A insulina estava presente antes mesmo de a visita começar. Pelo cheiro, muitos participantes reconheceram imediatamente o medicamento que faz parte de suas rotinas há anos. Desta vez, porém, a experiência foi diferente: pela primeira vez, estavam diante do local onde é produzida a substância que ajuda a mantê-los vivos todos os dias.

No dia 18 de junho, representantes de associações, instituições e influenciadores da causa diabetes visitaram a fábrica da Biomm, em Nova Lima (MG), responsável pela produção da insulina glargina no Brasil. A iniciativa foi organizada pela agência TB Content em parceria com o portal Um Diabético.
A visita aconteceu em um momento importante para a comunidade. Recentemente, o Ministério da Saúde ampliou os critérios de acesso à insulina glargina pelo Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo que mais pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 tenham acesso ao medicamento.
Um momento importante para o tratamento do diabetes
A ampliação do acesso à insulina glargina é considerada uma das mudanças mais relevantes dos últimos anos para muitas pessoas que vivem com diabetes.
A medida permite que mais pacientes possam receber pelo SUS uma insulina de ação prolongada que oferece maior estabilidade no controle glicêmico e, em muitos casos, menor risco de episódios de hipoglicemia.

Nesse cenário, conhecer de perto uma das fábricas responsáveis pela produção desse medicamento tornou a experiência ainda mais significativa para os convidados.
Mais do que uma visita técnica, o encontro representou uma oportunidade de aproximar pacientes, familiares, profissionais de saúde e criadores de conteúdo da ciência e da tecnologia envolvidas na produção da insulina.
Conhecendo onde a insulina é produzida
As atividades começaram pela manhã com uma apresentação realizada por lideranças da Biomm.
Os convidados foram recebidos pelo CEO Carlos Maradei, pelo gerente de treinamento Marcelo Mafra, pelo diretor da fábrica Luciano Machado, pelo diretor de tecnologia Francisco Freitas, pela gerente de relações governamentais Ligia Mendes e pelo diretor comercial Alexandre Gonçalves.

Durante o encontro, foram apresentados a trajetória da empresa, os desafios da produção de medicamentos biológicos no Brasil e a importância da fabricação nacional da insulina glargina para ampliar o acesso ao tratamento.
Também foram compartilhadas informações sobre os processos de qualidade, segurança e inovação adotados pela empresa para garantir a produção do medicamento.

Da paramentação à linha de produção
Após a apresentação, os participantes passaram por todo o processo de preparação necessário para acessar as áreas produtivas da fábrica.
Vestidos com roupas especiais e seguindo protocolos rigorosos de segurança, higiene e controle de acesso, os visitantes iniciaram um tour pelas instalações.
O grupo percorreu diferentes setores da unidade e pôde acompanhar cada etapa da produção da insulina glargina, desde os processos iniciais até o envase, inspeção e embalagem final.
Para muitos, foi a primeira oportunidade de visualizar o caminho percorrido pelo medicamento antes de chegar às mãos dos pacientes.
O que mais impressionou os visitantes
Entre os aspectos mais comentados durante a visita esteve o nível de cuidado adotado para proteger a insulina contra qualquer tipo de contaminação.
Os participantes acompanharam de perto os procedimentos necessários para evitar a exposição do medicamento a bactérias ou qualquer outra interferência que possa comprometer sua qualidade.
Os ambientes altamente controlados, os protocolos rigorosos de segurança e a organização da fábrica chamaram a atenção do grupo.

A tecnologia empregada em cada etapa da produção também impressionou os visitantes, que puderam compreender melhor a complexidade envolvida na fabricação de um medicamento biológico.
Mas houve um detalhe que despertou uma reação quase imediata. O cheiro da insulina.

Presente em algumas áreas da produção, o aroma foi rapidamente reconhecido por muitos dos participantes. Para quem convive diariamente com o diabetes, aquela sensação familiar ajudou a tornar a experiência ainda mais emocionante.
Outro sentimento compartilhado pelo grupo foi o orgulho de ver a insulina sendo produzida em território nacional.

