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    História

    Gata perdeu quase 70% do peso corporal antes de receber diagnóstico de diabetes; veja os sinais que alertaram a tutora

    Perda de peso, aumento da sede e mudanças no comportamento levaram ao diagnóstico de diabetes em uma gata de oito anos. Conheça a trajetória de Safi e sua tutora, Valesca Cruz.
    Estefane Moitinho14 de junho de 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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    Quando Safi começou a perder peso, parar de comer e beber mais água do que o habitual, Valesca Cruz acreditou que as mudanças poderiam estar relacionadas à idade. Em poucas semanas, os sinais se intensificaram e levaram ao diagnóstico de diabetes, uma doença que a tutora não imaginava que pudesse atingir gatos. A descoberta marcou o início de uma rotina de monitoramento glicêmico, aplicações de insulina e busca por informações sobre uma condição ainda pouco conhecida entre muitos tutores.

    Diabetes em gatos

    Aos oito anos, Safi passou a apresentar alterações que chamaram a atenção da família. O que parecia ser apenas uma mudança de comportamento acabou revelando uma doença que exigiria adaptação, aprendizado e uma nova organização do dia a dia. Hoje, os cuidados com a diabetes fazem parte da rotina da casa e levaram Valesca a compartilhar informações sobre o tema com outros tutores por meio da internet.

    O diabetes está entre as doenças hormonais mais frequentes em cães e gatos. O diagnóstico exige mudanças nos cuidados diários, mas muitos animais conseguem manter qualidade de vida quando recebem acompanhamento veterinário, alimentação adequada e controle da glicose.

    Os primeiros sinais da diabetes na Safi

    As mudanças começaram de forma gradual. Segundo Valesca, Safi sempre foi uma gata ativa, brincalhona e tinha bom apetite. Ao longo de algumas semanas, porém, o comportamento começou a mudar.

    A gata passou a demonstrar menos interesse pela alimentação, começou a beber mais água e a urinar com maior frequência. Em alguns momentos, também urinava fora da caixa de areia. Os episódios de vômito se tornaram mais frequentes e a disposição diminuiu.

    No início, a tutora acreditou que os sinais poderiam estar relacionados à idade.

    “Ela sempre foi uma gata muito ativa, brincalhona e tinha um ótimo apetite. Ao longo de um mês comecei a notar mudanças no comportamento dela”, relata.

    Diabetes em gatos

    A situação se agravou com a perda de peso. Mesmo oferecendo diferentes tipos de ração, Valesca percebia que a gata continuava emagrecendo.

    “Ver uma gata que sempre foi mais gordinha chegar ao ponto de apresentar os ossos aparentes foi o que me fez procurar atendimento veterinário.”

    Em poucas semanas, Safi passou de cinco quilos para cerca de um quilo e meio. A perda de peso foi o principal alerta de que algo não estava bem.

    Segundo a médica-veterinária Thais Thomaz Domingues de Almeida, os sinais mais comuns da diabetes em cães e gatos incluem aumento do apetite, aumento da sede, aumento da frequência urinária e perda de peso. Muitos desses sintomas foram observados por Valesca antes do diagnóstico da Safi.

    A descoberta da diabetes

    A consulta veterinária trouxe a resposta para os sintomas que preocupavam a família. O diagnóstico de diabetes surpreendeu a tutora, que não imaginava que a doença também pudesse afetar gatos.

    “Diabetes era a última hipótese que eu imaginava para a Safi.”

    Diabetes em gatos

    Antes daquele momento, Valesca não sabia que gatos também podem desenvolver diabetes, uma dúvida comum entre tutores que entram em contato com a doença pela primeira vez. A falta de informação sobre diabetes em animais foi um dos primeiros desafios enfrentados após o diagnóstico.

    A notícia trouxe uma série de dúvidas sobre o tratamento e os cuidados necessários para manter a doença sob controle.

    “Eu só pensava em tudo o que precisaria providenciar para ela. Alimentação específica, insulina, aparelho para monitorar e outros insumos. Eu não imaginava a complexidade disso tudo.”

    Após o diagnóstico inicial, Safi foi encaminhada para acompanhamento com endocrinologista veterinário. Como dependia do atendimento público, a consulta especializada levou cerca de quatro meses para acontecer. Enquanto aguardava o atendimento, Valesca precisou buscar informações para compreender melhor a doença e iniciar os cuidados necessários.

    A rotina após o diagnóstico

    Na época em que recebeu a notícia, Valesca havia acabado de concluir a graduação e realizava um estágio com uma carga horária intensa. O tratamento da gata exigiu uma reorganização completa do dia a dia.

    A aplicação da insulina passou a acontecer a cada 12 horas e os horários precisavam ser respeitados diariamente.

    “Meus compromissos passaram a ser planejados em função dos horários da insulina.”

    Segundo ela, a responsabilidade com os cuidados da Safi continua influenciando decisões pessoais e profissionais. Quando precisa sair, toda a logística é organizada para garantir que a alimentação e a medicação sejam oferecidas nos horários corretos.

    A mãe de Valesca ajuda na alimentação da gata quando necessário, mas o monitoramento glicêmico e as aplicações de insulina permanecem sob responsabilidade da tutora.

    Diabetes em gatos

    Os desafios para manter o tratamento

    Além das mudanças na organização da casa, os custos do tratamento passaram a fazer parte do orçamento da família. Os gastos incluem ração específica, insulina, seringas, tiras reagentes para monitoramento da glicemia e consultas veterinárias.

