Descobrir se você tem diabetes costuma se tornar uma dúvida quando algo já mudou no corpo, como um exame alterado ou sintomas inesperados. Nesse momento, surge uma pergunta comum e legítima: como saber se tenho a condição de com segurança?
Ainda assim, nem todo mundo chega a fazer essa pergunta. Dados da OMS – Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 40% das pessoas com diabetes tipo 2 não sabem que têm a doença. Nesse contexto, o desafio não está apenas no diagnóstico, mas no fato de ele muitas vezes nem ser considerado.
Enquanto isso, a glicose elevada pode permanecer por anos sem sinais claros. Além disso, esse processo silencioso já está associado a danos progressivos no organismo. Portanto, confiar apenas na percepção do corpo pode atrasar decisões importantes.
Exames para detectar doença revelam alterações antes dos sintomas
Para entender como identificar a doença, os exames laboratoriais são fundamentais. Isso porque eles conseguem mostrar alterações que ainda não provocaram sintomas.
As diretrizes atuais mantêm três exames principais como base diagnóstica.
Glicemia de jejum
Esse exame mede a glicose após um período sem alimentação.
Valores de referência:
- Normal abaixo de 100 mg/dL
- Pré-diabetes entre 100 e 125 mg/dL
- Diabetes igual ou acima de 126 mg/dL
No entanto, ele representa apenas um momento específico. Por outro lado, não mostra o que acontece ao longo do dia.
Hemoglobina glicada
Esse exame mostra a média da glicose nos últimos meses. É como observar um histórico contínuo.
Valores:
- Normal abaixo de 5,7%
- Pré-diabetes entre 5,7% e 6,4%
- Diabetes igual ou acima de 6,5%
Além disso, ele ajuda a identificar alterações persistentes. Ainda assim, algumas condições podem interferir no resultado.
Teste oral de tolerância à glicose
Nesse exame, o organismo recebe uma carga de glicose e a resposta é avaliada.
Após duas horas:
- Normal abaixo de 140 mg/dL
- Pré-diabetes entre 140 e 199 mg/dL
- Diabetes igual ou acima de 200 mg/dL
Esse teste é útil principalmente quando há dúvida diagnóstica.
Novo exame de 1 hora amplia a chance de diagnóstico precoce
As diretrizes mais recentes das sociedades médicas brasileiras passaram a considerar a medição da glicose uma hora após a ingestão no teste oral.
Nesse caso, valores acima de 155 mg/dL indicam alteração metabólica.
Além disso, estudos observacionais sugerem que esse ponto de corte pode identificar alterações mais cedo. Portanto, ele amplia a capacidade de detectar risco antes que o diabetes esteja estabelecido.
Ainda assim, esse exame não substitui os critérios tradicionais. Ele funciona como complemento, especialmente em pessoas com maior risco.
Quando investigar?
Diante de um cenário em que muitos casos passam despercebidos, esperar sinais pode não ser suficiente.
A recomendação atual é iniciar o rastreamento a partir dos 35 anos. No entanto, pessoas com fatores de risco devem investigar antes.
Entre os principais fatores:
- Excesso de peso
- Histórico familiar
- Sedentarismo
- Pressão alta ou colesterol alterado
Além disso, ferramentas de triagem ajudam a identificar quem deve investigar com mais atenção. Nesse contexto, investigar passa a ser uma estratégia preventiva.
Veja também: pré-diabetes pode ser revertido com mudanças simples na rotina
E no caso do tipo 1?
Uma dúvida frequente é se o diabetes tipo 1 pode ser detectado antes dos sintomas.
Hoje, existem exames que identificam autoanticorpos ligados ao processo autoimune. Esses marcadores podem indicar risco antes do desenvolvimento da doença.
No entanto, esse rastreamento não é indicado para toda a população. Ele costuma ser utilizado em familiares de primeiro grau ou em estudos clínicos.
Ou seja, não é uma abordagem nova, mas ainda não faz parte da rotina ampla. Enquanto isso, o diagnóstico continua sendo feito, na maioria dos casos, após o início dos sintomas.
Qual a importância de saber cedo?
Identificar a doença precocemente muda o tipo de decisão que será tomada.
Na prática, isso permite ajustes na alimentação, inclusão de atividade física e início de tratamento quando necessário. Além disso, o acompanhamento adequado reduz o risco de complicações.
Por outro lado, quando o diagnóstico ocorre mais tarde, o controle tende a ser mais desafiador. Portanto, investigar no momento certo aumenta as chances de um bom controle.
Referências:
- Sociedade Brasileira de Diabetes Diretrizes 2025
https://diretriz.diabetes.org.br
