Quem tem diabetes e usa insulina costuma prestar atenção à dose e ao horário da aplicação. No entanto, outro detalhe também pode interferir no controle da glicose: a forma como a insulina é armazenada e o tempo em que ela permanece em uso após ser aberta. Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco e o endocrinologista Ricardo de Rienzo, esse é um dos fatores que podem alterar o controle glicêmico e merece atenção no dia a dia.
Insulina vencida pode perder o efeito?
Sim. Além do prazo de validade indicado pelo fabricante, a insulina também possui um tempo de uso depois que a caneta é aberta.
Segundo Denise Franco, a maior parte das insulinas pode ser utilizada por 28 a 30 dias após a abertura. A exceção citada pela médica é a insulina Tresiba, que possui um período diferente de utilização.
Depois desse prazo, a insulina pode perder parte da sua ação. Como consequência, o controle da glicose pode ficar comprometido mesmo quando a pessoa continua aplicando a dose prescrita.
Por isso, Denise Franco orienta que quem utiliza uma quantidade pequena de insulina marque na caneta a data em que ela foi aberta. Esse cuidado ajuda a evitar o uso além do período recomendado.
Colocar a insulina na geladeira depois de aberta aumenta a duração?
Não. Durante o DiabetesCast, Denise Franco explicou que o prazo começa a contar no momento em que a caneta é aberta. Portanto, voltar a guardá-la na geladeira não prolonga esse período.
Segundo a endocrinologista, a insulina que ainda não foi utilizada deve permanecer armazenada na geladeira. Já a caneta em uso pode permanecer em temperatura ambiente, desde que fique em um local fresco e ventilado e sem exposição a temperaturas extremas.
O clima pode interferir?
Sim. Ricardo de Rienzo explica que o local onde a pessoa mora influencia esse cuidado. Em regiões com temperaturas elevadas, pode ser necessário manter a insulina na geladeira mesmo após a abertura, sempre respeitando as orientações específicas de cada medicamento.
Além disso, o endocrinologista destaca que ambientes muito quentes podem comprometer a conservação da insulina.
Nem sempre a glicose alta significa erro na alimentação
Durante o episódio, Denise Franco e Ricardo de Rienzo lembram que existem 42 fatores capazes de influenciar o controle da glicose. A alimentação faz parte dessa lista, mas está longe de ser o único fator.
Segundo os especialistas, o armazenamento da insulina integra o grupo de fatores relacionados ao meio ambiente, ao lado de situações como temperatura, exposição ao calor e condições que podem interferir tanto na medicação quanto na leitura da glicose.
Nesse contexto, usar uma insulina que perdeu parte da eficácia pode dificultar a redução da glicemia mesmo quando a alimentação e a dose aplicada parecem corretas.
O que fazer quando a glicose não baixa?
Ricardo de Rienzo explica que existem várias possibilidades para uma glicose permanecer elevada. Em pessoas que utilizam bomba de insulina, por exemplo, uma cânula obstruída, deslocada ou desconectada pode impedir a administração adequada da insulina.
Além disso, quanto maior a glicemia, maior pode ser a dificuldade para reduzi-la. O endocrinologista chama esse fenômeno de glicotoxicidade.
Outro cuidado importante é manter uma boa hidratação.
Segundo Ricardo de Rienzo, quando a glicose está muito elevada, beber água ajuda o organismo e também reduz o risco de complicações, como a cetoacidose diabética.
O rodízio da aplicação também interfere
Denise Franco lembra que a forma de aplicar a insulina também influencia o tratamento.
Aplicar repetidamente no mesmo local pode favorecer o aparecimento da lipodistrofia, conhecida por muitos pacientes como “carocinhos”. Essas alterações dificultam a absorção da insulina e podem comprometer seu efeito.
Além disso, os especialistas orientam observar se a aplicação está sendo feita corretamente, utilizando caneta, seringa ou agulha de forma adequada e evitando aplicações intramusculares quando não são indicadas.
Outros fatores também influenciam
Durante o DiabetesCast, Denise Franco e Ricardo de Rienzo reforçam que o controle da glicose depende da combinação de diversos fatores.
Entre eles estão a alimentação, a atividade física, a qualidade do sono, o estresse, doenças, outras medicações, hidratação, alterações hormonais, tabagismo, clima, comportamento e decisões tomadas ao longo do dia.
Segundo os endocrinologistas, quando a glicose sobe, nem sempre a alimentação é a única responsável. Observar todo o contexto ajuda a identificar o que pode ter contribuído para aquela alteração e permite discutir ajustes com a equipe de saúde.
