A fábrica de insulina era um lugar que Dona Carmen Wills sonhava conhecer há décadas. Aos 95 anos e após conviver por 75 anos com o diabetes tipo 1, ela finalmente teve a oportunidade de ver de perto como é produzido o medicamento que utiliza diariamente desde a juventude.
A visita aconteceu na unidade da Biomm, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Acompanhada da filha, Débora Wills, Dona Carmen integrou um grupo formado por representantes de associações de pacientes, lideranças da sociedade civil e influenciadores digitais convidados para conhecer a produção nacional de insulina.
Para quem vive com diabetes tipo 1, a insulina não é apenas um tratamento. Ela é essencial para a sobrevivência. Por isso, conhecer o local onde esse medicamento é produzido teve um significado especial para a brasileira considerada a pessoa com mais tempo de convivência com o diabetes tipo 1 no país.
“Era um sonho que eu tinha. Nunca imaginei que conseguiria realizar esse sonho aos 95 anos”, contou Dona Carmen.
Cada etapa da produção despertava uma nova emoção
A visita foi conduzida por Luciano da Silva Machado, diretor de Operações (COO) da Biomm, que acompanhou Dona Carmen durante todo o percurso pela fábrica.
Logo nos primeiros momentos, ela conheceu a área de formulação da insulina glargina, etapa em que o medicamento começa a ser preparado antes de seguir para os demais processos produtivos.

Em seguida, acompanhou os rígidos protocolos de segurança e controle de qualidade adotados pela empresa. A cada nova área visitada, a reação era a mesma: surpresa, curiosidade e felicidade.
“Estou impressionada. Ainda estou tentando digerir tudo isso. Foi muito emocionante. Eu não acreditava no que estava vendo”, afirmou ao final da visita.
Além da área de formulação, Dona Carmen conheceu os setores de inspeção, rotulagem e embalagem. Durante as explicações, descobriu que a mesma insulina produzida para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS) também recebe outras apresentações destinadas ao mercado privado.
A visitante também acompanhou a produção das canetas descartáveis de insulina e observou os cuidados necessários para garantir que cada unidade chegue aos pacientes dentro dos mais altos padrões de qualidade.
Do laboratório ao paciente: os bastidores da insulina
Um dos momentos que mais chamou a atenção de Dona Carmen aconteceu na etapa final da visita.
Vestindo um casaco especial de proteção, em um ambiente com temperatura entre 2 e 8 graus, ela entrou nas áreas destinadas ao armazenamento dos medicamentos já prontos para distribuição.
No local, conheceu os protocolos utilizados para preservar a estabilidade e a qualidade da insulina até que ela seja enviada ao Ministério da Saúde ou às farmácias privadas que comercializam o medicamento produzido no Brasil.
Para quem depende da insulina há 75 anos, entender os bastidores desse processo teve um significado especial.
Ao longo do percurso, Dona Carmen observava atentamente cada explicação. Em diversos momentos, fazia perguntas e buscava compreender como o medicamento percorre um longo caminho até chegar às mãos dos pacientes.
“Eu não imaginava que a produção do líquido que me dá a vida todos os dias exige tantos processos e cuidado assim”, disse ela com um sorriso no rosto.
Uma vida que acompanha a evolução do tratamento do diabetes
A trajetória de Dona Carmen também ajuda a contar parte da história do tratamento do diabetes tipo 1 no Brasil.
Quando recebeu o diagnóstico, há 75 anos, a realidade era muito diferente da atual. Não existiam opções de insulinas como temos hoje, “durante 30 anos usei insulina de origem animal, além de vivenciar alguns episódios hipoglicemia severas”, reformou ela.

Ao longo das décadas, ela testemunhou a chegada de novas tecnologias, a evolução das insulinas e os avanços que tornaram o tratamento mais seguro e mais preciso.
Ainda assim, sua história mostra que longevidade e qualidade de vida também estão ligadas à adesão ao tratamento, ao acompanhamento médico regular e ao autocuidado.
Por isso, Dona Carmen se tornou uma inspiração para milhares de pessoas que convivem com o diabetes em todo o país.
Visita acontece em momento importante para o SUS
A visita à fábrica da Biomm aconteceu em um período importante para o tratamento do diabetes no Brasil.
Em 2026, o Ministério da Saúde iniciou a transição gradual da insulina NPH para a insulina glargina na rede pública brasileira.
Desde 2025, a glargina já estava disponível para pessoas com diabetes tipo 1 por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, conhecido popularmente como farmácia de alto custo.
No entanto, a nova estratégia permitirá que a insulina seja disponibilizada também nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), aproximando o acesso dos pacientes e reduzindo a necessidade de deslocamentos para retirada do medicamento.
A implementação ocorre de forma gradual em todo o território nacional. Ao mesmo tempo, profissionais da Atenção Primária à Saúde estão sendo capacitados para apoiar a incorporação da nova insulina na rotina da rede pública.
Nesse contexto, a visita de Dona Carmen também simboliza um momento de transformação no acesso ao tratamento para milhares de brasileiros que convivem com diabetes tipo 1.
Um encontro entre história, ciência e esperança
A visita também contou com a presença de Guilherme Maradei, CEO da Biomm, que fez questão de receber Dona Carmen pessoalmente na fábrica localizada em Nova Lima. O encontro representou mais do que a realização de um sonho individual.

Por um lado, simbolizou a história de uma mulher que sobrevive graças à insulina há 75 anos. Por outro, destacou a importância da produção nacional de medicamentos estratégicos para o tratamento do diabetes. Ao deixar a fábrica, Dona Carmen carregava uma lembrança aguardada por décadas.
Aos 95 anos, ela mostrou mais uma vez que alguns sonhos não têm prazo para acontecer. E que, mesmo após 75 anos convivendo com o diabetes tipo 1, ainda é possível viver experiências inéditas, emocionantes e inesquecíveis.
“Foi muito emocionante e estou muito orgulhosa de saber que a insulina Glargina, de ação prolongada, que chega ao SUS é produzida no Brasil, para nós Brasileiros”, resumiu.