A prática de exercício físico faz parte do tratamento do diabetes, mas exige atenção ao risco de hipoglicemia durante o exercício. A queda da glicose pode ocorrer em diferentes momentos e, por isso, o controle precisa começar antes mesmo do início da atividade.
Durante episódio do DiabetesCast, o fisiologista William Komatsu e a endocrinologista Denise Franco detalharam medidas para reduzir esse risco e orientar quem convive com diabetes.
Monitorar a glicemia antes do exercício é o primeiro passo
A monitorização da glicose orienta decisões antes e durante o treino. Segundo Denise Franco, esse dado define a conduta naquele momento.
Antes de iniciar a atividade, a pessoa precisa saber se deve se alimentar ou corrigir a glicemia. No entanto, apenas medir não resolve o problema.
É necessário entender o que fazer com o valor obtido. Portanto, o acompanhamento com profissional de saúde se torna necessário para ajustar essas decisões.
Sem essa referência, o risco de hipoglicemia aumenta. A endocrinologista compara a situação a dirigir sem enxergar o caminho.
Hipoglicemia durante o exercício pode acontecer por falta de planejamento
A hipoglicemia não ocorre apenas durante o esforço. Ela pode aparecer após o exercício, principalmente quando não há planejamento.
Segundo William Komatsu, o exercício funciona como uma intervenção com indicação e efeito esperado. No entanto, também pode gerar efeitos adversos.
Nesse contexto, iniciar atividade sem adaptação progressiva aumenta o risco de hipoglicemia. Muitas pessoas passam longos períodos sem se exercitar e tentam compensar em um único dia.
Além disso, treinos intensos sem preparo podem levar à queda da glicose. Portanto, a orientação é começar com menor intensidade e aumentar aos poucos.
Alimentação e glicemia precisam estar alinhadas ao treino
A relação entre alimentação e exercício interfere diretamente no controle glicêmico. No entanto, nem sempre comer antes do treino resolve.
Segundo Denise Franco, o mais importante é observar como o corpo responde em cada situação. Algumas pessoas não conseguem treinar após se alimentar.
Por outro lado, há casos em que a ingestão de alimentos se torna necessária, principalmente em atividades mais longas.
William Komatsu explica que a energia usada no exercício pode vir de reservas anteriores. Portanto, comer imediatamente antes não garante energia disponível.
Além disso, a glicemia elevada não representa mais energia. Pelo contrário, pode dificultar o desempenho se não houver hidratação e insulina adequada.
Hidratação também influencia risco de hipoglicemia
A hidratação participa do controle durante o exercício. No entanto, esse fator ainda recebe pouca atenção.
A falta de líquidos e eletrólitos pode comprometer o desempenho e interferir na resposta do organismo. Portanto, não se trata apenas de glicose.
William Komatsu relata que atletas podem apresentar queda de desempenho por falta de sais minerais. Esse cenário também pode ocorrer em pessoas com diabetes.
Nesse contexto, manter ingestão adequada de líquidos durante o treino reduz riscos associados ao esforço físico.
Exercício físico deve ser tratado como parte do tratamento
Os especialistas reforçam que o exercício precisa ser prescrito. Não basta recomendar atividade de forma genérica.
Segundo William Komatsu, o exercício deve ter tipo, duração e intensidade definidos. Além disso, deve ser adaptado à realidade de cada pessoa.
Denise Franco destaca que o exercício integra o tratamento do diabetes. No entanto, muitas vezes ele não recebe a mesma atenção que os medicamentos.
Essa diferença impacta a adesão. Enquanto isso, pacientes seguem a medicação e deixam o exercício em segundo plano.
Frequência e regularidade ajudam a reduzir oscilações glicêmicas
A regularidade do exercício contribui para o controle da glicemia. No entanto, a frequência precisa ser consistente.
William Komatsu orienta começar com sessões curtas e frequentes. Segundo ele, treinar mais vezes na semana aumenta a chance de manter o hábito.
Além disso, a repetição ajuda o organismo a responder melhor ao esforço. Portanto, reduz variações bruscas da glicose.
Por outro lado, treinos esporádicos dificultam esse ajuste e aumentam o risco de hipoglicemia durante o exercício.
