Quem usa insulina costuma ouvir desde o diagnóstico que o medicamento deve ficar na geladeira. No entanto, essa orientação não vale para todas as situações. Depois de aberta, a forma correta de armazenamento muda e conhecer essa diferença pode evitar desconforto durante a aplicação e preservar o tratamento. As enfermeiras e educadoras em diabetes Gisele Filgueiras e Gabriela Cavicchioli explicaram como armazenar a insulina e quais cuidados devem fazer parte da rotina de quem convive com diabetes.
Insulina fechada deve permanecer refrigerada
Segundo Gabriela Cavicchioli, a recomendação muda conforme o momento de uso do medicamento.
A insulina que ainda não foi utilizada deve permanecer armazenada na geladeira. Esse cuidado preserva a estabilidade do medicamento até o início do tratamento.
De acordo com a especialista, a temperatura indicada para esse armazenamento fica entre 2°C e 8°C. Por isso, as canetas ou frascos fechados devem permanecer refrigerados até serem colocados em uso.
Depois de aberta, o medicamento pode ficar fora da geladeira
A orientação muda quando a pessoa começa a utilizar a insulina. Gabriela explica que o medicamento aberto pode permanecer em temperatura ambiente, desde que o ambiente não ultrapasse 30°C.
Segundo ela, muitas pessoas continuam guardando a insulina na geladeira durante todo o período de uso porque aprenderam dessa forma. No entanto, isso não é obrigatório para a maior parte das situações.
Além disso, manter ela em temperatura ambiente durante o uso pode trazer um benefício prático para quem aplica o medicamento todos os dias.
Aplicar gelada pode causar mais desconforto
Durante a conversa, as especialistas destacam que o medicamento muito fria pode tornar a aplicação mais desconfortável.
Gisele Filgueiras lembra que muitas pessoas mantêm o medicamento refrigerado por hábito. No entanto, ela explica que retirar a insulina um pouco antes da aplicação permite que ela atinja a temperatura ambiente, o que reduz esse desconforto.
Nesse contexto, o armazenamento correto não interfere apenas na conservação do medicamento. Ele também influencia a experiência de quem precisa fazer aplicações diárias.

O que fazer em dias muito quentes
Embora a insulina aberta possa permanecer fora da geladeira, existem situações que exigem atenção.
Gabriela explica que, em regiões muito quentes do Brasil, onde a temperatura ambiente pode ultrapassar 30°C, vale recorrer a uma bolsa térmica.
Segundo a enfermeira, o ideal é utilizar gelo dentro da bolsa térmica, mas sem permitir que ele encoste diretamente na insulina. Dessa forma, o medicamento permanece protegido sem ficar excessivamente frio.
Essa estratégia também pode ser utilizada durante deslocamentos ou viagens.
Nem todas as canetas seguem a mesma orientação
Outro ponto destacado pelas especialistas é que algumas canetas reutilizáveis possuem recomendações diferentes conforme o fabricante.
Durante a entrevista, Gabriela apresentou as canetas distribuídas pelo Sistema Único de Saúde.
Ela explicou que a caneta reutilizável utilizada para insulina glargina, atualmente distribuída pelo SUS, ainda não deve ser armazenada na geladeira. Segundo a especialista, isso ocorre porque o fabricante ainda não concluiu os estudos que avaliam o comportamento desse modelo durante todo o período de vida útil quando refrigerado.
Por outro lado, a caneta reutilizável utilizada para insulinas NPH e Regular já possui estudos que permitem esse armazenamento na geladeira.
Por isso, a orientação é seguir sempre as recomendações específicas do fabricante do dispositivo utilizado.
Temperatura também influencia o preparo da insulina
O armazenamento adequado também facilita o preparo da aplicação. Gabriela explica que a insulina em temperatura ambiente forma menos bolhas durante a aspiração com seringa. Isso torna o preparo mais simples e reduz a necessidade de retirar o ar antes da aplicação.
Além disso, ela lembra que a insulina NPH precisa ser homogeneizada antes do uso.
Segundo a especialista, como esse tipo de insulina contém protamina, responsável por sua aparência esbranquiçada, é necessário rolar o frasco ou a caneta entre as mãos cerca de 20 vezes antes da aplicação. Esse processo garante que a suspensão fique homogênea e que a ação esperada do medicamento seja mantida.
Armazenamento correto faz parte do tratamento
Para Gisele Filgueiras, cuidar da insulina envolve mais do que aplicar a dose prescrita.
Ela afirma que conhecer os horários, os locais de aplicação, a técnica correta e a forma de armazenamento faz parte da terapia. Segundo a enfermeira, esses cuidados ajudam a manter o funcionamento esperado da insulina durante o tratamento.
Gabriela Cavicchioli reforça que entender essas orientações permite que a pessoa utilize a insulina com mais segurança no dia a dia, respeitando as recomendações específicas de cada tipo de medicamento e de cada dispositivo utilizado.