    “Sou de baixa renda e já realizava tratamento para dermatite atópica. O diagnóstico da Safi trouxe uma preocupação financeira a mais.”

    Para garantir que Safi continuasse recebendo todos os cuidados necessários, Valesca organizou rifas, vendeu chocolates e buscou diferentes formas de arrecadar recursos. A mobilização foi necessária para manter a compra de insumos e o acompanhamento veterinário sem interromper o tratamento.

    Além das dificuldades financeiras, a busca por informação também se tornou um desafio.

    “Eu tinha a sensação de estar enfrentando tudo aquilo sozinha.”

    Foi nesse período que ela encontrou apoio no Projeto Pet Diabetes, iniciativa voltada para orientação e suporte a tutores de animais com a doença.

    O que Valesca precisou aprender sobre diabetes felina

    Com o acompanhamento veterinário, Valesca passou a adquirir conhecimentos que antes faziam parte apenas da rotina de profissionais da área.

    Ela aprendeu sobre armazenamento correto da insulina, escolha de seringas, monitoramento glicêmico e interpretação dos resultados. Também precisou entender como a alimentação interfere diretamente nos níveis de glicose.

    Outro aprendizado importante foi conhecer a possibilidade de remissão da diabetes em alguns gatos quando o tratamento é realizado de forma adequada e acompanhado por especialistas.

    A alimentação passou a ser controlada de forma rigorosa. Atualmente, Safi consome entre 50 e 52 gramas de ração por dia, divididas em quatro refeições.

    Segundo a veterinária Thais Thomaz Domingues de Almeida, a alimentação faz parte do tratamento e influencia diretamente o controle da doença. Nos gatos, as dietas costumam priorizar maior quantidade de proteínas e menor teor de carboidratos.

    Aprender a medir a glicemia virou parte dos cuidados diários

    Entre todos os desafios, o monitoramento glicêmico foi um dos que exigiram mais adaptação. A coleta de sangue é realizada principalmente na orelha da gata e demanda prática para ser feita corretamente.

    Nos primeiros meses, nem sempre o procedimento funcionava como planejado.

    “Já aconteceu de furar a orelhinha dela várias vezes e não conseguir. Eu chorava e ela também.”

    Com o passar do tempo, o processo se tornou parte dos cuidados diários. Hoje, existe até mesmo um ritual durante os cuidados.

    “Todos os dias eu faço a mesma coisa. Converso com ela, falo as mesmas palavras, dou beijinhos e pego ela no colo depois da insulina.”

    Além dos medidores convencionais, alguns animais também podem utilizar sensores de glicose para acompanhamento dos níveis glicêmicos. A indicação depende da avaliação veterinária e da adaptação de cada paciente.

    Como é a rotina da Safi atualmente

    Hoje, os horários das refeições, do monitoramento glicêmico e da aplicação da insulina fazem parte da organização da casa.

    O dia começa por volta das sete horas da manhã. Após a primeira refeição, Valesca mede a glicemia e realiza a aplicação da insulina. O mesmo processo se repete no período da noite.

    As demais refeições são distribuídas ao longo do dia, respeitando a quantidade definida para o tratamento.

    Atualmente, Safi utiliza três unidades internacionais de insulina e realiza acompanhamento periódico para avaliar a resposta ao tratamento.

    Segundo a tutora, alimentação adequada, aplicação correta da medicação e monitoramento glicêmico são os três pilares do controle da doença.

    A curva glicêmica também faz parte do acompanhamento e auxilia na avaliação da resposta ao tratamento e na necessidade de ajustes das doses.

    Segundo a veterinária Thais Thomaz Domingues de Almeida, quando o tratamento é seguido corretamente, muitos pacientes conseguem manter qualidade de vida por anos após o diagnóstico. É o que Valesca busca proporcionar diariamente para Safi.

    De tutora em busca de respostas a produtora de conteúdo sobre diabetes em pets

    A convivência com a diabetes ampliou o conhecimento de Valesca sobre a doença e mudou sua relação com o tema. O que começou com dúvidas sobre monitoramento glicêmico, insulina e alimentação se transformou em uma rotina de aprendizado constante.

    Ao longo dos anos, ela passou a compartilhar nas redes sociais informações sobre diabetes em cães e gatos, mostrando parte da rotina da Safi e dividindo experiências que podem ajudar outros tutores. O objetivo é tornar o acesso à informação mais simples para quem recebe o diagnóstico e não sabe por onde começar.

    Um dos episódios mais marcantes desde o diagnóstico aconteceu recentemente. Após uma hipoglicemia, Safi sofreu uma queda e teve uma lesão na traqueia. Depois de receber atendimento veterinário, a gata se recuperou. A situação reforçou para Valesca a importância do monitoramento frequente e da atenção aos sinais apresentados pelo animal.

    A experiência também levou Valesca a participar do Projeto Pet Diabetes, iniciativa voltada ao apoio e à orientação de tutores de animais com a doença.

    “Foi por causa da Safi que decidi fazer parte do projeto. Quero levar informação, acolhimento e apoio para outros tutores.”

    Hoje, além de acompanhar a rotina da gata e participar de iniciativas voltadas ao tema, ela utiliza a internet para compartilhar conhecimento sobre diabetes em pets e trocar experiências com outras famílias que convivem com a doença.

    “A diabetes em pets me mostrou que o meu propósito é ajudar, cuidar e levar informação para as pessoas.”

    Destaque Home diabete Diabetes diabetes em animais Diagnóstico doença Família gato com diabetes história insulina Internet
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    Estefane Moitinho

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