O pote de água esvazia mais rápido, o animal pede comida com frequência, mas continua emagrecendo. Esses sinais podem indicar diabetes em cães e gatos, uma das doenças hormonais mais frequentes entre os animais de companhia.
Assim como acontece com as pessoas, o diabetes exige acompanhamento, monitoramento da glicose e adaptação da rotina. O diagnóstico costuma gerar dúvidas entre os tutores, mas o tratamento permite que muitos animais mantenham qualidade de vida por anos.
Segundo a médica-veterinária Thais Thomaz Domingues de Almeida, qualquer animal pode desenvolver a doença. Alguns grupos, porém, apresentam maior predisposição.
“Nos cães, existe predisposição racial para o diabetes tipo 1, principalmente em animais de pequeno porte, como poodle, schnauzer, shih-tzu e spitz alemão. As fêmeas não castradas também apresentam maior predisposição. Já nos gatos, o mais comum é o diabetes adquirido, semelhante ao tipo 2, sendo mais frequente em machos castrados.”
A doença costuma surgir com maior frequência em animais de meia-idade, embora possa ocorrer em diferentes fases da vida.
Quais sinais podem indicar diabetes em cães e gatos?
Os sintomas costumam ser semelhantes entre cães e gatos e podem surgir de forma gradual. Em muitos casos, os tutores percebem primeiro mudanças em hábitos que fazem parte da rotina diária.
Os sinais mais comuns incluem:
- aumento do apetite;
- aumento da sede;
- aumento da frequência urinária;
- perda de peso.
Segundo a veterinária, esses sintomas podem aparecer juntos ou de forma isolada nos estágios iniciais da doença. Por isso, qualquer mudança persistente no comportamento do animal deve ser investigada por um médico-veterinário.
Embora os sinais chamem a atenção dos tutores, o diagnóstico não é feito apenas pela observação clínica. A confirmação depende da avaliação profissional e de exames específicos.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico do diabetes envolve a análise do histórico do paciente, dos sintomas apresentados e dos resultados laboratoriais. Entre os exames mais utilizados estão a glicemia, a curva glicêmica, a frutosamina e a urinálise.
Após a confirmação da doença, o tratamento é definido de forma individualizada. Muitos animais precisam utilizar insulina para controlar os níveis de glicose no sangue.
“A aplicação subcutânea de insulina é muitas vezes necessária para o controle da doença. A dose é calculada individualmente para cada paciente”, explica Thais.
O tutor recebe orientações sobre a forma correta de aplicação, os horários e a frequência das doses. O acompanhamento também inclui orientações nutricionais, consideradas parte importante do tratamento.
Receber o diagnóstico de diabetes costuma preocupar os tutores, principalmente pela necessidade de monitoramento contínuo. No entanto, a veterinária afirma que a rotina dos animais pode seguir de forma semelhante à de antes do diagnóstico quando o tratamento é seguido corretamente.
“A rotina do paciente diabético é quase normal. Eles podem ter uma excelente qualidade de vida após o diagnóstico.”
As principais mudanças envolvem a organização dos horários de alimentação, das aplicações de insulina e das consultas de acompanhamento. O comprometimento dos tutores tem papel importante para manter o controle da glicose e reduzir o risco de complicações.
Alimentação faz parte do tratamento do diabetes
A alimentação faz parte do tratamento e influencia diretamente o controle do diabetes. Nos cães, a dieta costuma priorizar fibras, carboidratos complexos e menor teor de gordura. Nos gatos, a alimentação normalmente apresenta maior quantidade de proteínas e menor teor de carboidratos.
Atualmente, existem dietas comerciais desenvolvidas especificamente para pacientes diabéticos. A alimentação natural também pode ser utilizada, desde que exista acompanhamento de um médico-veterinário nutricionista.
Segundo a especialista, seguir a orientação alimentar é tão importante quanto respeitar os horários das aplicações de insulina.
Sensor de glicose também ajuda no acompanhamento dos pets
Tecnologias utilizadas por pessoas com diabetes também passaram a auxiliar o acompanhamento de cães e gatos.
Hoje existem sensores de glicose que podem ser aplicados na pele do animal e permitem acompanhar os níveis de glicose por meio do celular. A ferramenta auxilia o monitoramento e pode contribuir para ajustes no tratamento quando indicado pelo médico-veterinário.
Segundo Thais, a utilização desses dispositivos depende do comportamento de cada paciente.
“Não é incomum o paciente se esfregar no chão ou em algum objeto e arrancar o dispositivo.”
Quando o sensor não é uma opção, o acompanhamento pode ser realizado por meio dos medidores convencionais de glicemia. Nesse caso, o tutor recebe orientação para coletar uma pequena amostra de sangue e realizar a leitura em casa.
Hipoglicemia exige atenção dos tutores
Durante o tratamento, um dos cuidados mais importantes é a identificação dos sinais de hipoglicemia, situação em que os níveis de glicose ficam abaixo do necessário.
Segundo a veterinária, os sintomas podem variar de intensidade. Nos casos mais leves, o animal pode apresentar fome repentina, letargia, fraqueza muscular e tremores. Em situações mais graves, podem ocorrer perda de reflexos, diminuição da resposta a estímulos, vômitos, convulsões e até coma.
Ao perceber qualquer um desses sinais, o tutor deve procurar atendimento veterinário imediatamente.
Quais cuidados ajudam a evitar complicações?
O controle adequado do diabetes ajuda a reduzir o risco de complicações associadas à doença. Pacientes que permanecem em desequilíbrio podem desenvolver problemas como cetoacidose diabética, pancreatite, doença renal, infecções urinárias, catarata e neuropatias.
A especialista também alerta para erros comuns durante o tratamento. Entre eles estão o oferecimento de petiscos e alimentos não autorizados pelo veterinário, alterações na alimentação sem orientação profissional e o descumprimento dos horários de aplicação da insulina. Dificuldades relacionadas à rotina da casa e ao trabalho costumam contribuir para essas situações.
O acompanhamento veterinário regular permite avaliar a resposta ao tratamento e realizar ajustes quando necessário.
Para quem acabou de receber o diagnóstico do pet, a orientação é buscar informação e seguir o plano de cuidados estabelecido pelo médico-veterinário.
“Ter um animal diabético exige mudança de rotina e disciplina. No começo pode ser difícil ajustar as doses de insulina, mas em parceria com o veterinário o controle acontece. Dá para ter uma vida praticamente normal após o diagnóstico.”
