Uma pesquisa internacional revelou que sete em cada dez brasileiros com diabetes afirmam que a doença afeta diretamente o bem-estar emocional. O levantamento também mostra que ansiedade, preocupação com o futuro e medo das oscilações da glicose fazem parte da rotina de muitos pacientes.
Os dados são do Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica. A pesquisa ouviu 4.326 pessoas com diabetes em 22 países, em setembro de 2025. Desse total, 20% eram brasileiros.
Segundo o estudo, 78% dos entrevistados no Brasil relataram ansiedade ou preocupação com o futuro. Além disso, dois em cada cinco pacientes disseram se sentir sós ou isolados em função da doença.
Entre pessoas com diabetes tipo 1, o impacto emocional aparece de forma ainda mais intensa. Nesse grupo, 77% afirmaram que a doença afeta significativamente o bem-estar emocional.
Pesquisa mostra impacto do diabetes na rotina diária
Os participantes também relataram dificuldades em atividades comuns do dia a dia. Segundo a pesquisa, 56% disseram que a condição limita a capacidade de passar o dia fora de casa.
Além disso, 46% afirmaram enfrentar dificuldades em situações como trânsito e reuniões longas. Enquanto isso, 55% relataram não acordar descansados por causa das oscilações glicêmicas durante a noite.
Os dados indicam que o controle da glicose continua impactando diferentes áreas da rotina, incluindo sono, trabalho e momentos de lazer.
Nesse contexto, apenas 35% dos entrevistados disseram se sentir muito confiantes para gerenciar a própria condição.
Pacientes defendem mais acesso a sensores de glicose
A pesquisa também mostrou que muitos pacientes consideram insuficiente o modelo atual de cuidado no diabetes. Entre os entrevistados, 44% defenderam a priorização de tecnologias mais inteligentes para prevenir complicações relacionadas à doença.
Já entre pessoas que usam glicosímetros ou testes de ponta de dedo, 46% afirmaram que sensores de monitoramento contínuo de glicose deveriam ser mais adotados devido à capacidade de funcionarem como alertas preditivos.
Os sensores de glicose monitoram os níveis glicêmicos ao longo do dia e conseguem mostrar tendências de alta ou queda antes que elas aconteçam.
Segundo o levantamento, 53% dos brasileiros apontaram que a principal funcionalidade desejada em sensores com inteligência artificial é a capacidade de prever níveis futuros de glicose. Entre pacientes com diabetes tipo 1, esse número sobe para 68%.
Previsibilidade aparece como uma das maiores demandas
O estudo mostra que a previsibilidade da glicose está entre os principais desejos das pessoas que convivem com diabetes.
Segundo a pesquisa, 56% dos brasileiros afirmaram que saber antecipadamente as tendências da glicose daria maior sensação de controle sobre a doença.
Por outro lado, 48% disseram que reduzir episódios inesperados de hipoglicemia e hiperglicemia melhoraria a qualidade de vida.
Entre pacientes com diabetes tipo 1, 95% consideram fundamentais ferramentas capazes de prever quedas e altas da glicose.
Sensores podem reduzir complicações e internações, afirma SBD
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), André Vianna, afirmou que o acompanhamento contínuo e o diagnóstico precoce ajudam a evitar complicações relacionadas ao diabetes.
Segundo o endocrinologista, os sensores de monitoramento contínuo podem fazer diferença principalmente no diabetes tipo 1, porque a glicemia apresenta maior oscilação.
De acordo com Vianna, a tecnologia permite que a pessoa acompanhe tendências futuras da glicose e tome decisões preventivas antes de episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia.
O médico também afirmou que o uso dessas ferramentas pode reduzir internações e atendimentos em pronto-socorro.
Além disso, Vianna destacou que os sensores e tecnologias com inteligência artificial podem diminuir a carga emocional relacionada ao diabetes.
Brasil ocupa sexta posição mundial em casos de diabetes
O diabetes é causado pela produção insuficiente ou pela má absorção de insulina, hormônio responsável pelo controle da glicose no sangue.
Quando não controlada, a doença pode provocar complicações nos olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos.
Já o diabetes tipo 1 ocorre quando o organismo destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.
Segundo o Atlas Global do Diabetes 2025, da International Diabetes Federation, o Brasil ocupa a sexta posição mundial em número de casos de diabetes.
O país soma 16,6 milhões de adultos diagnosticados com a doença.
SUS ainda não oferece sensores de glicose em larga escala
Apesar do avanço das tecnologias, o acesso aos sensores contínuos de glicose ainda é limitado no Brasil.
Segundo André Vianna, os aparelhos estão mais presentes entre pessoas com maior poder aquisitivo. No Sistema Único de Saúde (SUS), entretanto, ainda não existe distribuição em larga escala.
Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde publicou decisão de não incorporar ao SUS o monitoramento contínuo da glicose por escaneamento intermitente para pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2.
Enquanto isso, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 323/25, que prevê a distribuição gratuita desses dispositivos pelo SUS.