Para muitos, acompanhar de perto todo o processo reforçou a importância dos investimentos em tecnologia e produção brasileira para ampliar o acesso ao tratamento.
“É o líquido que nos mantém vivos”

Antes mesmo de entrar na fábrica, a expectativa já era grande.
“É o líquido que realmente faz a gente estar aqui, que faz a gente estar vivo. Então eu tenho certeza que vai ser muito maravilhoso ver como é a fábrica, como é produzido esse líquido. E é muito importante ter a fábrica aqui no Brasil para facilitar o acesso para todo mundo”, afirmou Marília, do perfil Marília Tipo Doce.
O influenciador Bruno Budiniz também destacou a importância da experiência.
“Eu poder vir aqui conhecer como é esse processo de fabricação e poder mostrar para todos os meus seguidores vai ser uma coisa incrível.”
Representando a influenciadora Maria Eduarda Dantas, conhecida como Pâncreas Artificial, o nutricionista Danilo Araújo ressaltou a emoção do momento.
“É uma emoção sem igual conhecer a indústria que fabrica um frasquinho desse tamanho que é responsável por manter as pessoas com diabetes vivas.”
Para Pablo Silva, do perfil Eu e a Beth, a oportunidade teve um significado especial.
“Hoje vou ter o prazer de conhecer o processo de produção daquele frasquinho da nossa vida.”
Já Gabriela Cavicchioli, representando ADJ Diabetes Brasil, destacou a importância da ampliação do acesso à insulina glargina.
“A importância de ter a insulina glargina no SUS traz um acesso diferenciado e uma melhor qualidade de vida para a pessoa com diabetes.”

Dona Carmen e a evolução do tratamento
Entre todos os participantes, uma presença chamava atenção. Aos 95 anos, Dona Carmen é reconhecida como a brasileira com mais tempo vivendo com diabetes. São aproximadamente 75 anos convivendo com a condição e acompanhando uma evolução que poucas pessoas tiveram a oportunidade de testemunhar.

Quando recebeu o diagnóstico, a realidade era completamente diferente da atual. Ao longo das décadas, ela viu surgir novas insulinas, dispositivos mais modernos de aplicação, medidores de glicemia cada vez mais precisos e tecnologias que transformaram a vida das pessoas com diabetes.
Sua presença na visita simboliza justamente essa trajetória.
Conhecer uma fábrica de insulina era um sonho antigo e representou a oportunidade de ver de perto um dos avanços que ajudam milhões de pessoas a viver mais e melhor.
Para quem acompanhou tantas mudanças ao longo da vida, o momento teve um significado que vai além da tecnologia ou da produção industrial. Representou a evolução da ciência colocada a serviço das pessoas.
Produção nacional e acesso ao tratamento
A visita permitiu que pacientes, familiares, representantes de associações e criadores de conteúdo compreendessem melhor a complexidade envolvida na fabricação de um medicamento biológico.
Mais do que conhecer equipamentos e processos industriais, os participantes puderam enxergar de perto o caminho percorrido por um tratamento que faz parte da rotina de milhões de brasileiros.

Em um momento de ampliação do acesso à insulina glargina pelo SUS, iniciativas como essa ajudam a aproximar a comunidade do diabetes dos profissionais responsáveis pela produção do medicamento e reforçam a importância da ciência, da inovação e da fabricação nacional.
Muito além de uma visita
Ao final do dia, os visitantes deixaram a fábrica levando mais do que fotos e vídeos. A experiência permitiu compreender que, por trás de cada frasco ou caneta de insulina, existe uma complexa rede de pesquisa, tecnologia, profissionais altamente capacitados e rigorosos processos de qualidade.
Para muitos dos participantes, a lembrança mais marcante não foi uma máquina, um laboratório ou uma linha de produção. Foi a sensação de ver, pela primeira vez, o caminho percorrido pelo medicamento que os acompanha todos os dias.
Em um momento histórico para a ampliação do acesso à insulina glargina no Brasil, a visita mostrou que por trás de cada aplicação existe muito mais do que tecnologia.
Existe ciência, dedicação e milhões de histórias que dependem dela para continuar sendo escritas.