O Brasil ocupa atualmente a sexta posição entre os países com maior número de pessoas vivendo com diabetes no mundo. Segundo dados do Vigitel, cerca de 20 milhões de adultos brasileiros convivem com a condição. Os números, porém, são apenas o ponto de partida para compreender os desafios enfrentados por quem vive com a condição diariamente.
Nesta sexta-feira (26), é celebrado o Dia Nacional do Diabetes, e hoje o Portal Um Diabético inicia uma série especial de reportagens sobre a condição, abordando temas que vão além das estatísticas e fazem parte da rotina de milhões de brasileiros.

Os números do diabetes no Brasil
Os dados mais recentes vêm do levantamento do Ministério da Saúde. A pesquisa mapeia fatores de proteção e de risco para doenças crônicas não transmissíveis na população brasileira. Segundo o levantamento, entre 2006 e 2024 a prevalência da condição entre adultos no Brasil aumentou 135%, passando de 5,5% para 12,9% da população.
No mesmo período, outras condições ligadas a condição também cresceram de forma expressiva. A hipertensão avançou 31%, a obesidade subiu 118% e o excesso de peso aumentou 47%. Nesse contexto, o crescimento conjunto dessas condições reforça o alerta da SBD sobre a relação entre obesidade, hábitos de vida e diabetes tipo 2.
O que dizem as diretrizes da SBD
A Sociedade Brasileira de Diabetes atualiza anualmente os protocolos clínicos de tratamento da doença. Segundo as diretrizes mais recentes, o foco do cuidado vai além do controle da glicemia. O tratamento também prioriza a redução de riscos cardiovasculares e o manejo da obesidade.
Entre as classes de medicamentos priorizadas pelas diretrizes estão os inibidores de SGLT2 e os agonistas de GLP-1. Ambos são indicados para pacientes com diabetes tipo 2 e fatores de risco cardiovascular ou obesidade associada.
Por dentro do desafio: o que diz o presidente da SBD
Para entender melhor o cenário, o Portal Um Diabético conversou com o Dr. João Salles, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, no podcast DiabetesCast. Segundo ele, o principal obstáculo para reverter esses números não é a falta de médicos no Brasil. O problema, na visão dele, é a falta de formação específica na condição na atenção primária.
“O médico aprendeu diabetes na faculdade, teve uma ou duas aulas no quarto ano, nunca mais viu isso, e hoje tem uma pessoa com diabetes na frente dele para cuidar.” Dr. João Salles, presidente da SBD
Para enfrentar esse problema, a SBD está desenvolvendo uma plataforma digital gratuita de capacitação em diabetes, voltada a equipes de atenção primária nos municípios brasileiros. A entidade também integra o aplicativo de sua diretriz clínica a uma ferramenta de inteligência artificial. O app, que já soma mais de 10 milhões de acessos, responde dúvidas sobre diagnóstico e tratamento.
Segundo o médico, o lema da atual gestão da SBD resume essa estratégia: “educação que acolhe”. A ideia, segundo ele, é levar informação correta a quem vive com a condição. O mesmo vale para os profissionais que cuidam dessas pessoas no dia a dia.
O que vem na semana do Dia Nacional do Diabetes
Ao longo desta semana, em que se chama atenção para o Dia Nacional do Diabetes, o Portal Um Diabético publica uma série especial. Os próximos textos vão abordar a relação entre obesidade e diabetes tipo 2, e o uso de medicamentos e insulina para ajudar no controle da glicose. A série segue com a comparação entre arroz com feijão e ultraprocessados, o uso de canetas aplicadoras de insulina e as novidades em tratamento.