados. Já as carnes devem entrar em porções pequenas, alternando entre brancas, vermelhas e ovo. Os pratos vegetarianos também são uma alternativa interessante para variar o cardápio da semana. Eles trazem novas fontes de proteína e fibra à mesa.
Açúcares, gorduras e produtos dietéticos
Os açúcares e alimentos açucarados exigem atenção redobrada. Quando necessário, o adoçante pode ser usado em pequena quantidade, evitando as opções à base de frutose. As frituras e as gorduras de origem animal também pedem moderação. Entram nessa lista carnes gordas, queijos amarelos, embutidos, manteiga, margarina, requeijão e creme de leite.
Por outro lado, queijos mais magros, como ricota, minas frescal e cottage, costumam ser opções melhores para o dia a dia. Além disso, é importante verificar se um produto dietético realmente atende às necessidades individuais antes de incluí-lo na rotina. Isso porque nem todo produto com o selo “diet” é automaticamente adequado para quem tem diabetes. Alguns mantêm quantidades relevantes de carboidratos ou gorduras.
Sal, água e álcool: pontos que passam despercebidos
O consumo de sal também entra na lista de cuidados, já que grande parte das pessoas com diabetes convive também com pressão arterial elevada. Nesse contexto, reduzir o sal ajuda no controle dos dois quadros ao mesmo tempo. Temperos naturais, como ervas, limão e alho, são boas alternativas para manter o sabor das preparações sem exagerar no sódio.
A hidratação é outro ponto importante e deve ser mantida ao longo de todo o dia, com água em intervalos regulares. Já as bebidas alcoólicas pedem restrição, dado o impacto que podem ter no controle glicêmico, especialmente quando consumidas sem alimentação por perto.
Alimentos integrais e o papel do acompanhamento profissional
Trocar versões refinadas por alimentos menos processados é outra medida recomendada. Pães integrais, aveia, arroz integral e macarrão integral entram nessa categoria. Essas opções contêm mais fibras, o que ajuda a tornar a digestão mais lenta e contribui para o controle da glicemia ao longo do dia. Ainda assim, nenhuma dessas orientações substitui o acompanhamento individualizado de pacientes com diabetes.
Cada pessoa reage de forma diferente aos alimentos, e um plano alimentar personalizado leva em conta rotina, preferências e outras condições de saúde. Por isso, incluir a consulta com um nutricionista especializado como meta do plano de cuidado é um passo importante. Esse acompanhamento ajuda a adequar a alimentação à realidade de cada pessoa ao longo da vida, com ajustes conforme a fase e as necessidades mudam.
“Alimentação é vital para o corpo, para todo mundo. Uma alimentação saudável é composta por várias fontes: carboidratos, gorduras boas, proteínas. A ideia, quando pensamos em alimentação saudável, é escolher as melhores fontes, na quantidade que cada pessoa precisa ao longo do dia, de acordo com a medicação prescrita e até seguindo os hábitos alimentares de cada um” finaliza, Tarcila.
