Receber o diagnóstico de diabetes tipo 1 em uma criança pode mudar a rotina da família em poucas horas. Foi isso que aconteceu com a professora Rita Camila, mãe de Laís, após descobrir que a filha estava com glicose em 570 mg/dL, mesmo sem apresentar sintomas considerados intensos.
Segundo Rita, a filha demonstrava sinais como sede excessiva, aumento da frequência urinária e muita fome. No entanto, a família não associou os sintomas ao diabetes tipo 1 porque os exames periódicos estavam normais e não havia casos da doença na família.
Além disso, a mãe afirma que Laís costuma apresentar poucos sintomas tanto em episódios de hipoglicemia quanto de hiperglicemia. “Minha filha chegou a 570 de glicose e quase não tinha sintomas”, relatou nas redes sociais. Quem percebeu que havia algo diferente foi a avó da criança.
Avó percebeu mudança antes do diagnóstico do diabetes tipo 1
Segundo Rita Camila, a mãe dela observou alterações no comportamento de Laís e insistiu para que a família investigasse a situação. A partir disso, elas buscaram atendimento em uma farmácia.
No local, a orientação recebida foi de que não havia motivo para preocupação naquele momento. No entanto, Rita já tinha uma consulta marcada para a filha no oftalmologista no mesmo dia.
Durante o atendimento, a médica confirmou que a glicose estava em 570 mg/dL.
Depois da descoberta, Laís foi encaminhada diretamente para a UTI, onde permaneceu internada por sete dias até estabilizar o quadro.
Hoje, segundo a mãe, a menina está bem. Ainda assim, Rita afirma que a rotina da família mudou completamente após o diagnóstico.
Diabetes tipo 1 pode surgir mesmo sem histórico familiar
O relato também chama atenção para uma dúvida frequente entre famílias que recebem o diagnóstico de diabetes tipo 1 em crianças. Muitas pessoas acreditam que a doença só aparece em quem possui histórico familiar.
No entanto, Rita afirma que esse não era o caso da família. “Não temos casos de diabetes tipo 1 na família e mesmo assim aconteceu”, disse.
Nesse contexto, especialistas explicam que o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. Isso significa que o próprio organismo passa a destruir as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.
Portanto, a condição não surge por excesso de açúcar ou alimentação inadequada.
Após o diagnóstico, a pessoa passa a depender da aplicação diária de insulina para controlar a glicose no sangue.
Sinais do diabetes tipo 1 infantil podem passar despercebidos
Entre os sintomas mais comuns do diabetes tipo 1 estão sede excessiva, aumento da vontade de urinar, fome constante, perda de peso e cansaço.
No entanto, algumas crianças podem apresentar sinais considerados discretos no início da doença. Por isso, muitas famílias não suspeitam imediatamente do problema.
Rita afirma que um dos aprendizados após o diagnóstico foi entender que crianças também podem desenvolver diabetes tipo 1, mesmo quando parecem saudáveis.
“Normalmente, a gente é um dos últimos casos em pedir um teste de glicemia de uma criança, porque a gente não imagina que uma criança pode ter diabetes”, relatou.
Além disso, ela decidiu compartilhar a experiência nas redes sociais para alertar outras famílias sobre a importância da observação dos sintomas.
Fase de lua de mel pode dificultar percepção dos sintomas
Outro ponto que ajuda a explicar por que alguns sinais podem passar despercebidos é a chamada fase de lua de mel do diabetes tipo 1.
Segundo informações da ANAD, essa fase acontece logo após o diagnóstico e pode reduzir temporariamente a necessidade de insulina.
Nesse período, o pâncreas ainda consegue produzir pequenas quantidades de insulina. Como resultado, a glicose pode apresentar menos oscilações durante algum tempo.
Além disso, a fase pode gerar a impressão de que o diabetes está mais controlado ou provocar sintomas menos intensos em determinados momentos.
No entanto, a ANAD alerta que a lua de mel não representa cura do diabetes tipo 1. A fase é temporária e exige acompanhamento contínuo para evitar descompensações glicêmicas.
Enquanto isso, especialistas reforçam que qualquer sinal persistente, principalmente sede excessiva, urina frequente e fome aumentada, merece avaliação médica.
Relato da mãe virou alerta para outras famílias
Após a internação da filha, Rita Camila passou a produzir conteúdo sobre diabetes tipo 1 nas redes sociais. Segundo ela, o objetivo é ajudar outras famílias a reconhecer sinais precoces da doença.
Além disso, a mãe reforça que ignorar sintomas considerados simples pode atrasar o diagnóstico.
“Principalmente mães e pais, observem. Não ignorem sinais como sede, xixi frequente e muita fome”, afirmou.
O relato tem repercutido entre famílias de crianças com diabetes tipo 1 e também entre pessoas que desconheciam que a doença pode surgir de forma rápida na infância.
