Quem convive com diabetes costuma observar a glicose subir logo após alimentos com carboidrato. Só que isso nem sempre acontece no mesmo tempo para todas as refeições. Em alguns casos, o aumento aparece mais tarde. Isso pode acontecer após pizza, pastel, frituras e outras preparações com mais gordura. As informações foram apuradas com a nutricionista e educadora em diabetes Juliana Baptista, que também convive com diabetes tipo 1.
Pizza, pastel e gordura podem mudar o horário do pico glicêmico no diabetes
Juliana Baptista explica que a alimentação está entre os fatores que mais impactam a curva glicêmica. Ela destaca que alguns alimentos elevam a glicose duas horas depois da refeição. Outros podem provocar impacto quatro ou até seis horas mais tarde. Esse atraso aparece com mais frequência em alimentos com maior quantidade de gordura.
Segundo ela, pizza e pastel entram nesse grupo. Nesses casos, a glicose pode não subir de forma imediata. Ela pode subir mais devagar e atingir o pico horas depois. Isso exige atenção de quem monitora a glicemia com sensor ou glicemia capilar.

A nutricionista afirma que a gordura presente nesses alimentos interfere na velocidade da absorção. Por isso, a refeição pode gerar uma curva mais prolongada. Na prática, a pessoa come e imagina que não houve grande impacto. Depois, a glicose sobe e permanece alta por mais tempo.
O que há nesses alimentos que interfere na glicose
Juliana explica que o carboidrato é o nutriente que impacta diretamente a glicose. Pães, massas, bolo, frutas, leite, batata, mandioca e outros alimentos do grupo entram nessa conta. Tudo isso pode virar glicose no sangue.
Ela lembra que pizza e pastel não trazem apenas carboidrato. Essas preparações também concentram gordura. A gordura está nas frituras, nos embutidos, na linguiça, no bacon, na pele do frango e no excesso de manteiga, óleo ou azeite usados no preparo. Quando esse conjunto aparece na refeição, a resposta glicêmica pode mudar.
Isso também vale para alimentos preparados em casa. Juliana cita que muitas pessoas não percebem a gordura presente em receitas do dia a dia. Ela dá como exemplo o feijão temperado com bacon ou linguiça. Mesmo sem colocar o embutido no prato, a gordura entra na preparação e interfere no resultado.
Por que o pico pode aparecer horas depois
De acordo com Juliana Baptista, a gordura retarda a absorção. Isso altera o formato da curva glicêmica. A glicose pode não fazer um pico logo no início. Em vez disso, ela sobe mais lentamente e se mantém elevada por mais tempo.
Ela cita que esse comportamento aparece em alimentos como pizza e pastel. A pessoa pode medir a glicose duas horas depois e achar que está tudo sob controle. Só que o aumento pode surgir entre quatro e seis horas após a refeição. Em quem come à noite, isso pode atingir a madrugada.
Esse ponto tem impacto direto na rotina. Quem janta pizza tarde pode passar a noite fazendo correções ou acordar com glicose alta. Juliana relata que o horário da refeição faz diferença. Por isso, ela orienta que a pizza não fique para muito tarde.
O horário da refeição também pesa no controle
Juliana afirma que, no caso da pizza, o hábito de comer à noite exige mais atenção. Segundo ela, quando a refeição acontece às dez ou onze da noite, a pessoa pode atravessar a madrugada com glicose alta. O manejo fica mais difícil quando esse pico aparece enquanto a pessoa dorme ou quando já existe resistência à insulina em alguns horários da manhã.
Ela orienta que, se houver consumo, o ideal é fazer essa refeição mais cedo. No caso do pastel, ela aponta que a tarde pode ser um horário melhor para observação. Isso permite acompanhar a glicose depois e agir se houver necessidade.
Para quem usa insulina, Juliana relata que alguns médicos orientam esquemas ajustados para esse tipo de refeição, com parte da insulina no momento da alimentação e outra parte depois. Ela ressalta que essa decisão deve ser tomada com o médico, porque o ajuste precisa ser individual.
Para quem tem diabetes tipo 2 e não usa insulina, ela cita a caminhada como uma possibilidade após a refeição. O objetivo é ajudar a ação da insulina do próprio corpo diante de uma glicose mais alta.