O leite é um alimento básico na mesa do brasileiro, mas o seu consumo sempre gera dúvidas para quem convive com o diabetes. A preocupação principal é: o leite faz a glicose subir? E, se faz, qual é a melhor opção entre integral, desnatado e zero lactose para manter o controle glicêmico?
O jornalista Tom Bueno, em nosso canal “Um Diabético” no Youtube, trouxe esse debate em um de seus vídeos, esclarecendo o impacto real do leite na glicose. Para isso, ele consultou especialistas, como a nutricionista Carol Netto, especialista em diabetes, e mencionou a visão da nutricionista Noeli Dantas, que também convive com a condição. De acordo com a análise, o leite possui, sim, carboidratos (o que causa a subida da glicose) e, por um motivo surpreendente, o leite integral é o melhor para o controle glicêmico.
A análise dos rótulos e a surpresa da gordura
Quando se pensa no leite e seu efeito no controle glicêmico, é fundamental olhar o rótulo. Em um copo de 200 ml, o leite integral, o desnatado e o zero lactose possuem quantidades muito similares de carboidratos — em torno de 9,1 a 9,2 gramas, que vêm da lactose (o açúcar natural do leite). Portanto, o leite faz, sim, a glicose subir devido à presença de carboidratos.
No entanto, o que difere e impacta a velocidade dessa subida é o teor de gordura e proteína. O leite integral tem cerca de 6,0 gramas de gordura em 200 ml, enquanto o desnatado tem apenas 0,7 gramas. O zero lactose, por sua vez, tem 2,4 gramas de gordura. Esta diferença na composição tem um papel crucial no metabolismo.
O papel do “freio” no controle glicêmico
A principal distinção entre os tipos de leite está na forma como o corpo absorve os carboidratos. A nutricionista Carol Netto explicou o mecanismo por trás do leite integral ser o melhor para o controle glicêmico.
Segundo a especialista, a gordura presente no leite integral funciona como um “freio”. Isso porque a gordura e a proteína retardam o esvaziamento gástrico, ou seja, fazem com que os carboidratos do leite demorem mais para chegar à corrente sanguínea. Tom Bueno ressaltou: “A gordura também funciona como um freio, mas a gente precisa monitorar porque ela demora um pouquinho mais para impactar no controle da glicemia.” A nutricionista Noeli Dantas também costuma compartilhar essa visão, afirmando que a gordura ajuda a “segurar” a rápida ascensão da glicose. Consequentemente, a pessoa que tem diabetes evita picos glicêmicos rápidos.
Leite desnatado e zero lactose: prós e contras
O leite desnatado, por não ter praticamente gordura (apenas 0,7 g), absorve o carboidrato muito mais rápido do que o integral. Para quem tem diabetes e busca estabilidade glicêmica, esse rápido pico pode ser um desafio maior de controlar.
Já o leite zero lactose é uma opção para quem possui intolerância à lactose. No entanto, é importante saber que a lactose é quebrada em glicose e galactose, que também impactam na glicemia. Embora tenha um teor de gordura intermediário, sua recomendação principal é para a intolerância, não como a melhor opção para evitar o aumento rápido da glicose.
É vital lembrar que o fato de o leite integral ser o melhor para o controle glicêmico não é uma regra absoluta. Se você precisa reduzir o consumo de gordura por outras questões de saúde, como colesterol elevado, é crucial conversar com seu médico ou nutricionista. Eles poderão realizar ajustes personalizados que equilibram a necessidade de controlar a glicose com outras metas de saúde. O importante é saber que consumir outros tipos de leite é totalmente possível, desde que se compreenda como ele impacta o controle do diabetes e se ajuste a medicação e a alimentação adequadamente.