Quem convive com diabetes precisa redobrar a atenção ao consumir bebida alcoólica, principalmente em happy hours, festas e confraternizações. O álcool pode alterar o controle da glicemia e aumentar o risco de hipoglicemia, especialmente durante a madrugada. Embora o consumo não seja proibido para todas as pessoas, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos e evitar complicações.
Durante participação no DiabetesCast, a nutricionista, mestre em Ciências da Saúde e educadora em diabetes Tarcila Campos explicou que esse risco não depende apenas da quantidade consumida, mas também da alimentação, da monitorização da glicemia e do tratamento utilizado. Além disso, sociedades médicas como a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a American Diabetes Association (ADA) orientam que o consumo de álcool seja feito com planejamento e moderação.
Por que o álcool aumenta o risco de hipoglicemia?
Segundo Tarcila Campos, o fígado tem um papel importante para manter a glicemia estável durante períodos sem alimentação, como acontece durante o sono. Ele libera glicose armazenada quando o organismo precisa.
Quando a pessoa consome bebida alcoólica, porém, o fígado passa a priorizar a metabolização do álcool. Com isso, reduz temporariamente a liberação de glicose para a corrente sanguínea. Se a pessoa usa insulina ou medicamentos que aumentam sua produção, o risco de hipoglicemia cresce, especialmente durante a madrugada.
A nutricionista destaca que esse efeito acontece independentemente da bebida escolhida.
“O álcool é o álcool. Independentemente da bebida, esse efeito acontece.”
1. Nunca beba em jejum
Um dos erros mais comuns é deixar de comer para “compensar” as calorias da bebida ou porque o encontro acontece apenas com petiscos.
Segundo Tarcila, essa prática aumenta o risco de hipoglicemia. A recomendação é fazer uma refeição antes de consumir álcool ou comer durante o happy hour.
2. Não substitua a refeição pela bebida
Em muitos encontros, a pessoa acaba consumindo apenas bebidas alcoólicas. No entanto, a especialista explica que o ideal é manter uma refeição equilibrada, principalmente quando utiliza insulina.
Uma combinação com carboidratos, proteínas e gorduras ajuda a reduzir oscilações importantes da glicemia ao longo da noite.
3. Lembre que qualquer bebida alcoólica exige atenção
Existe a ideia de que apenas destilados oferecem risco ou que cerveja seria mais segura por conter carboidratos.
Segundo Tarcila Campos, isso não é verdade. O fator que aumenta o risco de hipoglicemia é o álcool presente na bebida. A diferença entre cerveja, vinho, espumante ou destilados está na quantidade ingerida e na composição nutricicional de cada uma delas.
4. Monitore a glicemia antes de dormir
Mesmo que a glicemia esteja dentro da meta após o happy hour, ela pode diminuir horas depois.
Por isso, monitorar a glicemia antes de dormir é uma medida importante para quem usa insulina. Pessoas que utilizam sensor contínuo de glicose conseguem acompanhar melhor essas variações durante a madrugada. Já quem utiliza glicosímetro pode realizar uma medida antes de dormir e, quando indicado pela equipe de saúde, durante a madrugada.
5. Faça uma ceia quando houver risco de hipoglicemia
Caso exista maior risco de hipoglicemia, principalmente após consumir álcool, Tarcila recomenda não recorrer apenas a alimentos ricos em açúcar.
Segundo ela, uma estratégia mais eficiente é combinar carboidratos com proteínas ou gorduras, pois isso ajuda a manter a glicemia mais estável por mais tempo.
Entre as opções citadas pela nutricionista estão:
- iogurte natural com granola;
- fruta acompanhada de iogurte;
- torrada com queijo;
- abacate com whey protein;
- leite acompanhado de castanhas.
A escolha deve ser individualizada conforme o tratamento de cada pessoa.
6. Conheça como seu tratamento funciona
Nem todas as pessoas com diabetes apresentam o mesmo risco.
Quem utiliza múltiplas doses de insulina, bomba de insulina ou medicamentos que estimulam a produção de insulina pode precisar de estratégias diferentes para consumir bebida alcoólica com segurança.
Segundo Tarcila, conhecer o próprio tratamento e entender como a glicemia costuma se comportar durante a noite ajuda a tomar decisões mais seguras.
7. Evite decidir pelo medo
Muitas pessoas mantêm a glicemia propositalmente elevada antes de dormir por receio de uma hipoglicemia noturna.
A nutricionista alerta que essa estratégia pode levar a noites inteiras com hiperglicemia e piorar o controle glicêmico ao longo do tempo.
O mais indicado é utilizar os dados da monitorização para identificar o comportamento da glicose e discutir ajustes de alimentação ou de insulina com a equipe de saúde, em vez de tomar decisões baseadas apenas no medo.
O planejamento faz diferença
Consumir bebida alcoólica não significa, necessariamente, que a pessoa com diabetes terá uma hipoglicemia. No entanto, conhecer como o álcool age no organismo permite reduzir riscos e tomar decisões mais seguras.
Segundo Tarcila Campos, monitorar a glicemia, manter a alimentação adequada e entender o funcionamento do próprio tratamento são medidas que ajudam a aproveitar momentos de lazer com mais segurança, sem comprometer o controle do diabetes.
